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    O Dossiê Odessa -

    Frederick Forsyth

    Record
    1997
    274 páginas
    9h 8m
    ISBN-10: 8501001449
    Português Brasileiro
    4.5
    9 avaliações
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    Sinopse - O Dossiê Odessa - Frederick Forsyth No início da primavera de 1964, um pacote de documentos secretos chega, de forma inesperada e por mãos anônimas, ao Ministério da Justiça em Bonn. Esses papéis ficaram conhecidos pelo nome de Dossiê Odessa - Organização dos Ex-Elementos das SS - sigla de uma organização clandestina destinada a cuidar da segurança de ex-oficiais nazistas. Um jovem repórter decide, corajosamente, investigar sozinho a verdade e tentar a punição dos criminosos de guerra, sendo levado, em meio a uma intriga apaixonante, a lembrar-se dos anos sombrios da Segunda Guerra, da loucura bestial que conduziu ao genocídio de catorze milhões de pessoas. O Dossiê Odessa - Frederick Forsyth

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    Ferdinando Casagrande picture
    Ferdinando Casagrande16/07/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um subversão aos cânones da escrita criativa

    Além de ser um baita thriller de espionagem, no melhor estilo Frederick Forsyth, O Dossiê Odessa é também uma aula de como subverter alguns dos cânones da escrita criativa, sem no entanto abandoná-los por completo. Eu consegui identificar a manipulação muito inteligente, e com bons resultados, de pelo menos três pilares consagrados dos bons thrillers. Antes de entrar na análise técnica, vamos conhecer melhor a trama. A trama - A história começa em novembro de 1963, no dia do assassinato do presidente norte-americano John Fitzgerald Kennedy. Peter Miller é um jovem alemão que trabalha como repórter frilancer em Hamburgo. Aos 29 anos de idade, ele vive com a namorada – a dançarina de strip-tease Sigi – num belo apartamento e se desloca pelas ruas num possante Jaguar XK 150 S, um carro esportivo inglês fabricado em 1960, pintado na cor preta, com uma faixa amarela na laterial. Em outras palavras, Miller é um playboy. Mas essa situação está prestes a mudar. O Jaguar 1960 semelhante ao de Peter Miller, protagonista da história. No dia em que ouve pelo rádio a notícia do assassinato de Kennedy, ele está na estrada voltando de uma visita à mãe. Ele para seu carro no acostamento para ouvir mais detalhes e, por esse detalhe fortuito, acaba vendo uma ambulância que se desloca em velocidade, com as sirenes abertas, para atender uma ocorrência. Como repórter frilancer, Miller decide seguir a ambulância. Talvez o leve a uma grande história. Ao chegar ao local, porém, descobre que era apenas um suicídio de um homem velho e solitário. Por outra dessas coincidências, o policial que atende o caso é um conhecido de Miller, que afinal cobria a área policial como repórter. Alguns dias depois, o investigador entrega a ele um diário que foi encontrado ao lado do morto. O suicida se chamava Salomon Tauber, era um judeu alemão, sobrevivente do Gueto de Riga, e narra no diário as atrocidades por que passou. Lá ele explica o motivo de se ter suicidado: alguns dias antes, viu na rua, em Hamburgo, andando livremente, o homem responsável pelo assassinato de 80 mil judeus