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    Monsieur Pain -

    Roberto Bolaño

    Companhia das Letras
    2011
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-10: 8535919090
    Português Brasileiro
    3.5
    110 avaliações
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    Favoritos7Desejados128Avaliaram110

    Paris, 1938. Nesses tempos peculiares, a capital francesa era habitada por poetas e romancistas vanguardistas, artistas selvagens e curandeiros nada convencionais: os mesmeristas. Discípulo dessa terapia heterodoxa, o obscuro protagonista de Monsieur Pain tem a missão ingrata de curar um poeta com ataques crônicos de soluço. "Docemente, ao voltar para casa, comecei a recompor o rosto febril de monsieur Reynaud ao mesmo tempo que meditava sobre o soluço do desconhecido monsieur Vallejo. Imagem recorrente, refleti; nos últimos meses era difícil para mim não associar a doença e até a beleza à lembrança de monsieur Reynaud. Era quase meia-noite e eu havia passado o resto da noitada num café do bairro de Passy em companhia de um velho conhecido, alfaiate aposentado que consagrava grande parte do seu tempo ao estudo do mesmerismo. Já não chovia. De alguma maneira, pensei, as pessoas que nos servem de ponte até os pacientes revelam o estado mais profundo destes. Os intermediários como radiografias." Franz Mesmer, um médico do século XVIII, desenvolveu um método de tratamento de doenças humanas servindo-se do magnetismo animal - uma técnica precursora da hipnose que ficou mais conhecida pelo conto Revelação mesmérica, de Edgar Allan Poe. Um dos discípulos do mesmerismo, Pierre Pain, é o protagonista deste romance de Roberto Bolaño, escrito no início dos anos 1980. Na Paris do entreguerras, Pain é contratado por madame Reynaud para ajudar um sul-americano chamado Vallejo, que sofre de um soluço incurável. Outros médicos avaliaram o homem e nada descobriram. No entanto, logo o protagonista se encontra envolvido em uma conspiração muito maior do que imaginava. Perseguido por dois homens misteriosos que ele julga serem espanhóis, o mesmerista embarca em uma viagem alucinante pelas ruas de Paris, deparando com artistas de vanguarda, filmes raros de ficção científica e complexos labirintos dignos da imaginação de Jorge Luis Borges. Monsieur Pain, um dos primeiros romances escritos por Bolaño, é uma peça rara em sua obra: um livro atmosférico, repleto de temas caros à literatura de gênero, como o ocultismo, a busca detetivesca e a confusão entre sonho e realidade. Enquanto Pain se deixa levar pelo mistério, as fronteiras entre o que é real e o que é imaginação se dissolvem. A revelação final, óbvia para os leitores familiarizados com poesia latino-americana, de que o paciente com soluço se trata do famoso poeta peruano César Vallejo, adiciona ainda mais camadas interpretativas a esta estranha história. As circunstâncias da morte de Vallejo, por sinal, continuam enigmáticas até hoje. Por fim, o epílogo adianta uma técnica narrativa que seria depois consagrada por Bolaño: muitas vozes buscando documentar a vida de pessoas, algumas reais, outras fictícias.

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    Danielle de Medeiros Sousa30/11/2011Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Monsieur Pain

    Então li Monsieur Pain [Cia. das Letras, 2011], um dos primeiros romances de Bolaño que só se dedicou a eles para começar a ganhar dinheiro, já que, até então, escrevia apenas poesias (Roberto tem alma de poeta) (poesias não dão dinheiro). Pain é um francês que vive na Europa entre-guerras e se dedica às ciências ocultas, principalmente, o mesmerismo. Na história que Roberto desenvolve, o leitor encontra um universo fantástico onde não se sabe onde começa a realidade e termina o onírico (Pain sem rumo pelas ruas de Paris, os espanhóis nas escadas, o mulçumano no caberet). Além disso, Bolaño mistura figuras reais no meio desse louco ambiente que constrói, como por exemplo, Cesar Vallejo, o poeta espanhol. Enquanto lia Monsieur Pain me lembrei, em algumas passagens, do sufocamento que senti com O Processo, de Kafka. Da espiral sem fim de Crime e Castigo, que é o mesmo que dizer que não é um livro fácil (tô começando a achar que nenhum livro de Bolaño é). É um livro cheio de referências também, como no caso do já citado poeta espanhol e de um conto de Edgar Allan Poe (Revelação Mesmérica) que abre o romance. E vai além: porque assim como vi Kafka e Dostoiévski, outros enxergam Borges e Cortázar nas ruas estreiras, becos escuros e corredores labirínticos pelos quais o autor coloca seu personagem. Monsieur Pain, portanto, é o típico livro que funciona sozinho, mas funciona bem melhor se você souber as fontes das quais Roberto bebeu. Mesmo assim é um livro que recomendo, não para começar a conhecer os textos desse excelente escritor, mas sim, se você quiser se aprofundar em suas obras. . " Embora não o visse, sabia que estava ali. Ouvia seu soluço. Com toda clareza. Espasmódico, incômodo. - Vallejo? – Meu balbucio morreu quase sem sair dos lábios. Não houve resposta. A sombra voltou a soluçar e compreendi, como se enfiasse a cabeça num redemoinho, que aquele som não era natural, mas simulado, que ali havia alguém finjindo o soluço de Vallejo. Mas por quê? Para me assustar? Para me avisar? Para zombar de mim? Só por um insondável senso de humor e de ignomínia? Ele avança, pensei, avança em minha direção. Ignoro quanto tempo esperei. " ----- Resenha originalmente publicada em: seusuperego.wordpress.com

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    Roberto Bolaño Ávalos

    Bolaño cresceu no México e voltou ao Chile natal no começo dos anos 70, entusiasmado com o governo do presidente socialista Salvador Allende. Derrubado o regime, em 1973, o jovem trotskista foi perseguido e passou alguns dias na prisão. Depois, partiu para a Espanha e, na Costa Brava catalã, acabou fincando raízes. Seus livros tratam de modo original o gênero policial, mas também falam de política e drogas, além de refletir sobre a própria literatura, tendo usualmente escritores --e a si mesmo-- como personagens.

    82 Livros
    223 Seguidores
    Gran Santiago, Chile

    Roberto Bolaño Ávalos