Bright Star - The Complete Poems and Selected Letters

    John Keats

    Vintage
    2009
    544 páginas
    18h 8m
    ISBN-13: 9780099529651

    John Keats died in penury and relative obscurity in 1821, aged only 25. He is now seen as one of the greatest English poets and a genius of the Romantic age. This collection, which contains all his most memorable works and a selection of his letters, is a feast for the senses, displaying Keats' gift for gorgeous imagery and sensuous language, his passionate devotion to beauty, as well as some of the most moving love poetry ever written.

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    Ricardo de Almeida Rocha26/03/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Não é difícil entender por que Keats está entre os poetas mais amados da Literatura. Sua poesia é tão poderosa quanto foi sua vida breve. Ele fazia versos tão honestos quanto seu caráter. Deixou poemas inesquecíveis e palavras célebres. Sempre a frente do seu tempo, teve a carreira interrompida pela doença. Foi massacrado pela crítica de sua época, incluídos aí os nomes de Byron e Pope. Mas sua força vinha sobretudo em seus últimos anos do amor que a jovem Fanny Brawe lhe dedicou. É o ano mais produtivo de sua curta vida. A união do conceito de beleza ao de verdade criou uma intensidade única que prospera sobretudo no dístico de Ode a uma urna grega: “A beleza é a verdade; a verdade, a beleza – isso é tudo O que se sabe na terra e tudo o que se deve saber”. Porque a feiura desvanece com o tempo mas não qualquer forma de beleza. O conceito também está expresso nas primeiras linhas de seu primeiro livro publicado – “Tudo o que é belo é uma eterna alegria Seu encanto cresce, nunca Cairá no nada. Mas para sempre manterá Um sossegado abrigo e um sono pleno De doces sonhos, de saúde e calmo alento”. O filme de Jane Campion que aborda seu amor por Fanny é fiel aos acontecimentos. O título é tirado de seu poema “Bright Star”. Até o erotismo delicado do filme está contido em sua obra. J Como “Sentei-a em meu lento cavalo E nada mais vi ao longo do dia” em “Belle dame sans merci” ou em como foge do sexo pelo sexo pelo em “Ode a uma urna grega” – “Que êxtase selvagem! (...) (Mas) se nunca a irá beijar Ainda que tão perto do objetivo – não se aflija porém. (...) Embora não alcance teu êxtase Para sempre a amará e será ela bonita. “ O que naturalmente lhe concede uma visão muito mais plena do próprio amor, como em Estrela brilhante: “No seio que a madura de meu belo amor Para sentir sempre o seu tranqüilo arfar Desperto em sublime inquietação.” Seu primeiro poema publicado numa revista já dava uma idéia de seu futuro: “À solidão”, que começa com o belo e eloquiente “Ó solidão, se contigo deverei habitar”. La belle dame sans merci John Keats Ah, o que pode te afligir, miserável Solitário e pálido vagabundo? O junco à beira do lago está seco. Os pássaros não cantam. Ah, o que pode te afligir, miserável Tão desfigurado e macilento? O celeiro do esquilo está cheio E a colheita terminou Vejo um lírio em sua fronte Suado da febre da angústia E na face uma rosa que murcha E logo terá secado Uma dama encontrei nos prados Plenamente bela, filha de uma fada Os cabelos eram longos, os pés ligeiros O olhar indômito Sentei-a em meu lento cavalo E nada mais vi ao longo do dia Pois lateralmente inclinada ela cantava Uma canção de fada Fiz uma guirlanda para sua cabeça Braceletes também e um cinto revelador Ela me olhou como se me amasse E soltou um doce gemido Procurou para mim raízes frescas Mel selvagem e maná silvestre E num idioma decerto estranho disse Eu verdadeiramente te amo Levou-me para sua élfica gruta E suspirando me olhou profundamente Então eu fechei seus olhos indômitos e tristes E a beijei como acalanto Ali nós dormimos sobre o musgo E ali eu sonhei – ah, sina infeliz! O último de meus sonhos Na encosta gelada da colina Vi pálidos guerreiros e príncipes também Pálidos de morte estavam todos E lamentavam: La belle dame sans merci Te aprisionou Vi seus lábios sombrios dum negro aviso Abrirem-se totalmente à sombra da tarde E despertei e ali estava Na encosta gelada da colina Eis porque passei