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    Gran cabaret demenzial -

    Veronica Stigger

    Cosac Naify
    2007
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788575035832
    Português Brasileiro
    3.3
    116 avaliações
    Leram172Lendo3Querem81Relendo0Abandonos6Resenhas8
    Favoritos8Desejados81Avaliaram116

    A narrativa provocante e perturbadora de Gran cabaret demenzial, o segundo livro da contista gaúcha Veronica Stigger, revela um erotismo quase escatológico, além da ironia que trata acontecimentos violentos com distanciamento patético e humor corrosivo. Domitila, personagem do primeiro conto, segue tranquilamente sua rotina, mesmo depois de perder dois dedos ao batê-los num poste, quebrar o antebraço num outro acidente e perder o braço ao tentar dar um tapa numa árvore. Em outro conto, Cubículo, o absurdo é um casal que mantém sua preocupação com o espaço para os livros ao se mudar de um apartamento para um banheiro, e do banheiro para uma privada, e da privada para um intestino. A autora escreveu seus livros concomitantemente às pesquisas que realizou para seu doutorado em história da arte, no qual analisa as relações entre arte, mito e rito na modernidade. O projeto gráfico tem participação do artista plástico Eduardo Verderame. Nele, alternam-se dois temas: o corpo e a cidade. Impresso em duas cores, a edição traduz a diversidade dos temas e as gradações dos tons da narrativa. Um livro cheio de surpresas, como o texto de sua autora.

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    Resenhas (8)Ver mais
    Nádia Camuça picture
    Nádia Camuça03/09/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Um espelho no cu

    Finalmente uma ~~resenha~~ de Gran Cabaret Demenzial (vou abreviar como GCD), da Veronica Sitgger. Provocante, perturbador, esquisito, de "péssimo gosto", "pior leitura da vida", etc, essas são algumas palavras e frases que vejo relacionadas ao GCD, e acho que pode ser tudo isso mesmo. Com certeza agradar não deve ter sido um dos objetivos de Stigger com esse livro, então não espere ter seu senso do sublime e belo amaciado, porque não é aqui o lugar, mas com certeza Veronica Stigger com seu estilo non sense ao extremo causa um rebuliço na literatura do bom senso e do bem. São 19 narrativas de formas diversas, umas são contos, outra é uma peça, alguns são só frases. Pra mim a autora segue algo que acredito muito sobre como devemos encarar a literatura hoje: novos conteúdos pedem novas formas. Não, você não vai conseguir fazer uma síntese lógica de nenhuma parte do livro. É que uma mulher se despedaça inteira com o namorado. Uma mulher é engolida pela escada rolante enquanto o marido acena para ela. Morte banais, mundo banal. Um casal que mora no estomago de um amigo. Uma minhoca do quintal que domina uma casa inteira. Uma família racista e hipócrita num casamento. As histórias de Voronica alcançam um nível de imaginação que eu nunca antes tinha visto. Os leitores desse livro parecem se dividir em acharem genial ou idiota, pra mim ele junta as duas coisas, faz o idiota ser "genial". Veronica não busca temas grandiosos da literatura, nem profundas questões existenciais da humanidade, você pode pensar que os contos de GCD são muito rídiculos, mas talvez você nunca tenha pensado no ridículo como algo importante. Trazer o ridículo é uma arte, a palhaçaria está ai, ou vocês acham que ser palhaço é só tentar fazer os outros rirem? Faço teatro e tenho alguns amigos palhaços no meu curso, na minha cidade tem um grupo de palhaçaria maravilhoso e sei que eles ralam para caralho. Um dos espetáculos do grupo se chama "Mais 1 grande besteira". Fazendo essa associação relacionei Gran Cabaret a um circo com uma trupe de palhaços que invadem os banheiros e quintais, Assim, esteja disposto a se olhar ridiculamente também. É isso, é isso que Veronica faz, ela traz um espelho, coloca no seu cu e fala, OLHA QUE RIDICULO. E você responde "é verdade" e vocês duas riem, dai ela diz "agora deixa eu te contar uma história sobre isso". De repente vocês duas estão na calda de um dragão que é metade rinoceronte ou qualquer outra mistura bizarra e voadora que possa levar sua imaginação para longe, ou para muito baixo, talvez na lama, no esgoto, ou no vaso sanitário. Cheiro, ou na verdade odor. GCD é um livro que fede, mas não fedemos todos nós? Vai dizer que você nunca enfiou o dedo no cu e cheirou? Literatura também pode ser isso.

    5 curtidas

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    Avaliações

    3.3 / 116
    • 5 estrelas16%
    • 4 estrelas28%
    • 3 estrelas35%
    • 2 estrelas11%
    • 1 estrelas9%
    Veronica Stigger profile picture

    Veronica Stigger

    Gaúcha radicada em São Paulo desde 2001, Veronica Stigger é doutora em história da arte, crítica de arte e professora universitária. Defendeu tese sobre a relação entre arte, mito e modernidade, enfatizando as obras de Kurt Schwitters, Marcel Duchamp, Piet Mondrian e Kasimir Malevitch. Em seu pós-doutorado estudou, entre outros, os artistas brasileiros Maria Martins e Flávio de Carvalho. Seu primeiro livro, O trágico e outras comédias, foi publicado pela editora portuguesa Angelus Novus, em 2003 e, no Brasil, pela 7Letras, em 2004. Pela Cosac Naify, publicou Gran cabaret demenzial (2007) e Os anões (2010). Alguns de seus contos foram traduzidos para o catalão, o espanhol, o francês e o italiano.

    21 Livros
    45 Seguidores
    Rio Grande do Sul, Brasil

    Veronica Stigger