"O que você faria se não tivesse medo? (...) Pego-me olhando o céu. Um azul profundo. Penso na terra e em quem olha pra mim de cima. A terra azul. Tão confuso esse jogo, azul. Olho para a frente e imagino o circulo que compõe o horizonte, escurecendo. Final de tarde, um azul desbotado e uma luz que começa a se apagar. Há pensamentos que não deveriam emergir. Mas tenho coragem, isso me permite fugir do bando. Pereba ainda deve estar lá e depois serei só eu. Nunca fui. Uma formiga desgarrada que desde a primeira lembrança se alimenta de mais lembrança. Corro. Em direção ao fim da rua. Terra batida. Fugir é uma forma de ter coragem, fugir é uma forma de não ter medo. Eu sei o que custa. Tudo é pago no mundo, descubro. E tudo deve ser cobrado. Entendo a lógica do dinheiro e ele não compra lembranças. Mas ele é meu, elas são minhas. Minha puta, minha irmã e minha mãe, meu dinheiro no bolso. Pereba lá. Continuo correndo. Agora sou homem?" (correição)