aqui Vagando pálido e solitário Embora seco o junco do lago Os pássaros não cantam. Ode sobre uma urna grega John Keats Tu, ainda não violada noiva do repouso Criança de que o silêncio e tardo tempo cuidam Silvestre historiadora que pode expressar Um conto florido com suavidade maior que nossa rima Que legenda franjada de folhagens te rodeia a forma De deuses ou homens ou ambos Em Temple ou nos vales da Arcádia? Que homens são esses ou que deuses? Que virgens hesitantes? Que perseguição louca! Que luta para a fuga! Que flautas e pandeiros! Que êxtase selvagem! As melodias que se escutam são doces mas Mais doces as que não se escutam. Soem pois as flautas Não para o ouvido sensual, porém mais agradecidas Toquem para nossos espíritos árias não sonoras Belo jovem sob as árvores, não pode interromper Sua canção, e não podem as árvores ser despidas Amante audacioso, nunca, jamais irá beijar Ainda que tão perto do objetivo – mas não se aflija Ela não pode desaparecer. Embora não alcance teu êxtase Para sempre a amará e será ela bonita. Felizes, felizes ramos! Não podem perder suas folhas nem dizer adeus à primavera e, músico feliz e incansável, sempre compor cantigas para sempre novas O mais feliz amor! O mais feliz, feliz amor! Ardendo para sempre e sempre a ser fruído Amor acima da paixão dos homens que respiram Que deixa desencantado o farto coração A testa queimando, a língua ressequida Quem são esses chegando para o sacrifício? Para que verde altar, misterioso sacerdote, Leva essa novilha que levanta aos céus um mugido? Os sedosos flancos vestidos de guirlandas Que cidadezinha junto ao rio ou a praia Ou construída na montanha, cidadela serena Está esvaziada dessa gente essa manhã piedosa? E, cidadinha, tuas ruas para sempre Estarão para sempre. Nenhuma alma virá dizer A razão por que está desabitada. Ó forma ática! Bela atitude! Num emaranhado De homens e virgens que a cercam Com ramos de floresta e ervas pisadas, Tu, forma silenciosa! Como a eternidade Além do pensamento nos perturba. Fria pastoral! Quando a velhice destruir a presente geração, Permanecerás, em meio a outras dores, Mais que as nossas, a amiga do homem, a quem diz: A beleza é a verdade; a verdade, a beleza – isso é tudo O que se sabe na terra, e tudo o que se deve saber Endimião Livro 1 (1-33) Tudo o que é belo é uma eterna alegria Seu encanto cresce, nunca Cairá no nada. Mas para sempre manterá Um sossegado abrigo e um sono pleno De doces sonhos, de saúde e calmo alento. Toda manhã pois estamos tecendo Um floral vínculo que nos ligue à terra Apesar do desespero e da cruel carência De nobres naturezas, dos dias escuros, De todo enfermo e escuro caminho Aberto para nossa busca. Sim, e não obstante Alguma forma de beleza afasta essa mortalha De nossa lúgubre alma. Cada sol e lua, A sombra das árvores para inocentes ovelhas, E os narcisos no mundo verde em que vivem E os regatos que se cobrem de frescor na estação quente. O arbusto na mata. Rico de um jorro em flor e almiscaradas rosas. E assim a majestade dos destinos Imaginados para os mortos poderosos Os lindos contos que lemos ou ouvimos Uma fonte infindável de imortal bebida Que da fímbria dos céus a nós se precipita. Dói meu coração e aflige meus sentidos Um torpor de sono como se eu tivesse tomado drogas Esgotado num só instante de poderoso narcótico e descido ao Lete Não porque inveje tua boa sorte Mas sou feliz ao ver a felicidade Que tu, arbórea dríade de asas leves Em nesga melodiosa De um verdor de faias e sombras incontáveis Celebra o verão em voz plena e fácil. Estrela brilhante Foste eu imóvel como tu, estrela brilhante Não suspenso da noite como uma solitária luz A contemplar com a pálpebra imortal aberta Longe da natureza, insone, impaciente As águas moveis na missão sacerdotal De abluir rodeando a terra o litoral humano Ou vendo a nova máscara da neve caída Sobre as montanhas, sobre os pântanos Não mas firme e imutável sempre descansando No seio que a amadurece em meu amor Para sentir e sempre o seu tranquilo arfar Desperto e sempre numa sublime inquietação Para seu meigo respirar ouvir E sempre assim viver ou morrer.

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