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    The Three Stigmata of Palmer Eldritch -

    Philip K. Dick

    Vintage
    1991
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9780679736660
    4.2
    14 avaliações
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    Favoritos0Desejados6Avaliaram14

    In this wildly disorienting funhouse of a novel, populated by God-like--or perhaps Satanic--takeover artists and corporate psychics, Philip K. Dick explores mysteries that were once the property of St. Paul and Aquinas. His wit, compassion, and knife-edged irony make The Three Stigmata of Palmer Eldritch moving as well as genuinely visionary.

    Resenhas (1)Ver mais
    Bruno Alves da Silva picture
    Bruno Alves da Silva17/04/2014Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Este é um dos livros considerados mais clássicos de Philip K. Dick (junto com <i>Androides sonham com ovelhas elétricas?</i> e <i>O homem do castelo alto</i>), e foi lançado aqui no Brasil pela editora Aleph como <b>Os três estigmas de Palmer Eldritch</b>. É uma experiência de leitura fluente, que me remeteu a outro livro do autor, <i>Ubik</i>, por alguns elementos no enredo e pela experiência de leitura. Ambas me animaram mas me deixaram pensativo, ambas trabalham principalmente as diferenças entre a realidade, o simulacro, e nossas percepções. Entretanto, são livros diferentes, com temáticas diferentes, e <b>Palmer Eldritch</b> é um de seus primeiros a explorar a temática religiosa cristã. Em um mundo extremamente quente, onde as pessoas vivem com ar condicionado e não podem ficar muito tempo expostas ao sol (não muito diferente do Rio de Janeiro de 2010), o planeta está quase superpopuloso e o governo terrestre manda pessoas para emigração compulsória aos outros planetas do sistema solar. Os colonos devem viver em barracos apertados e sem muita privacidade, e o único alívio que encontram para seu suplício é a droga Can-D, que faz com que sejam “traduzidos” e tenham suas consciências transportadas para uma casa de bonecas. Incorporam o “layout” da casa de bonecas e podem, por um tempo indeterminado, viver a vida ideal, de volta a uma Terra agradável e se esquecendo das preocupações do mundo. Neste contexto aparece Palmer Eldritch, um antigo executivo que está de volta de uma viagem de dez anos ao sistema estelar vizinho, Proxima. E ele traz uma nova versão da droga, Chew-Z que, além de ser legalmente sancionada e ter um preço menor, supostamente trará uma sensação diferente: você será transportado para um mundo novo, mas similar, como um simulador do pós-morte ou uma ressurreição. Acompanhamos a história de alguns personagens relacionados de perto ao dilema: Leo Bulero, diretor da empresa Perky PatLayouts, que constrói os “cenários” para os quais Can-D leva os colonos, onde tudo é minimizado. Barney Mayerson, precog de Nova York, com o poder psíquico de prever o que se tornará moda no futuro ou não, e assim escolher o que será “minimizado” para os layouts; entre outros. <i>It takes a certain amount of courage, he thought, to face yourself and say with candor, I’m rotten. I’ve done evil and I will again. It was no accident; it emanated from the true, authentic me. (p. 92)</i> <b>Palmer Eldritch</b> é conhecido por ser o livro da LSD por excelência. Durante diversos trechos, tanto os personagnens quanto o leitor, limitado à perspectiva dos personagens sobre os acontecimentos, terão dúvidas sobre o que é realidade, o que é alucinação – e se as alucinações, a “viagem” dos personagens, não tem algo a mais. As viagens do Can-D são bem centradas e fáceis de se perceber: estamos nos layouts da Perky Pat, temos os personagens bem delimitados. Entretanto, Chew-Z nos leva ao mundo de Palmer Eldritch, onde o executivo manda e desmanda como Deus. Sob os efeitos da última droga, passamos a perceber o mundo de outra forma; será que estamos tendo uma mera experiência de alucinação ou um contato com algo mais grandioso? Similar a uma experiência religiosa, e comparado a tal pontualmente, principalmente mais próximo ao fim do livro. <i>Below lay the tomb world, the immutable cause-and-effect world of the demonic. At median extended the layer of the human, but