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    Istambul - Memória e cidade

    Orhan Pamuk, Orhan Pamuk

    Companhia das Letras
    2007
    400 páginas
    13h 20m
    ISBN-13: 9788535910117
    Português Brasileiro
    3.7
    239 avaliações
    Leram401Lendo65Querem524Relendo0Abandonos38Resenhas25
    Favoritos20Desejados524Avaliaram239

    Sem nunca se ater a um gênero específico - Istambul é parte autobiografia, parte ensaio e parte elegia - Pamuk traça uma história afetiva de sua cidade e revela, "com os olhos da memória" - nas palavras do escritor Alberto Manguel -, os personagens, as ruas e becos, os grandes e os pequenos acontecimentos que definiram sua vida. Istambul - antiga Constantinopla, sede do Império Bizantino - é uma cidade encravada no meio do grande dilema que se apresenta para a humanidade neste início de século: o encontro entre Ocidente e Oriente. A secularização promovida por Atatürk - herói nacional e fundador da Turquia moderna, em 1923 - baniu as roupas típicas, coibiu costumes milenares e transformou progressivamente o panorama local. Para Orhan Pamuk, que nasceu e passou toda a sua vida na cidade, embora os habitantes tenham cumprido as novas regras, no espírito do povo turco essa operação nunca se completou. Entre a modernização crescente e o apego ao passado, entre ter sido um império e conhecer a decadência, criou-se nos habitantes um sentimento de melancolia que permeia toda a cidade, e também este livro. O centro de tudo é o Edifício Pamuk, construção que no início da década de 50 abrigava, espalhada em seus andares, toda a família do autor. Circulando pelos corredores do edifício, o pequeno Orhan tenta dar sentido a coisas que vê mas não entende por completo: as ausências do pai, as fotografias espalhadas pela avó, o indefectível piano que todos seus parentes têm nas casas, mas que nunca tocam. Conforme cresce, ele ganha as ruas, em longos e solitários passeios, e começa a se impregnar dessa tristeza coletiva que assombra a cidade. Mas, ao mesmo tempo em que de certo modo o oprime, Istambul fornece a ele um repertório de imagens - as casas na beira do Bósforo, os incêndios das mansões dos paxás, as enciclopédias de curiosidades compradas em sebos - que para ele ganham enorme força simbólica, e que estarão sempre presentes em sua obra. Como a Dublin de Joyce e a Buenos Aires de Jorge Luis Borges, Pamuk tira da cidade a experiência que o conduziu à arte.

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    Edna Galindo picture
    Edna Galindo21/05/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma viagem ao passado

    "E como essa atração pelo mundo das sombras, sempre preferi o inverno ao verão em Istambul." Um dos primeiro turcos a falar abertamente sobre o massacre de armênios promovido pela Turquia no início do Século XX e por esse fato se viu obrigado a abandonar Istambul e se exílar nos Estados Unidos retornando 50 anos mais tarde e é suas memórias que narra neste livro. Ele conta os fatos históricos da época desde os Impérios Romanos, Bizantino e Otomano até 1923 quando o período Republicano fora incorporado à Turquia. Mesclando com as memórias entre passado e presente ele apresenta o menino que fora e o outro que desejava ser, da arte e arquitetura à escrita e complementa "__que nossos medos infantis refletem em nós a vida toda." A melancolia de uma forma diferente, como Ele sente, acompanha toda a narrativa detalhando fatos da cultura como o que é esse estado de espírito melancólico e que difere da tristeza e chega a ser encarado como um prazer. "A huüzün de a Istambul ñ é apenas um estado de espírito evocado pela sua música e a sua poesia, mas um modo de encarar a vida que envolve a todos nós, ...um estado mental." Tratando em ambiguidade como à maioria dos sentimentos que são sentidos de formas distintas em cada ser. "Retornar aos sonhos de nossas riquezas de há muito perdidas, do nosso passado lendário. Da mesma forma, quando vejo a escuridão cair aos poucos como um poema sobre a luz fraca dos lampiões de rua para engolir esses velhos bairros, sinto-me reconfortado de saber que, pelo menos por aquela noite, estaremos a salvo; a vergonhosa pobreza da nossa cidade ficou oculta aos olhos ocidentais." A narrativa as vezes por ser tão autêntica nos sentimentos e tão descritivas nos transmite em determinados trechos uma melancolia mais atingível e deixa o livro um pouco triste, e foi esse o motivo de demorar tanto para concluído, como um espelho há detalhes nas obras que nos remetem às nossas próprias lembranças. Além de todas as ilustrações das obras que ele detalha sobre a Istambul do Século XIX que complementa o livro, foi uma experiência que só ganhei em acompanhar e conhecer a Obra Orhan Pamuk através de suas memórias #Bagagemliteraria #Istambul #Istambulmemoriaecidade #OrhanPamuk #Bookstagram #Instalivros #Fiqueemcasa #Instalivros

    11 curtidas

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    • 4 estrelas30%
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    • 2 estrelas12%
    • 1 estrelas3%
    Ferit Orhan Pamuk profile picture

    Ferit Orhan Pamuk

    Ferit Orhan Pamuk, mais conhecido como Orhan Pamuk, nasceu em 1952 em Istambul. Principal romancista turco da atualidade, já foi traduzido para mais de quarenta idiomas e ganhou o prêmio Nobel de literatura em 2006 e foi um dos primeiros turcos a falar abertamente sobre o massacre de armênios promovido pela Turquia no início do século XX. Cresceu em uma abastada família burguesa em declínio, uma experiência que ele descreve na passagem de romances seus como “O Livro Negro” e “O Senhor Cevdet e Seus Filhos”, bem como mais profundamente no seu “Istambul: Memórias e a Cidade”. Teve uma educação no Robert College da Turquia e passou estudar arquitetura na Universidade Técnica de Istambul. Abandonando a escola de arquitetura três anos depois, tornou-se escritor em tempo integral e, em 1976, graduou-se no Intituto de Jornalismo da Universidade de Istambul. Dos 22 a 30 anos, Pamuk conviveu com sua mãe, escreveu seu primeiro romance e tentou encontrar uma editora para a publicação.

    36 Livros
    114 Seguidores

    Ferit Orhan Pamuk