no campo em que ele esteve. Conhecido como "açougueiro de Riga", Eduard Roschmann havia desaparecido ao final da guerra e agora Tauber o vira saindo de um teatro, bem vestido, próspero e livre. Miller, então, decide encontrar Roschmann para transformar a história numa reportagem. As personagens - A principal personagem que nos guia pela caçada é o repórter Peter Miller. Em sua busca, ele acaba cruzando o caminho de várias personagens secundárias que o ajudam – ou o atrapalham, dependendo do lado em que se encontram –, mas não há uma segunda protagonista. O grande vilão é a Odessa, organização formada ao final da Segunda Guerra Mundial para proteger ex-membros e oficiais das SS e ajudá-los a escapar às responsabilidaes pelos crimes que praticaram. Roschmann, em si, é um vilão de certa forma onipresente. Encontrá-lo é o desejo de Miller, mas ele não aparece em situações do tempo presente na maior parte do livro. Quando descobre o interesse de Miller em encontrar Roschmann, a Odessa começa a se movimentar para tentar impedi-lo e aí entram em cena alguns coadjuvantes de vilania que tentarão pará-lo a qualquer custo. A busca de Miller também acaba despertando a atenção do Mossad, o serviço secreto israelense, que entra em campo como um aliado coadjuvante. O Mossad está interessado na Odessa porque descobriu que seus membros estão ajudando o Egito a recrutar cientistas alemães para desenvolver mísseis teleguiados capazes de atinger Israel com ogivas químicas e biológicas. Apesar das manobras dessas duas forças antagonistas, Miller meio que segue seu caminho solo. Ele ignora as ameaças, aceita alguma ajuda dos judeus para tentar se infiltrar na Odessa, mas não forma uma aliança com eles. Como diz em certo ponto do livro, seu interesse é em encontrar Roschmann. Ele não está nem aí para os foguetes egípcios. A necessidade de Miller - Em quaquer história, contada na forma de livro ou de roteiro, é meio consenso que uma boa personagem precisa ter um desejo que move a trama, e uma necessidade psicológica mais ampla, que vai ajudar a justificar esse desejo. Forsyth manipula esse ponto de maneira magistral. O desejo que move Peter Miller é cristalino desde o início: encontrar um criminoso de guerra que circula livremente por seu país. Mas por que ele quer achar esse homem? Essa é uma pergunta que todas as coadjuvantes a quem ele pede ajuda lhe fazem, e ele nunca responde. Ele poderia alegar que daria uma ótima reportagem, mas esse motivo cai por terra logo no início, quando o editor na revista para quem ele tenta vender a história rejeita a empreitada. O homem o alerta de que a Alemanha não quer mais saber de histórias do tempo da guerra. Ninguém quer se defrontar com fantasmas do passado, especialmente o de um homem que matou 80 mil judeus que eram, em sua maioria, alemães. A mãe dele também tenta dissuadi-lo, a polícia, os promotores que deveriam investigar o caso... Ninguém parece interessado no açougueiro de Riga, além de Peter Miller. E dos israelenses, claro. Na verdade, Miller tem uma necessidade oculta, que Forsyth mantém meio escondida do leitor até o penúltimo capítulo. Para continuar lendo esta resenha, visite o Spy Books Brasil. Lá você vai saber como Forsyth subverte outros dois pilares dos bons thrillers de espionagem. Confira.

