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    O Circo do Dr. Lao -

    Charles Finney, Charles G. Finney

    Leya
    2011
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9788580440744
    Português Brasileiro
    3.3
    308 avaliações
    Leram445Lendo17Querem330Relendo0Abandonos12Resenhas32
    Favoritos18Desejados330Avaliaram308

    RESPEITÁVEL PÚBLICO, O CIRCO CHEGOU! Abalone, no Arizona, era um lugar ermo e tranqüilo onde os habitantes se preocupavam tão somente com o tédio e em sobreviver à Grande Depressão... Era, até o circo do doutor Lao chegar à cidade e mudar a vida de todos. Esperando apenas mais um espetáculo circense, os cidadãos de Abalone notaram algo de esquisito no circo. Seres estranhos, atrações cujo nome sequer podiam soletrar, seres infernais, animais de todos os tipos, mitos da antiguidade, serpentes, híbridos e muito mais – eram inúmeras as atrações bizarras. Aos poucos o circo faz ruir a frágil máscara dos habitantes locais; (des)ilusões amorosas, o tédio oculto nas vidas de fachada, segredos revelados transformam o espetáculo em uma bizarra percepção do próprio ser humano. Em poucos dias, doutor Lao irá alterar a vida dos moradores de Abalone.

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    Andreia Santana picture
    Andreia Santana16/10/2011Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Dr. Lao e as memórias afetivas da infância

    A memória afetiva que carrego do filme <i>As sete faces do Dr. Lao</i> (George Pal, 1964), um dos clássicos que me acompanharam nas sessões da tarde da infância, atrapalham a fruição do livro no qual a obra cinematográfica se inspira. Não que <b>O circo do Dr. Lao</b>, escrito na década de 30 por Charles G. Finney, considerado o pai da literatura gótica, e publicado este ano no Brasil pela LeYa, seja um livro ruim, de forma alguma! De zero a cinco, vale quatro estrelinhas do Skoob. Mas o filme traz uma nostalgia enorme da infância e merece com toda certeza, as cinco estrelas do Filmow. Confesso que esperava do livro o mesmo arrebatamento, mas a lógica se inverte: a adaptação em película é superior ao original em papel. A expectativa em que fiquei para ler o livro se frustrou em boa parte pela falta de cuidado da edição em português. A obra carece de um zelo maior da editora com a revisão final da tradução. Os erros de digitação e palavras repetidas comprometem a fluência da leitura; além claro, do sentido das frases. Fica a dica para que as próximas edições, mesmo quando em versão de bolso ou com preços mais populares, primem pela qualidade. Do contrário, presta-se um desserviço ao leitor. A história é intrigante, mas bem menos sombria na versão literária do que no filme. A produção cinematográfica aproveita-se bastante do estranhamento provocado pelos personagens exóticos do circo que se instala em Abalone, cidadezinha perdida no Arizona. Além disso, a adaptação do cinema explora com maestria o clima de realismo fantástico e o nonsense de algumas situações. Há uma mistura perfeita de inocência e malícia, sinceridade quase ingênua e perversa hipocrisia. Os personagens na tela são cheios de nuances, enquanto no livro são tratados de forma bem mais maniqueísta. No livro de Finney, o que chama atenção é que o texto inteiro é construído para valorizar as entrelinhas. A obra revela-se mais naquilo que o autor não diz. No entanto, as descrições exageradas de cada personagem (com exceção do primoroso trecho sobre o advogado Frank Tull) torna-se tediosa. A sensação é de que a história demora a começar, pois o autor passa metade do livro narrando a tediosa rotina dos moradores de Abalone e as conjecturas meio infantis que alguns tecem sobre a chegada do circo. Se há expectativas naquele povo curtido pelo sol e pela poeira do deserto para ver o espetáculo que promete mudar-lhes a vida, não parece. A promessa de que o circo servirá de espelho para mostrar a banda podre de Abalone também não se cumpre. Com exceção do diálogo fabuloso entre o vidente Apolônio de Tiana e uma solteirona fútil da cidade, há bem menos acidez na história do que se poderia esperar. A conversa entre a serpente marinha e o editor do jornalzinho de Abalone, que no filme é pontuada de sarcasmo, no livro estende-se mais que o necessário, sem metade do veneno destilado na tela. No geral, a apatia domina a cidade e o temperamento dos moradores de Abalone. A vontade ao final da leitura é de que a serpente marinha engula o vilarejo logo de uma vez, mas nem esse consolo o autor nos dá. O leitor se sente desconfortável com esse panorama tão pessimista da alma humana. Desencanto seria a palavra para descrever O circo do Dr. Lao e aí sim, dá para entender porque Finney é aclamado até hoje como o pai da dark fantasy. Por que quatro estrelas? Justamente pela sinceridade do autor em descrever tipos tão despresíveis e destituídos de carisma. Finney descortina o nonsense do grande espetáculo humano sem piedade. Taí o grande mérito da obra.

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    Charles Grandison Finney

    17 Livros
    15 Seguidores
    Ohio, Estados Unidos

    Charles Grandison Finney