Belém Imaginária -

    Volney Nazareno, Carlos Paul, Fernando Augusto, Otoniel Oliveira

    Estúdio Casa Velha
    2004
    64 páginas
    2h 8m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    A trama se inicia quando Saulo, um menino da capital paraense, acorda numa Belém completamente diferente, onde animais andam, falam e se vestem como humanos. Surpreso, ele logo chama a atenção dos malandros locais, que o perseguem. O menino é salvo por um enorme Peixe-Boi, a pedido de Iaçá, uma bela indiazinha inspirada na lenda da menina mágica que dá origem ao açaí, que passa a ser sua protetora. Na companhia do macaquinho Enilson, ela fará de tudo para levar Saulo de volta ao seu mundo. Mas não será fácil. A única criatura que pode ajudar nessa missão é a Boiúna, uma cobra gigantesca e poderosa que vive sob a cidade. No entanto, para chegar até ela, os novos amigos terão que enfrentar perigos como o gigantesco Mapinguary e a bruxa Maria Cipó, que quer o corpo de Saulo para abrigar sua alma.

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    R .03/07/2015Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Sabe aquele estado onde você está meio acordado meio dormindo, com os sentidos alertas, o corpo paralisado e a mente viajando nos mais loucos delírios... É assim que se inicia e se justifica essa história, com o menino Saulo adentrando desse jeito na HQ e viajando em uma mistureba de informações folclóricas, históricas e corriqueiras da cidade das mangueiras - Belém do Pará. Parece até que estava empapuçado de uma tigelada de açaí, daquele petróleo du pai d'égua, e acaba tendo um sonho pra lá de maluco. De início não gostei, com humanos e animais antropomorfizados convivendo em uma Belém atemporal, vendo-se elementos de séculos passados, atuais, conceitos religiosos do catolicismo, descrições folclóricas, caracteres indígenas e de civilizações pré-colombianas. Estranhíssimos aqueles animais humanizados e quase nem reconheci o peixe-boi. Definitivamente, desta característica não gostei. A HQ transforma-se na busca de Saulo pelo retorno a seu mundo, contando com a ajuda fundamental de Iaçá e outros amigos. Apesar da impressão inicial, a história acabou envolvendo e despertando interesse, talvez pelo reconhecimento e identificação com elementos da cultura local, algo que aprecio, e que gostei no geral. O roteiro ainda tem cuidado de ir inserindo a explicação de termos indígenas ou do linguajar local para quem não conhece. A arte é bonita e de impressão agradável. Muito talentosos os artistas nos cenários detalhistas e nas personagens expressivas. A única coisa que não achei legal, na parte artística, foi o conceito muito caricato em determinados momentos. Fica um pouco desconexo e nada bonito, como as tias da Iaçá. A obra é infantojuvenil mas tem um momento sinistro que achei descaracterizado da lenda original. É opinião pessoal, mas aquela consulta à Boiúna parece uma invocação e exaltação do demo. Cruz credo! O povo paraense é bem religioso, mas não nisso! Enfim! Identifiquei a HQ como a experimentação de sensações, sabores, cores e impressões inerentes à Amazônia, numa mistura louca e a seu modo interessante.

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