    8 curtidas

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    Frederick Forsyth profile picture

    Frederick Forsyth

    Piloto, agente secreto, jornalista e escritor, Frederick Forsyth foi educado na Tondridge School, e depois na Universidade de Granada, na Espanha. Aos 19 anos, começou a servir a RAF (Royal Air Force) como um dos mais jovens pilotos, tendo servido até 1958. Depois começou a trabalhar no Eastern Daily Press como repórter. Em 1961, se tornou correspondente da Reuters em Paris. Trabalhou também na Alemanha Oriental e na Tchecoslováquia. Retornando a Londres em 1965, trabalhou como repórter de rádio e televisão na BBC, o que lhe proporcionou a oportunidade de conhecer a fundo os grandes dramas da política internacional. Essa experiência no jornalismo o ensinou a ser minucioso e preocupado com as verdades históricas. Utilizando o trabalho de correspondente diplomático assistente, cobriu o lado biafrense da guerra entre a Nigéria e Biafra de julho a setembro de 1967, além de iniciar suas tarefas como espião britânico, confirmadas pelo próprio autor em sua autobiografia. Foi este trabalho e a pesquisa relacionada que interessaram a ele como verdade histórica. Em 1968, deixou a BBC para retornar para Biafra e cobriu a guerra, primeiro como freelance e depois para o Daily Express e para a revista Time. Em 1969, Forsyth escreveu A História De Biafra: O Nascimento de um Mito Africano sendo que a maior parte do livro foi escrita durante o mês de janeiro de 1969, e sobre o evento, o autor declarou: "Nada pode nem jamais poderá atenuar a injustiça e a brutalidade perpetradas contra o povo biafrense, nada pode nem jamais poderá atenuar a indignidade da participação ativa, embora indireta, de um governo britânico..." "Os vitoriosos escrevem a história e os biafrenses perdem. A conveniência muda as opiniões... e a recordação de Biafra e do que lá se perpetrou permanecem inconvenientes para muita gente." Em 1970, após nove anos de intensa carreira jornalística, Forsyth decidiu escrever um livro onde poria à prova os métodos de investigação da carreira de repórter e de agente secreto. Escolheu um tema romanesco e de certo modo misterioso: as tentativas da extrema direita francesa de assassinar o General Charles De Gaulle, presenciadas por Forsyth em 1962 em Paris. Nasceria assim, o primeiro de sua longa lista de sucessos: O Dia do Chacal. Confirmando as suspeitas de muitos fãs de seus romances de espionagem, em 2015 Forsyth reconheceu em sua autobiografia que trabalhou como espião do serviço de Inteligência Exterior do Reino Unido, o MI6, durante duas décadas­­. Suas andanças como espião começaram durante a guerra de Biafra (Nigéria), de 1967 a 1970, quando agentes de inteligência se aproximaram “para ver se podia contar o que estava acontecendo”, segundo relata Forsyth. “No último ano da guerra mandei tanto notícias aos veículos de comunicação como informes adicionais a meu novo amigo”, conta. Forsyth aceitou comprovar para o MI6 se, ao contrário do que dizia o próprio Ministério de Relações Exteriores do Reino Unido, “estavam morrendo crianças pelas mãos da ditadura de Lagos”, de acordo com a BBC. O romancista diz que não cobrou honorários por esse trabalho específico. “Tratava-se de um ato voluntário em um ambiente que era, naquela época, muito diferente, com a Guerra Fria a todo vapor”, afirmou o escritor. Que, no entanto, recebeu como contrapartida o consentimento do MI6 para introduzir suas experiências reais como espião em seus livros. “Me diziam para mandar as páginas para eles para que aprovassem ou censurassem. De forma geral a resposta era ‘OK, Freddie!’”, afirma Forsyth. Em "O quarto protocolo" omitiu como detonar uma arma nuclear, após a revisão do original pelo MI6. "Não queriam que ninguém fizesse aquilo.", explicou. Forsyth permaneceu trabalhando para o MI6 até pelo menos o ano de 1987. A lista de thrillers que escreveu após o grande sucesso de O Dia do Chacal o tornou um best-seller internacionalmente reconhecido. Especializou-se em romances envolvendo espionagem e política internacional. Com O Fantasma de Manhattan, flertou com romances de suspense, mas o resultado foi decepcionante para seus antigos leitores. Estão entre seus grandes livros os romances A Alternativa do Diabo, Dossiê Odessa e O Quarto Protocolo, Frederick Forsyth fala francês, alemão e espanhol fluentes, e viajou por toda a Europa, Oriente Médio e África, e estas experiências podem ser vistas na autenticidade dos seus livros. Em 10 de setembro de 2015, a autobiografia de Forsyth, 'The Outsider: minha vida em intrigas', foi publicada. Em 2016, Frederick Forsyth revelou que vai parar de escrever ficção porque sua mulher o considera muito velho para viajar pelo mundo atrás de informações. "Estou cansado e não posso ficar em meu escritório para escrever romances", disse o autor. Após sua última viagem à Somália para obter informações para o livro "A lista", Forsyth conta que sua esposa afirmou: "Você está muito velho, estes locais são muito perigosos e você não corre tão rápido como antes". Forsyth, que sempre utilizou máquina de escrever, disse que tentou pesquisar informações sobre a Somália na internet, mas que ficou muito "insatisfeito" com os resultados.

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