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    Marcas de Nascença -

    Nancy Huston

    L&PM
    2007
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-13: 9788525417084
    Português Brasileiro
    3.8
    224 avaliações
    Leram357Lendo13Querem146Relendo0Abandonos16Resenhas9
    Favoritos29Desejados146Avaliaram224

    Best-seller na França, vencedor do Prêmio Femina 2006 e finalista do Prêmio Goncourt “Um adulto nada mais é do que uma criança que sofreu.” Essa é a principal ideia por trás de Marcas de Nascença, o 11º romance de Nancy Huston, autora canadense radicada na França. Partindo de uma ideia singela e genial, a escritora conta a história de uma família marcada pelo desenraizamento, pelo dilaceramento da guerra e pela busca de identidade. E o faz de uma maneira originalíssima: por meio do olhar infantil, inocente e perspicaz de quatro crianças, numa narrativa que viaja por vários pontos do planeta, começando na Califórnia do ano de 2004 e terminando na Alemanha que, entre 1944 e 1945, está em vias de perder a guerra. Do garoto californiano no início do século XXI à menina alemã dos anos 1940, pouco há em comum além de uma marca de nascença hereditária. Mas, à medida que a narração avança, fica claro que há muito mais a unir os membros de uma família além dos laços meramente sanguíneos... Marcas de Nascença é uma obra polifônica não apenas por ter quatro narradores, mas pela multidão de assuntos abordados: a educação infantil, o fascínio da violência, o exílio, a força e os limites da memória, os legados familiares, a incomunicabilidade das experiências traumáticas, as conseqüências do silêncio e da vergonha. Nancy Huston, com seus personagens cativantes e profundamente humanos, seu olhar agudo de observadora, sua noção penetrante do detalhe, sua sabedoria e seu conhecimento do mundo, faz a crônica dessa família de origem judaica parecer uma sinfonia de dor e de compreensão sobre toda a humanidade. Entre passado e presente, Velho e Novo Mundo, no entrecruzamento da História com as histórias individuais, a autora demonstra um domínio narrativo como poucos nomes da literatura universal. Um livro atualíssimo, comovente, bem-humorado, perturbador, depois do qual o leitor não será mais o mesmo. Contra a barbárie eleva-se este desconcertante e reparador romance no qual, com amor e fúria, Nancy Huston faz uma ode à memória, à lealdade, à resistência e ao entendimento entre os homens.

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    Christiane Depooter picture
    Christiane Depooter14/01/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Um adulto nada mais é do que uma criança que sofreu"

    O livro retrata 04 gerações, dividido em 04 capítulos que retrocedem narrando a infância de cada um quanto tinha 06 anos, no seu contexto histórico e social. A bisavó, a avó, o filho e o neto, iniciando com Sol, o neto, em 2004 e finalizando com a bisavó no fim da segunda guerra. Ao terminar o livro senti vontade de lê-lo ao contrário. Eles tem uma marca de nascença, porém as marcas são muito mais profundas e além do biológico, dos laços sanguíneos, deixando claro como estas marcas, traumas, questionamentos, dúvidas ficam no inconsciente de uma família. Huston nos mostra a infância como realmente ela é, sem a tão propalada inocência infantil, mas ao contrário, com a crueldade infantil que marca, o édipo, o ódio ao irmão(ã), a onipotência, típicas da infância. Os medos, as dúvidas, a descoberta da sexualidade, a falta de entendimento, as suposições que marcam, a experiência escolar, as descobertas, as discussões familiares, as alegrias, os traumas. Retrata como se forma o adulto através da criança, e deixa claro que nunca saímos da infância, como diria Manoel de Barros que chama suas memórias de infância, inclusive a velhice. A força das palavras e gestos que ficam, a força da mãe, como se grava na criança, a violência psiquíca. Vê-se claramente o inconsciente atuando, regendo uma vida, intemporal, sem idade, a eterna criança que ali está no adulto e que irá se transmitir ao outro, ao filho. Um belo livro!

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 224
    • 5 estrelas28%
    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas4%
    Nancy Huston profile picture

    Nancy Huston

    Nancy Huston nasceu em 1953 em Calgary, Canadá. Filha de um casal de pesquisadores universitários, aos seis anos foi abandonada pela mãe, experiência que deixou marcas profundas na sua vida, e, inclusive, a fez optar pela literatura. Aos quinze anos se estabeleceu nos Estados Unidos com o pai. Em 1973, feminista, chegou a Paris e se engajou nos grupos pós-68, aderindo a seus ideais marxistas. Estreou na literatura em 1979, com um livro de ensaios. Em 1981, publicou seu primeiro romance, Les Variations Goldberg, pelo qual foi indicada ao Prêmio Femina. Seguiram-se outros dez, entre os quais os de maior sucesso são Cantique des plaines (1993) – que lhe trouxe renome internacional –, Instrument des ténèbres (1996), L’Empreinte de l’Ange (1998), Dolce Agonia (2001) e Marcas de Nascença (2006). Além de diversas premiações recebidas ao longo dos anos, em 2006 foi finalista do Prêmio Goncourt e vencedora do Prêmio Femina por Marcas de Nascença. Fluente em francês e inglês, a autora escolhe a língua da escrita em função da ambientação do livro. Numa entrevista concedida à revista francesa Elle, a autora revela que os livros escritos em inglês são os que mais a tocam, provavelmente por ser sua língua materna. A autora também traduz seus próprios livros de uma língua à outra, utilizando esse processo para fazer ajustes na versão original, como em Marcas de Nascença, escrito originalmente em inglês e traduzido imediatamente para o francês pela autora. Nancy Huston foi casada com o historiador, filósofo e lingüista búlgaro Tzvetan Todorov de 1974 a 2014, com quem tem dois filhos.

    29 Livros
    4 Seguidores
    Alberta, Canadá

    Nancy Huston