Poucos autores tem a capacidade de ter dentro de sua alma o sumo da vida para transformar poesia em prosa. Wilson Bueno era um deles. Autor primaz e visceral, colocava em seus textos todo o cerne do seu ser em lamentos cheios de dor, amor e fúria.
Por um lado, fico feliz de que tenha descoberto esta obra maravilhosa deste poeta urbano. Por outro, me entristeço, por que como muitos, ele só levará as minhas palmas e a de muitos leitores após a sua morte.
Com Mano, a noite está velha (Planeta, 158 páginas), ele completa o nosso coração com toda a dor e saudade quando, velhos, fitamos o que vivemos.
Nesta obra póstuma, ele nos convida para sentar ao seu lado e, num texto extremamente autobiográfico, desfaz seus laços com a terra relatando suas experiências com todos os que o cercaram. Lembranças, medos, assombros, desejos, arrependimentos e mágoas desfilam pelos olhos do leitor numa prosa rica e lírica, que assombra e faz pensar.
Ao dedilhar o seu passado, presente e porque não futuro (não só o dele, mas o de cada um de nós) ao irmão já falecido, vivo apenas em suas lembranças, ele descreve como ninguém os arroubos da juventude e suas consequências na maturidade. Viajamos por amores cumpridos (ou não), erros e acertos e a solidão sábia e ocasionalmente cruel que só a velhice pode causar.
Veja resenha completa no Literatura de Cabeça:
http://bit.ly/pbW8nP