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    Perda total -

    Ivan Sant'Anna

    Objetiva
    2011
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9788539002597
    Português Brasileiro
    4.4
    436 avaliações
    Leram639Lendo38Querem320Relendo0Abandonos9Resenhas36
    Favoritos50Desejados320Avaliaram436

    Em cada avião, nos poucos segundos em que pilotos, copilotos e tripulantes se viram diante de seu maior desafio - a luta pela sobrevivência ?, a batalha já estava perdida. Ivan Sant'Anna, autor do impactante Caixa-preta, relata em Perda total os meandros dessas histórias, mesclando à narrativa o rigor técnico dos fatos apurados e o toque humano dos relatos sobre as vidas afetadas pela tragédia. "Meu relato é baseado nos laudos do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), em inquéritos das polícias estaduais e federal, nos processos que tramitam na Justiça e nas sentenças dos magistrados. Todo esse material, embora imenso, não seria suficiente para escrever este livro se eu não contasse com a colaboração de parentes das vitimas e com a ajuda de diversos pilotos comerciais (na ativa e aposentados), de peritos em desastres aéreos e de engenheiros aeronáuticos e projetistas de aviões", atesta Ivan em seu texto de introdução. Em 1996, o voo 402 decolou do aeroporto de Congonhas e em exatos 24 segundos caiu sobre o bairro residencial do Jabaquara, em São Paulo. Noventa e nove pessoas morreram. Algo impensável aconteceu no ano de 2006: um avião comercial e um jato executivo colidiram em pleno ar. Os sete ocupantes do Legacy conseguiram pousar, sãos e salvos. Mas o Boeing 737 enterrou no coração da selva amazônica mais de 150 vidas. Menos de dez meses depois, o voo 3054 protagonizou a maior tragédia da aviação comercial brasileira. Na aterrissagem, o Airbus varou a pista do aeroporto, saltou a avenida Washington Luís e se chocou contra um prédio. Uma catástrofe sem precedentes que deixou 199 mortos. Num meticuloso trabalho de pesquisa, Ivan Sant'Anna reconstitui, passo a passo, os eventos que levaram esses voos a um destino sinistro. O escritor recorre à técnica do jornalismo literário em que a informação precisa - essencial às grandes reportagens - ganha contorno humano, ao permitir que leitor tenha a dimensão do impacto emocional dos fatos relatados. Por três anos, o autor investigou as causas e as consequências desses acidentes. Mergulhou em arquivos, inquéritos, processos judiciais, relatórios, gravações das caixas-pretas. Ouviu os parentes das vítimas, pilotos comerciais, projetistas de aviões, engenheiros e peritos. Do embarque de cada passageiro até os momentos finais do voo, o autor reconstitui a movimentação na cabine, as ordens das torres de comando, as condições do tempo, da pista e do avião. O resultado é um texto direto e elucidativo, em que o escritor revive cada minuto da agonia dos que viveram ou acompanharam de perto essas tragédias.

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    Enderson Rafael15/07/2011Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma questão de referencial