at any instant a man could plunge – descend as if sinking – into the hall-layer beneath. Or: he could ascend to the ethereal world above, which constituted the third of the trinary layers. Always, in his middle level of the human, a man risked the sinking. And yet the possibilty of ascend lay before him. [...] Hell and heaven, not after death but now! (p. 60)</i> Diálogos sobre ontologia, a natureza de Deus e das experiências religiosas, as definições de um inferno, e a sua pessoalidade ou não, são elementos mais místicos que começam a habitar o romance. Já podemos ver um foreshadowing para os temas que mais tarde se tornarão livros como <i>VALIS</i> ou <i>The Divine Invasion</i>. Entretanto, este livro ainda se diferencia deles em sua maior leveza. O conteúdo filosófico é diluído e fácil de mastigar. A leitura do livro não é difícil, apesar da paranoia: Se o que estamos lendo agora é mais uma alucinação, parte da experiência de Chew-Z; se Chew-Z causa alucinações ou algo diferent; se Palmer Eldritch está por perto, se é onisciente, e sobre quem afinal é Palmer Eldritch. Talvez manter algumas questões durante a história confundam a cabeça do leitor, principalmente a respeito da natureza da experiência da droga, que de tempos em tempos recebe uma nova definição. Não obstante, este está mais para livros como <i>Ubik</i> e <i>O homem do castelo alto</i> do que está para <i>VALIS</i> em quesito fluidez da experiência. Infelizmente não tenho como explorar um pouco mais os temas da história sem dar spoilers que possam acabar com a surpresa em potencial de alguém. Então abro um parênteses aqui: _____________ ABAIXO COMEÇAM OS SPOILERS. Continuando a ler? É sempre bom ter a experiência completa. O estado de Palmer Eldritch como figura quase-Deus fomenta o diálogo ontológico no final da história, entre a neo-cristã Anne Hawthorne e Barney Mayerson, já morando como colonos em Marte tentando fazer deste planeta um lugar melhor. Quem sabe, construir uma vida. Vemos mais uma vez o elemento potencialmente religioso na criatura que possuiu o corpo de Palmer: algo mais velho do que qualquer humano possa imaginar; simplesmente não temos a perspectiva necessária. Lembra um pouco os horrores cósmicos de Lovecraft,e talvez daí venha o “Eldritch” de seu nome, na intenção do autor. <i>Maybe that’s the source of its knowledge: not experience but unending solitary brooding. (p. 172)</i> Os pensamentos de Barney são dignos de nota: e se Deus, existindo, não do jeito que imaginamos e de um jeito que não temos como compreender completamente, tentasse fazer este contato? Ele quer nos ajudar, assim como tentou ajudar a Mayerson, e inclusive o poupou no final, mas não entende muito bem como o fazer? No final, ele tem a ideia de se tornar cada pessoa em Marte; possuir e guiar uma civilização, como uma mente coletiva, um inconsciente (ou consciente) popular. Mas, mesmo assim, muda de ideia na última hora e poupa a vida de um ser humano, por mais insignificante que ele fosse. Mas Hawthorne dá outra interpretação: ele pode ser uma criatura, não o Criador. Se Deus é onipotente, a Coisa-em-Eldritch seria não mais que uma criatura infinitamente superior à humana, talvez mais próxima do divino, mas ainda não completamente lá. E talvez ela possa servir como um intermediário, mesmo com seu plano não dando certo. E o que acontecerá quando o corpo terreno de Eldritch ser dizimado pelos raios da nave de Leo? Não temos como saber. Mas aquela criatura tocou a muitos – deixou um pedaço de si com eles. A Coisa-em-Palmer disse que sua marca irá desaparecer com o tempo. Mas seus três estigmas mostram aqueles que talvez nem tenham experimentado o Chew-Z; o processo estava começando. O processo pelo qual a Criatura tomaria posse de todos, e quem sabe o que ela faria? Não parecia malevolente, apsar de sua ambição e a enganação. Não tinha um aspecto malicioso. As poucas páginas que passamos dentro de sua cabeça nos mostra – estava solitário. Depois de eons sozinho, vagando pelo vácuo infinito. Talvez seu plano de assimilar a raça humana, seu único “método de reprodução”, fosse apenas uma maneira de compensar a solidão por um tempo indizível. E quem mais acompanhado do que um consciente coletivo?

