A necessidade de modernizar e civilizar a população durante o século XX tornava-se reconhecida pelo governo do Estado no antigo município de Cruzeiro-(SC). Criado em 25 de agosto de 1917, com extensão territorial de 7.680 Km² e situado à margem direita do rio do Peixe e da Ferrovia São Paulo-Rio Grande, o município de Cruzeiro (SC) sofreria transformações, ou seja, as "terras inaproveitadas" seriam colonizadas por migrantes e alvo de interesses mercantis. No entanto, na época o próprio governo Estadual afirmou não ter recursos financeiros suficientes para fazer frente a essa modernização. Assim, ocorreu então a atuação das companhias colonizadoras, que se apropriaram de grandes áreas de terra e colonizaram pequenos lotes destinados à agricultura familiar. Grande parte dessas terras foram vendidas a migrantes descendentes de italianos, alemães e poloneses (isso, por acreditar que estes eram civilizadores com visão progressista de trabalho e futuro). José Carlos Radin, em "Representações da Colonização", faz uma análise da atuação dessas companhias colonizadoras, evidenciando como aconteceu o processo de reconstrução e ocupação da região,e a conivência do poder público com os interesses do capital privado e os artifícios mobilizados para a venda dos lotes.