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    Avalovara -

    Osman Lins

    Companhia das Letras
    2005
    384 páginas
    12h 48m
    ISBN-10: 8535906290
    Português Brasileiro
    4.2
    136 avaliações
    Leram215Lendo39Querem632Relendo5Abandonos37Resenhas8
    Favoritos35Desejados632Avaliaram136

    Avalovara, clássico da literatura contemporânea e obra máxima de Osman Lins, ganha nova edição mais de trinta anos após seu lançamento. Um mergulho no cerne da linguagem, atravessando tempos e espaços distintos. Este romance de 1973 assinala o ápice do percurso literário do pernambucano Osman Lins. Tendo como ponto de partida a intersecção entre uma espiral e um quadrado, nos quais se inscreve uma curiosa frase em latim, o romance cria uma intrincada trama de texto e mundo, em que a imagem dos nomes sobrepõe-se à imagem dos seres e das coisas, compondo um terceiro destino que cabe necessariamente ao homem decifrar. Avalovara intercala oito temas narrativos que atravessam tempos e espaços distintos, de Amsterdã a Recife, de Recife à Roma Antiga, daí a São Paulo e vice-versa, numa narrativa notável, que ambiciona abarcar o mundo e a linguagem em sua totalidade. Neste mergulho no cerne da linguagem, o ritmo poético precede e ordena os nexos narrativos, num casamento entre prosa e poesia que marcou o romance brasileiro contemporâneo. Avalovara representa na literatura brasileira atual um momento de decisiva modernidade, porque o Autor (como diz a certa altura) exerce "uma vigilância constante sobre o seu romance, integrando-o num rigor só outorgado, via de regra, a algumas formas poéticas", do prefácio de Antônio Candido

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    Resenhas (8)Ver mais
    Luiz Gustavo picture
    Luiz Gustavo05/12/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Osman Lins não é muito conhecido fora do meio acadêmico, e isso se deve ao refinamento e à complexidade de seu trabalho literário. Eu ouvia muito o nome dele nos corredores da faculdade durante a graduação, e havia sempre um tom de receio e assombro quando as pessoas falavam sobre ele e sua obra, o que acabou me deixando com medo e me fez evitar encará-lo o quanto pude. Contudo, não tive como fugir dele no mestrado, pois "Avalovara" estava na lista de leituras da última disciplina que cursei. Reuni minhas forças, enfrentei o livro, e, de algum modo, consegui lê-lo. O que posso dizer? Osman Lins era um gênio e um monstro (gênio monstruoso e/ou monstro genial). Todos os elementos do romance são impressionantes: a (meta)linguagem, a narração, as metáforas, as referências, os tempos, espaços, personagens, temas abordados, símbolos utilizados... Praticamente TUDO está de alguma forma presente no romance. O que mais impressiona no livro é, sem dúvidas, a construção da narrativa, perfeitamente geométrica, elaborada a partir de um poema místico em latim (que é também um palíndromo), um quadrado (composto por 25 outros quadrados) e uma espiral que percorre todo o quadrado maior. Sei que isso parece não fazer nenhum sentido, mas acredite: há uma lógica por trás de tudo, e é preciso ler o livro para entendê-la. O romance é fragmentado e possui 8 linhas narrativas que se alternam entre si e evoluem progressivamente com o avançar das páginas, tendo como eixo-central a relação do protagonista, Abel, com três mulheres; e o próprio processo de criação literária, suas dificuldades e possibilidades. Sem dúvidas foi o livro mais difícil que já li, mas também o mais impressionante e genial. Não é, de forma nenhuma, uma leitura fácil, mas é uma que vale a pena ser feita pelo menos uma vez na vida.

    8 curtidas

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    Avaliações

    4.2 / 136
    • 5 estrelas60%
    • 4 estrelas21%
    • 3 estrelas10%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas4%
    Osman da Costa Lins profile picture

    Osman da Costa Lins

    Aos 16 dias de nascimento, Osman Lins perdeu a mãe. Sem lembrança visual da mãe ou fotografia dela, sua obra - de algum modo - traz esse traço biográfico: o de tentar reconstituir o rosto de alguém muito amado, porém desconhecido. A educação primária foi feita entre 1932 e 1935, no Colégio Santo Antão. O ginásio foi feito entre 1936 e 1940 no Colégio Vitória. Em 1941 transfere-se para Recife e inicia sua atividade profissional como escriturário na secretaria do colégio. É dessa mesma época - nos jornais da capital - que aparecem as primeiras histórias do escritor ("Menino Mau","Fantasmas", etc.). Em 1943, por concurso, vai trabalhar no Banco do Brasil e, entre 1944 - 1946, realiza o curso de Finanças pela Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Recife. Entre 1947 e 1953 casa-se e tem 3 filhas: Litânia, Letícia e Ângela. Seu reconhecimento público veio com o livro "O Visitante" (1955). Em 1957 publica "Os Gestos" (contos) e "O Vale sem Sol"(teatro). Em 1960 conclui o curso de Dramaturgia na Universidade do Recife e, em seguida, vai para a Europa, através de uma bolsa de estudos oferecida pela Aliança Francesa. Nesse período (1961) sua peça teatral "Lisbela e o Prisioneiro" estreia no Rio de Janeiro e o romance "O Fiel e a Pedra" é publicado. Em 1963 publica "Marinheiro de Primeira Viagem" e, em 1966 publica os contos de "Nove, Novena" (livro considerado seu divisor de águas, quanto a sua poética) e, em 1973 aparece o exuberante "Avalovara". Seu último livro, "A Rainha dos Cárceres da Grécia", é publicado em 1976. O escritor falece dois anos depois, em 1978.

    31 Livros
    39 Seguidores
    Pernambuco, Brasil

    Osman da Costa Lins