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    Philip Kindred Dick

    Philip Kindred Dick, também conhecido pelas iniciais PKD, foi um escritor americano de ficção científica que alterou profundamente este gênero literário. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica e tornando-se um ícone da contracultura. Sua obra é marcada por fantasmagóricas histórias de paranóia e primam pela originalidade. Explorou em muitas das suas histórias temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não heróis galácticos comumente associados a obras do gênero. Sua obra mais conhecida em vida foi <i>O Homem no Castelo Alto</i> (1961), vencedor do Prêmio Hugo de ficção científica. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica. Filho de um funcionário do governo federal, a sua irmã gémea morreu quase à nascença. Os seus pais divorciaram-se quando Philip contava quatro anos de idade. Acompanhou a mãe na sua mudança para a Califórnia, onde estudou, ingressando na Escola Secundária de Berkeley, onde permaneceu até 1945. Matriculou-se então na Universidade da Califórnia, onde estudou Filosofia e Alemão, abandonando o curso para trabalhar como disc-jockey numa emissora de rádio, mantendo, ao mesmo tempo, uma loja discográfica. Começou a escrever nesta época, publicando o seu primeiro conto de ficção científica na revista Planet Stories. Chegou a terminar alguns romances de índole autobiográfica, mas não conseguiu encontrar quem os editasse. Decidiu portanto dedicar-se inteiramente à ficção científica, convicto de que este género poderia melhor abarcar as suas especulações filosóficas. A sua primeira obra publicada foi Solar Lottery de 1955. A ação da obra decorria no século XXIII, num tempo em que a democracia como forma de eleição foi substituída por uma sistema de loteria que decide as funções dos indivíduos na sociedade. No entanto, vem-se a descobrir que a sorte está viciada. Após o aparecimento de obras como Eye In The Sky de 1956, Dr Futurity de 1960 e Vulcan's Hammer de 1960, Philip K. Dick conseguiu ser reconhecido como escritor, sobretudo com a publicação de The Man In The High Castle (O Homem do Castelo Alto) de 1962. O romance recriava um mundo em que a Alemanha e o Japão haviam vencido a Segunda Guerra Mundial. Por ter mantido relações com o Partido Comunista norte-americano, o escritor foi alvo de cuidadosas investigações por parte do FBI e dos serviços secretos da Força Aérea dos EUA. A visão quase paranóica da realidade que Dick demonstrou em muitos dos seus trabalhos não seria portanto de todo infundada. Inspirando-se em ideias do Budismo, Cabalismo, Gnosticismo e outras doutrinas herméticas, e combinando-as com certos aspectos das novas crenças na parapsicologia, extraterrestres e percepção extra-sensorial, o autor criou mundos alternativos nos quais acabou eventualmente por julgar viver. Consumindo drogas em excesso, alegou ter sido contactado em 1974 por uma inteligência alienígena. PKD explorou em muitas das suas obras temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não os normais heróis galácticos de outras obras do gênero. Precursor do gênero cyberpunk, o seu livro Do Androids Dream of Electric Sheep? (Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?) inspirou o filme Blade Runner que, já perto da sua morte por um AVC (Acidente Vascular Cerebral), serviu como introdução a Hollywood e levou a que outras obras suas fossem adaptadas ao cinema. Os filmes Minority Report: A Nova Lei, O Vingador do Futuro, Screamers: Assassinos Cibernéticos, O Pagamento, Impostor, O Vidente, Os Agentes do Destino e O Homem Duplo, também são baseados em novelas ou contos de Dick.

    162 Livros
    939 Seguidores
    Califórnia, Estados Unidos

    Philip Kindred Dick