Todo o cenário é construído para o Naruto brilhar. Se ele é o protagonista, então isso é algo bom? Nem tanto.
Naruto, no começo da história, tinha que lidar com diversas adversidades. Não tinha família, era odiado pelos adultos da vila, ridicularizados pelas crianças e sem amizades. Avançou, ganhou a bandana e novos problemas surgiram. Passou a lidar com o pior monstro de todo mundo dentro de si, a garota que gosta o despreza, sente-se inferior em relação ao rival e sua visão de vida gerada por tempos de paz é colocada em conflito. A história sempre avança e o garoto cheio de energia encontra diversos ninjas mais fortes, fracassa em ajudar o melhor amigo e precisa evoluir rápido para recompensar esta falha. Todos os cenários apresentados e a cadeia de causa e efeito geram mais obstáculos e não atalhos. O protagonista superou cada um deles, tornando-se mais poderoso. Esse vencer o mundo que o deseja te colocar para baixo de qualquer maneira é cativante. Quantas vezes você sentiu que estava lutando contra tudo e contra todos? O mangá aprimorou este conflito o transformando em um tema no final? Não e preferiu fazer o mundo girar em torno do Naruto.
Ninguém de relevante na guerra morre porque precisa ver o filho do quarto Hokage brilhar; o problema dos zetsus branco só ele pode resolver; Kages são ressuscitados para que o vejam ultrapassá-los; Killer Bee treinou a vida inteira com Hachibi para poder usar o seu poder e o Naruto conseguiu algo melhor em apenas um dia. Tudo o cerca! Fato que pode ser interessante se for bem trabalhado e gerar carga dramática no personagem. Porém, todas as soluções parecem estar nele, simples assim. O que estou dizendo? É o final da obra. Se está assim, é porque evolui através de treinos e vencendo batalhas.
Evoluir não é lidar de maneira mais fácil com tudo porque os problemas tornaram-se mais fáceis. É persistir e encontrar novas soluções para problemas cada vez mais difíceis. O autor cria uma guerra para todos assistirem como o Naruto tornou-se poderoso? E a guerra não envolve diretamente o protagonista enquanto uma pessoa. Foi feita para extrair uma presença maligna de dentro dele carregada de chakra. Não existe a vingança, tomada de território ou proteção. Há um desejo dos vilões que ainda não foi explicado. Para o leitor se engajar na guerra, o grande plano do vilão precisa ser esmiuçado e contextualizado, sendo assim, é possível mensurar os riscos. Desconsiderar esta escolha e apostar na nostalgia de uma obra que ainda terminou, é pouco.