    Ivan Sant'anna tem seu valor, um valor indelével. Talvez ele tenha, mais que qualquer outro, imputado em mim a paixão pela segurança de voo. Em mim e em muita, muita gente. São raros os meus colegas tripulantes que não tenham lido seu clássico "Caixa Preta". Mas "Perda Total" é um caso à parte. À exceção do TAM 402, o Gol 1907 e o TAM 3054 foram acidentes muito próximos de mim. No GTD, perdi colegas e vivi o luto de um empresa acostumada até ali a apenas boas notícias. Foi o momento em que tanto a Gol quanto seus funcionários cresceram, na marra, da noite pro dia. Lembro da lista pregada no vidro do d.o., do meu celular congestionado de ligações, da Mari, amiga e comissária da congênere, vir correndo no saguão de Guarulhos e me abraçar emocionada naquela noite dizendo "Que bom que não foi você!" Vítimas de um sistema polvilhado de falhas em que dois pilotos americanos displicentes foram o gatilho de uma tragédia, os ocupantes do 1907 são lembrados no livro com a atenção de sempre. No entanto, como eu estudei muito este acidente e vivo o cotidiano das operações da companhia, é impossível não perceber alguns floreios desnecessários ou mesmo informações imprecisas (cujas correções eu sugeriria honrado para uma próxima edição). Detalhes, que não tiram o valor da narrativa rica do autor. É o estilo de Ivan. Uma das minhas grandes surpresas deste trecho é a descrição, de Ivan, sobre o bate-volta Porto Alegre, bate-volta Goiânia que Décio e Thiago, pilotos do 1907, fizeram uma semana antes do acidente: eu fiz aquele voo com eles e relembrar aquela jornada foi doído. Como contei para o autor por estes dias, Nerisvan, um dos comissários do 1907, havia começado a ler "Plano de Ataque" - livro anterior de Sant'Anna sobre o 11 de setembro - poucos dias antes do acidente, e é bem plausível que um exemplar do livro estivesse a bordo do Boeing. Vale ressaltar o ótimo apanhado de colisões no ar antes do Legacy e do GTD e a demonstração contundente de que nosso controle de tráfego aéreo está muito aquém do que precisamos, e foi o grande responsável pelo ocorrido (os pilotos do Legacy são menos culpados do que a opinião pública leiga costuma achar). Coisa parecida sinto em relação ao TAM 3054. Eu, que entendo muito de Boeing 737, tive que aprender bastante de A320. A chuvosa e fria noite de 17 de julho de 2007 é, para mim, tão inesquecível quanto a longa noite sem notícias de 29 de setembro de 2006. Mas ao contrário do Gol, que despencou abatido sobre a floresta, longe da vista de todos, e hoje em dia só sabemos que passamos por ele pelos fixos NABOL e TERES nas telas de navegação de nossos aviões, o TAM desapareceu no prédio em frente ao meu, quando eu estava em casa. A descrição do barulho por Ivan foi precisa: "tuf". Um saco de batata, um baque seco. Foi isso que se seguiu ao esganiçado dos motores do Airbus. Lembro da luz laranja e quente iluminar o rosto hipnotizado da Vê quando afastei a cortina e vimos, a menos de 50 metros, um enorme cogumelo de fogo erguer-se do outro lado da rua. Sobre a teoria, na qual muitos pilotos de A320 acreditam, de que o computador da aeronave mandou a informação errada para o motor direito, Ivan não diz nada. Fica até a impressão de que, após o pouso, a tragédia era mesmo inevitável. É um acidente elucidado em parte, numa pista que guarda mais tragédias pro futuro próximo. Pouco mudou no Congonhas de hoje para o Congonhas daquele dia. O relato do 402, por ser o que menos tive contato - ainda estava no colégio e bem longe ainda da aviação naquela época - foi o que mais me agradou. Além do que é um caso realmente interessante, o qual ele linkou de forma pertinente com o misterioso Lauda Air, Ivan explica bem o funcionamento do reverso do Fokker. Curioso que nos dois acidentes, um sistema que serve apenas de auxílio à frenagem (os pousos são calculados para darem certo sem eles) tenha sido protagonista. Enfim, "Perda Total" deixa um gostinho de "poderia ser melhor". É muito bom, mas não alcança o "Caixa Preta". Ou talvez, o leitor do "Caixa Preta", um menino apaixonado por aviões que estava fazendo curso de comissário, seja muito diferente do chefe de cabine com 5mil horas de voo, elemento credenciado pelo CENIPA e autor de dois livros publicados, além de uma outra ficção inédita ("Três Céus") sobre aviação, e que leu o "Perda Total" em apenas dois dias.

    19 curtidas

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    4.4 / 436
    • 5 estrelas49%
    • 4 estrelas37%
    • 3 estrelas12%
    • 2 estrelas1%
    • 1 estrelas1%
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    Ivan Sant'Anna

    Diplomado em mercado de capitais pela Universidade de Nova Iorque, trabalhou durante 37 anos nos mercados financeiros brasileiro e estadunidense, como corretor das bolsas de Nova Iorque e Chicago. Foi dono de corretora e sócio de um banco. Experimentou na pele as sensações de ser um dos mercadores da noite. Chegou a ter o correspondente a cinco milhões de dólares depositados em sua conta bancária. Piloto amador, sempre foi fascinado por aviões, e decidiu dedicar três anos de sua vida para pesquisar tudo o que aconteceu nos vôos de 11 de setembro de 2001. Também é autor de livros de sucesso como Rapina e Caixa-Preta, sobre grandes acidentes ocorridos no Brasil.

    14 Livros
    78 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Ivan Sant'Anna