O cheiro do ralo -

    Lourenço Mutarelli

    Companhia das Letras
    2011
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9788535919189
    Português Brasileiro

    Uma narrativa vertiginosa das obsessões crescentes do cruel proprietário de uma loja de quinquilharias, que vive incomodado com o cheiro do ralo. O livro que deu origem ao filme de Heitor Dhalia, protagonizado por Selton Mello, ganha novíssima edição. O cheiro do ralo (2002), primeiro romance de Lourenço Mutarelli (que já era figura consagrada no mundo dos quadrinhos), chegou às livrarias revestido de lenda viva: ele o teria escrito em apenas cinco dias, durante um feriado de carnaval. Mito ou verdade, a linguagem do livro demonstra urgência incomum, correspondente ao seu curto período de composição. Apesar de ser uma narrativa introspectiva, a ação não cessa em nenhum momento dessa obra violentamente poética, que deu novo rumo à ficção brasileira contemporânea. O protagonista, proprietário de uma loja de quinquilharias, transforma o comércio em um sistema sádico para afligir seus clientes, tão desesperados quanto ele próprio. Obcecado pelo cheiro do ralo que vem dos fundos da loja e pela bunda da garçonete do bar onde almoça todos os dias, o narrador (um sósia do "moço que faz o comercial do Bombril") naufraga aos poucos em seus delírios. Entre a bunda e o ralo, não lhe resta saída que não seja ir para o buraco.

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    Joao Antonio12/01/2023Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Uma busca escatológica pela sua "Rosebud".

    Lourenço Mutarelli é uma das descobertas mais sensacionais que fiz recentemente (vergonhoso já que o cara tem uma carreira artística razoavelmente antiga). A minha experiência com HQs e livros com o autor, até o momento está fantástica. Dotado de um estilo que remete muito à literatura marginal com ecos de beatnik e de autores na linha Philip Roth e Paul Auster (esse eu nunca li, mas lendo entrevistas do auto, podemos entrever que Lourenço Mutarelli o adora. Inclusive o personagem principal o referencia no livro ) o autor consegue ter uma verve própria dentro de todas as influências que o compõem. Em o Cheiro do Ralo, o autor cria um personagem extremamente desagradável, mas fascinante. Um personagem vazio, cruel, indiferente e asqueroso, mas que desperta o nosso interesse para sua jornada em busca do seu "Rosebud". Por meio de uma narrativa afiada, ágil, certeira e por vezes escatológica (no sentido literal da palavra), o autor nos conduz em meio a uma série de eventos que vão desde situações tão insanas, que me tirou risadas, até ao niilismo total. A palavra que melhor encontro para resumir a sua narrativa é perversão. É o desvirtuamento de elementos que caracterizam uma jornada em busca dos seus objetivos. Um puro anti-romance.Tudo aqui é sujo, precário, perverso e a redenção que buscamos na narrativa nunca vem, o que faz com que nós leitores também sufoquemos com o cheiro do ralo.

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