O Esquizoide - Coração na Boca

    Rodrigo de Souza Leão

    Record
    2011
    77 páginas
    2h 34m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Rodrigo de Souza Leão não tem medo de enfrentar (com urgência e coragem) seus demônios. Pelo contrário, os transforma em aliados. Morto prematuramente em julho de 2009, aos 43 anos, em uma clínica psiquiátrica, o escritor, jornalista, músico e pintor carioca conviveu com a esquizofrenia por mais de 20 anos. O que não o impediu — muito pelo contrário — de produzir intensamente, principalmente no mundo virtual, onde publicou uma série de e-books e blogs. As raras lucidez e consciência sobre sua própria condição são evidenciadas em O esquizoide: Coração na boca, texto inédito de Rodrigo organizado pelo poeta e jornalista Ramon Mello, curador de sua obra. A começar pelo título — um rótulo que o autor faz questão de grudar e desgrudar na própria face. Escrito em 2003, o romance chega agora às livrarias, atendendo a um pedido do próprio autor à amiga e poeta Silvana Guimarães (que assina a apresentação do livro), de que fosse publicado somente após sua morte. Como é característico em toda sua obra — assim como em Me roubaram uns dias contados, último romance do autor, publicado no ano passado pela Record — O esquizoide é, ao mesmo tempo, absolutamente ficcional, mas com altas doses autobiográficas. Um misto de diário, romance, novela, depoimento, fábula, que amontoa delírio e lucidez, melancolia e resistência, solidão. Rodrigo revela sua condição para, em seguida, negá-la. O autor compreendeu que, ao apropriar-se dos estigmas que rondam sua existência, pode lidar com seus limites e, ainda, com o preconceito dos ignorantes. Marcado por suas internações, o texto dialoga diretamente com Todos os cachorros são azuis, romance de estréia do autor que foi finalista do prêmio Portugal Telecom em 2009 e ganha agora uma adaptação para o teatro, idealizada por Ramon Mello (que também atua no espetáculo) e dirigida por Michel Bercovitch. Com propriedade de quem conheceu os meandros da clausura em seus dias contados, Rodrigo mostra neste livro que é reducionista aprisioná-lo numa palavra. O poeta, que canta sua prisão para falar de liberdade, alerta que é melhor o conhecer “pelas atitudes do que pelo cantar esquizofrênico”. Numa narrativa surpreendentemente simples e leve, apesar de todo o peso que carrega, Rodrigo faz um relato consciente — e até político — de sua condição de esquizofrênico e de seu papel de escritor. Ele usa a palavra como arma para encarar a própria dor e, por conseqüência, diminuir o sofrimento de seus pares, com uma generosidade que o motivava a se expor por inteiro e desarmado, e lutar pela humanização do tratamento psiquiátrico.

    Resenhas (8)Ver mais
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    danielle05/07/2021Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    um viva a literatura brasileira!

    Esse é um livro meio autobiográfico meio fictício e que sabor brasillll!!! Eu não poderia estar mais orgulhosa dessa preciosidade ser aqui do nosso país. Escrito no começo dos anos 2000 esse livro entrega tudo que o povo gosta (aka muita treta familiar, desculpa familiares) além da reflexão e pensamentos acerca das pessoas com síndromes e transtornos mentais presentes até nos dias de hoje. Triste ver como pouca coisa mudou passados 20 anos. é um livro com menos de 100 páginas que te desperta todos os sentimentos possíveis além de muitas frases boas pro face (brinks). Uma hora vc ta com triste e com pena de joao na outra rachando os bicos das piadocas e descrições sem contar chorar muito com sua(s) passagem(ns) no hospício. mas sério, por muitas vezes parecia que Rodrigo so escrevia e machado de assis mandava, a narrativa da história, o tom seco e sarcástico me lembrou o machadao. tudo isso soma-se o ainda atual debate: há manicômios humanizados? ou prender um ser humano e privalo de contato não poderia jamais ser humanizado? vc é gigante rodrigo!

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