Histórias de cronópios e de famas é o primeiro livro que leio do Julio Cortázar e, por mais que seja um livro curto, a cada parte lida (pode ser dividido em quatro partes) é preciso parar e pensar sobre a mensagem contida. Algumas por um bom tempo.
Das histórias que apresenta, antes do desfecho, chamou a minha atenção as instruções para se fazer coisas que fazemos no dia a dia - ou deveríamos fazer - e nem nos damos por conta, a forma como tratamos o tempo, os medos cotidianos, a necessidade de aprender a ver beleza mesmo nos piores momentos, a descrição da vida como uma sucessão de coincidências e o valor da escrita/leitura/interpretação para o início/fim do mundo.
Ao final, o autor fala de três tipos de seres estranhos (espécie de micróbios flutuando no ar): os cronópios (desorganizados/contraditórios/despreocupados/inconsequentes/hedonistas/vaidosos), os famas (pessimistas/organizados/meticulosos/calculistas, porém descuidados e distraídos/compulsivos/obsessivos/libidinosos/inseguros/autoritários) e as esperanças (sedentárias/acomodadas/conformistas).
Cada um pode interpretá-los ao seu modo, mas eu vejo características que se sobressaem - mais ou menos - em cada um de nós, dando uma explicação cheia de fantasia - e ao mesmo tempo tão real e poética - a quem nós somos e como nos relacionamos com o nosso universo (e isso inclui a nossa relação uns com os outros), sobretudo nós, latino-americanos.