Descascando A Cebola - Autobiografia 1939 - 1959

    Günter Grass

    Casa das Letras
    2007
    384 páginas
    12h 48m
    ISBN-13: 9789724617350
    Português

    A autobiografia do Prémio Nobel da Literatura 1999. «Quando é importunada com perguntas, a recordação assemelha-se a uma cebola, que quer ser descascada, para que possa vir à luz aquilo que é legível, letra a letra: raramente de forma unívoca, muitas vezes como escrita em espelho. A cebola tem muitas camadas. Mal é descascada, renova-se. Cortada, provoca lágrimas. Só ao descascá-la fala verdade. O que aconteceu antes e depois do fim da minha infância, bate à porta com factos e decorreu pior do que o desejado, quer ser contado às vezes assim, outras de maneira diferente e desencaminha para histórias de mentira.» Descascando a Cebola, a polémica autobiografia de Günter Grass, aborda a vida do escritor entre 1939 e 1959. Começa quando, ao completar 12 anos, a Alemanha entra em guerra. Confessa ter integrado as Waffen-SS quando a guerra já estava perdida para a Alemanha, mas o delírio ainda fazia supor outro destino para o seu povo e país. Grass relembra também a sua adolescência na destruída Alemanha do pós-guerra, a fome e as privações, o seu trabalho como mineiro e a decisão de exilar-se em Paris onde escreveu O Tambor, a obra que lhe deu notoriedade internacional e permitiu que recuperasse a auto-estima após a derrota. Descascando a Cebola pode ser lido, também, como um relato trágico de uma época de barbáries, que aflora a partir de uma história pessoal e em que convive, ainda que com dor, o renascimento de uma Europa diferente, que voltava a viver depois dos bombardeios e das batalhas. «Descascando a Cebola é a tentativa de redescobrir um jovem que hoje me é estranho e de questionar o meu comportamento em determinadas situações.» «Não sabia nada dos crimes de guerra que mais tarde vieram à luz, mas a afirmação da minha ignorância não pode ocultar a consciência de haver estado integrado num sistema que planificou, organizou e executou o extermínio de milhões de pessoas.»

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    Lucas Aparecido Mota05/09/2023Resenhou um livro
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    Alegórico demais

    De início, é importante ressaltar que li esse livro em uma tradução para o português lusitano. Parece bobeira, mas traduzir do alemão para o português brasileiro é tarefa árdua, no lusitano, então, parece que piorou. Talvez por isso, as peripécias de Mahlke não tenham me chamado tanto a atenção. Em suma, achei um livro insosso, muito alegórico e de difícil leitura. Custa para entender algumas ironias e metáforas do autor... ou talvez me falte maturidade intelectual para compreendê-la também, vai saber... A história se passa em 1959, com Pilenz, o nosso narrador/não narrador contando a história de como conheceu Mahlke, na cidade-livre de Danzig, durante a segunda guerra mundial. Entre momentos de amizade e momentos de distanciamento, conhecemos um personagem que tem o pomo-de-Adão gigantesco como sua marca, além de sua devoção à Virgem Maria e outros trejeitos que tornam Mahlke um cara caricato. Conhecemos um pouco de sua trajetória no Liceu, onde estudava com o narrador/não narrador e alguns outros personagens que surgem nesse período. Vemos a ascensão do discurso nazista e a ida do jovem para a guerra, que lhe causará, quiçá, alguns traumas cuja cura talvez apenas se consuma ao reviver seus longos mergulhos em um draga-minas polonês abandonado, por onde gostava de mergulhar e buscar relíquias. Sendo honesto, acredito que a tradução colaborou para não gostar desta obra. Mahlke e Pilenz são bons personagens, até o padre também tem lá sua importância (e rende um trecho maravilhoso de Pilenz sobre sua mão ligeira), porém, em suma, o livro acaba se tornando desgastante, ainda que curto (pouco mais de 150 pg). Não recomendo para um iniciante na leitura, é bem difícil de compreender tudo que Grass escreveu. Leria de novo? Talvez, em uma década, quem sabe até lá amadureço mais. Leria outro de Grass? Com certeza. Um vencedor do Nobel deve ser lido, ainda que minha opinião pouco se valha frente a de seus contemporâneos que lhe laurearam.

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