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    The Divine Invasion (Valis #2) -

    Philip K. Dick

    Vintage
    1991
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9780679734451
    4.3
    4 avaliações
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    The Divine Invasion, Philip K. Dick asks: What if God--or a being called Yah--were alive and in exile on a distant planet? How could a second coming succeed against the high technology and finely tuned rationalized evil of the modern police state? The Divine Invasion "blends Judaism, Kabalah, Zoroastrianism, and Christianity into a fascinating fable of human existence"

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    Bruno Alves da Silva picture
    Bruno Alves da Silva08/04/2014Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Segundo volume da "trilogia VALIS" de Philip K. Dick, <b>The Divine Invasion</b> (literalmente, "A invasão divina") é, digamos, bem mais deglutível que o seu predecessor. A trilogia é composta do homônimo VALIS, deste livro que tratamos aqui, e a sua "continuação" The transmigration of Timothy Archer, que deve aparecer por aqui também muito em breve. O fato de formarem uma trilogia, assim nomeada por Dick, não quer dizer que sejam os três livros intrinsecamente ligados. Na realidade, não dividem sequer um personagem ou ambientação. A ligação é puramente temática: gnosis, conhecimento, teofania, a intromissão dos seres divinos sobre as relações humanas, a realidade como construção e simulacro, e todos os temas ligados à mitologia e teologia judaica, cristã, islâmica, e gnóstica. <b>The Divine Invasion</b> é mais assimilável que seu predecessor no sentido que é menos um tratado teológico, com trechos da Exegesis e vômito de conhecimento mesclado à ficção que Dick nos apresentou, e mais uma história com enredo e personagens próprios. É mais padrão em ser um romance bem delineado, com suas fronteiras com a autobiografia mais definidas. Não obstante, não deixa de ser uma obra em certos pontos autobiográfica, com os temas recorrentes de VALIS que advêm da vida de Dick também encontrando espaço em suas páginas. E mais, as suas ideias e conhecimentos também transbordam aqui. Li que, na escrita de <b>The Divine Invasion</b>, PKD ficou um ano refletindo (após a publicação de VALIS) e escreveu o livro em si em questão de duas ou três semanas. Isso é, digamos, bem rápido. Seu título de trabalho original era VALIS Regained e algumas análises o consideram estruturalmente pobre, justamente por não tanto o planejamento de uma estrutura fixa e coerente para o livro, mas o foco em suas ideias. Dick teria priorizado a rapidez e não teria feito o esquema de racunho por rascunho, conseguindo um resultado mais orgânico, porém menos desenvolvido ou organizado. Polido, talvez. Diz K. W. Jester, em uma entrevista: They ramble, and they go from one thing to another, and its just one idea after another popping into Phil's head. That doesn't say anything about the quality of the ideas. But just in terms of a structure, this may be something that I think about the books that nobody else thinks about the books because I tend to be a structuralist in my approach to writing. To me, I think its internally consistent to look at the books as just being a straight through unrevised draft of ideas Phil has been working on in another form for a long time. In terms of the actual dramatic content of the book, characters and so forth, I can't believe that those last couple of books were done draft by draft. Herb Asher mora em seu domo em uma colônia longe da Terra, e é atormentado ocasionalmente por uma antiga divindade que mora na montanha onde está seu domo. Distorce suas gravações e mexe seu equipamento. Eventualmente é revelado a ele que Yah, a divindade adorada pelos nativos, é na realidade Yahweh (Javé), o Deus bíblico, que foi expulso da Terra depois da queda da fortaleza de Masada no primeiro século depois de Cristo pela força de Belial, o Mal Supremo. Yah concatena um plano entre Herb e Rybys, uma mulher doente e prestes a morrer no domo vizinho ao seu - ela está com uma gravidez imaculada, e o resultado será a própria encarnação divina. Como se "a segunda vinda". Posando como pai da criança e auxiliado por Elias, o profeta bíblico, Herb deve levá-los de volta à Terra, onde Belial reina invisível. Assim contrabandeará Deus de volta à Terra, onde Ele poderá efetuar o Dia do Julgamento. O que deixa sua leitura mais agradável - e até bem instigante - é o fato de, ao contrário de seu antecessor, toda a carga filosófica estar embutida dentro da história, em seus temas, personagens, diálogos e acontecimentos. Além disso, é uma história mais convencional de "ficção científica": temos colônias espaciais, naves, tecnologia indisponível, limites geográficos diferentes do mundo atual, futuros alternativos, realidades paralelas e tudo ao que temos direito. Assim sendo, apesar de ainda ligeiramente confuso - principalmente em seus trechos finais - o livro satisfaz em criar um gancho de curiosidade, em fazer nos importarmos com o que está em jogo (só o destino do mundo). PKD, então, tem sucesso enquanto trata com seus temas de sempre acrescidos de suas ideias mais recentes: a natureza da realidade, simulacros se adicionam a teofanias, religião, espiritualidade, mitologia antiga e até mesmo a moralidade no nosso universo. Ao mesmo tempo, para o leitor de VALIS, temos uma sensação de desfecho melhor resolvido - como se <b>The Divine Invasion</b> fosse uma segunda parte que nos explicasse, de maneira a completar um ciclo, alguns temas que abordamos e não absorvemos completamente no primeiro livro. Assim como "o tempo se transforma em espaço", aqui teoria se transforma na aplicação. Os temas do "Império", a "Prisão", "Zebra" e outros encontram um fecho em alguns trechos que despertam o leitor atento. Não tem aquele valor de novidade, aquele estranho e pós-moderno, mas é uma leitura agradável (a voz do Dick continua, como sempre, muito boa de se ler), com uma proposta interessantíssima e um desenvolvimento que toma direções inesperadas. É um ótimo romance e uma leitura filosófica-teológica agradável e curiosa.

