Tinhorão - O Legendário

    Elizabeth Lorenzotti

    Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
    2010
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-13: 9788570607355
    Português Brasileiro

    José Ramos Tinhorão começou a escrever sobre Cultura em 1961, no Jornal do Brasil, quando recebeu a tarefa de produzir uma série sobre música popular brasileira. Entre muitas investigações e pesquisas do efervescente momento cultural, colocou à prova verdades sacramentadas sobre a música, provocou polêmicas, conquistou apoios e muitos inimigos. Essa e muitas outras histórias sobre sua trajetória profissional, contextualizadas nos bastidores do jornalismo brasileiro nas décadas de 60 e 70, principalmente, estão no livro Tinhorão: O Legendário, da coleção Imprensa em Pauta. A biografia, escrita pela jornalista Elizabeth Lorenzotti, mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP) e doutoranda em Literatura Brasileira pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas pela mesma instituição, resgata fatos históricos de várias épocas. Tinhorão começou a escrever textos-legendas no histórico Diário Carioca dos anos 50. Fez carreira na humilde função de copidesque (redator), como ele mesmo classifica, em veículos como Jornal do Brasil, Correio da Manhã, O Cruzeiro, O Jornal, Última Hora e Veja (neste último veículo, integrou a primeira equipe, em 1968), além do próprio Diário, sua porta de entrada na profissão. As pesquisas na área musical o levaram pelo caminho da crítica, pautada principalmente pelo seu espírito nacionalista. Tinhorão, nas palavras da autora, sempre nadou contra a corrente: em suas colunas, contrariou o senso comum sobre a música popular. Entre suas descobertas, escreveu que a Bossa Nova é uma variante americana do samba, tão brasileira como um carro montado no Brasil ele também satirizava o fato de diversos artistas reivindicarem a paternidade deste estilo musical. Demonstrou ainda que o samba nasceu no Rio de Janeiro, e não na Bahia, como se acreditava. Era rigoroso e, muitas vezes, irônico nas críticas à indústria cultural e a artistas. Diversos artigos causaram reações furiosas. Alguns deles, não só os polêmicos como os engraçados, estão no livro.

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    Mapa Mundi Livros23/03/2021Resenhou um livro
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    Essa é a minha paixão

    Vocês já perceberam que o meu entusiasmo é o samba, desde sempre. Nascido em Madureira, Portelense, frequentador da quadra, vivi muitas experiências quase que etéreas. O samba é etéreo. As músicas são partes aprimoradas de renascimento e devoção. Como dizia João Nogueira: “Ninguém faz samba só porque prefere, força nenhuma no mundo interfere sobre o poder da criação...”. Sendo assim, procuro os textos que me descortinem esse universo, ainda que transverso. É o caso de “Tinhorão, o Legendário”. É uma biografia, não resta dúvida. Fiquei pensando: “ler ou não ler, eis o Tinhorão”. Li. E por que li? Eu costumo ir ao índice para me resguardar de futuras decepções. Eis que encontro referências a Clementina de Jesus, Clara Nunes, Nélson Cavaquinho, Pixinguinha e Cartola! Como recusar um texto com esses personagens? Impossível. Sei que Tinhorão foi (é) muito controverso em suas posições sobre a Musica Brasileira, mas seus textos nos fazem pensar...e no final-das-contas é isso que importa. Não temos que concordar com tudo. Temos é que pensar e emitir nossa opinião. E viva o Samba! PS: o exemplar está autografado pela autora Elizabeth Lorenzotti e pelo próprio biografado José Ramos Tinhorão. É a glória!

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