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    Philip Kindred Dick profile picture

    Philip Kindred Dick

    Philip Kindred Dick, também conhecido pelas iniciais PKD, foi um escritor americano de ficção científica que alterou profundamente este gênero literário. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica e tornando-se um ícone da contracultura. Sua obra é marcada por fantasmagóricas histórias de paranóia e primam pela originalidade. Explorou em muitas das suas histórias temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não heróis galácticos comumente associados a obras do gênero. Sua obra mais conhecida em vida foi <i>O Homem no Castelo Alto</i> (1961), vencedor do Prêmio Hugo de ficção científica. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica. Filho de um funcionário do governo federal, a sua irmã gémea morreu quase à nascença. Os seus pais divorciaram-se quando Philip contava quatro anos de idade. Acompanhou a mãe na sua mudança para a Califórnia, onde estudou, ingressando na Escola Secundária de Berkeley, onde permaneceu até 1945. Matriculou-se então na Universidade da Califórnia, onde estudou Filosofia e Alemão, abandonando o curso para trabalhar como disc-jockey numa emissora de rádio, mantendo, ao mesmo tempo, uma loja discográfica. Começou a escrever nesta época, publicando o seu primeiro conto de ficção científica na revista Planet Stories. Chegou a terminar alguns romances de índole autobiográfica, mas não conseguiu encontrar quem os editasse. Decidiu portanto dedicar-se inteiramente à ficção científica, convicto de que este género poderia melhor abarcar as suas especulações filosóficas. A sua primeira obra publicada foi Solar Lottery de 1955. A ação da obra decorria no século XXIII, num tempo em que a democracia como forma de eleição foi substituída por uma sistema de loteria que decide as funções dos indivíduos na sociedade. No entanto, vem-se a descobrir que a sorte está viciada. Após o aparecimento de obras como Eye In The Sky de 1956, Dr Futurity de 1960 e Vulcan's Hammer de 1960, Philip K. Dick conseguiu ser reconhecido como escritor, sobretudo com a publicação de The Man In The High Castle (O Homem do Castelo Alto) de 1962. O romance recriava um mundo em que a Alemanha e o Japão haviam vencido a Segunda Guerra Mundial. Por ter mantido relações com o Partido Comunista norte-americano, o escritor foi alvo de cuidadosas investigações por parte do FBI e dos serviços secretos da Força Aérea dos EUA. A visão quase paranóica da realidade que Dick demonstrou em muitos dos seus trabalhos não seria portanto de todo infundada. Inspirando-se em ideias do Budismo, Cabalismo, Gnosticismo e outras doutrinas herméticas, e combinando-as com certos aspectos das novas crenças na parapsicologia, extraterrestres e percepção extra-sensorial, o autor criou mundos alternativos nos quais acabou eventualmente por julgar viver. Consumindo drogas em excesso, alegou ter sido contactado em 1974 por uma inteligência alienígena. PKD explorou em muitas das suas obras temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não os normais heróis galácticos de outras obras do gênero. Precursor do gênero cyberpunk, o seu livro Do Androids Dream of Electric Sheep? (Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?) inspirou o filme Blade Runner que, já perto da sua morte por um AVC (Acidente Vascular Cerebral), serviu como introdução a Hollywood e levou a que outras obras suas fossem adaptadas ao cinema. Os filmes Minority Report: A Nova Lei, O Vingador do Futuro, Screamers: Assassinos Cibernéticos, O Pagamento, Impostor, O Vidente, Os Agentes do Destino e O Homem Duplo, também são baseados em novelas ou contos de Dick.

    162 Livros
    939 Seguidores
    Califórnia, Estados Unidos

    Philip Kindred Dick