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    O Diabo Mesquinho -

    Fiódor Sologub

    0
    0 páginas
    0m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.9
    47 avaliações
    Leram68Lendo1Querem121Relendo1Abandonos1Resenhas7
    Favoritos0Desejados121Avaliaram47

    O tradutor de "O Diabo Mesquinho" conhece profundamente os usos da língua”, diz Aurora. Houve preocupação em preservar o espírito irônico que perpassa a estrutura assimétrica da narrativa, em que as falas das personagens são entrecortadas. O próximo lançamento, previsto para o segundo semestre, é mantido em segredo. Ao verter a literatura simbolista da Rússia para o português, há o cuidado com as transformações formais realizadas pelo simbolismo, marcado por alta densidade poética. Embora sejam influenciados pelos simbolistas franceses, os russos adquiriram autonomia, segundo a professora Aurora. “As imagens usadas na descrição narrativa criam atmosferas que provocam sufocamento.” E que suscitam um clima alucinatório nas histórias do protagonista de O Diabo Mesquinho, Ardalión Boríssytch Peredónov. Professor do ginásio de uma província russa do fim do século 19, ele busca a ascensão social e um matrimônio seguro. Todos à volta de Peredónov parecem conspirar para sua loucura e aviltamento. O tom fantasmagórico, de pesadelo, impregna a obra. “Sologub vive uma fase de transição, em que o pessimismo e o desencantamento vigoram”, diz Aurora. A visão pessimista, no entanto, se transfigura em sátira no romance de Sologub, um dos mais importantes escritores simbolistas ao lado de Aleksandr Blok e Andrei Biely

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    Resenhas (7)Ver mais
    Leonardo Jardim picture
    Leonardo Jardim19/07/2024Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Uma novela sobre o comportamento da classe média, trazendo críticas à própria classe média de uma forma bem humorada, ou melhor, mal-humorada.  Um protagonista irritante e nem um pouco carismático, vizinhos intrometidos, pretendentes a casamento um tanto quanto duvidosas, alpinismo social. São os ingredientes que compõem essa história de humor ácido. Certamente nenhum outro personagem, como o Sr. Ardalion Borissytch Peredónov, foi tão irritante, terrivelmente irritante. Parabéns ao autor Fiodor Sologub, que conseguiu transferir esse sentimento ao leitor, que, irritação à parte, consegue extrair aquela essência russa, que é bem contundente na crítica social do final do século XIX.  O livro tem seus momentos, horas divertidas, com bons diálogos, horas enfadonhos e repetitivos, tenho a ligeira impressão de que o antagonismo ou protagonismo do personagem principal é um tanto caricata e talvez de fato seja. Porém, a obra é aclamada pelos apreciadores da literatura russa moderna e, de fato, a história é muito bem construída e sucinta, com seus bons momentos cumprindo a sua proposta. 

    30 curtidas

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    Avaliações

    3.9 / 47
    • 5 estrelas13%
    • 4 estrelas60%
    • 3 estrelas19%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas0%
    Fiódor Sologub profile picture

    Fiódor Sologub

    Fiódor Sologub (1863-1927) foi um dos expoentes do simbolismo russo, que floresceu no início do século XX. Às vésperas das revoluções de 1905 e 1917, o movimento simbolista, no qual o apuro na linguagem se fez tão presente em construções sapientemente elaboradas como as da escrita de Sologub, preparou o advento de novos caminhos estéticos na arte russa, além de ter impulsionado uma grande transformação cultural e filosófica no país. Fiódor Sologub, pseudônimo de Fiódor Kuzmítch Tetiérnikov, nasceu no ano de 1863 em São Petersburgo. Perdeu o pai, um alfaiate, aos quatro anos de idade. Sua mãe, severa e religiosa, depois da morte do marido, tornou-se criada na casa dos Agápov, uma influente família petersburguesa, onde Fiédia, como era chamado, e sua irmã mais nova, Olga, passaram a infância e a juventude. Ao concluir o Instituto Técnico de São Petersburgo, ele trabalhou como professor de matemática e depois como inspetor escolar até o ano de 1907. A obra de Sologub começou a ser publicada em almanaques na década de 1880, mas foi o ano de 1896 que marcou o início de sua carreira quando três de seus livros foram publicados: Poemas; Sombras: Contos e Versos; e o romance Sonhos maus. A figura estranha e esquiva de Fiódor Sologub tornou-se lendária. Muitos escritores e poetas teceram palavras exultantes sobre sua obra, como Andrei Biély (1880-1934) e Evguéni Zamiátin (1884-1937), mas invariavelmente o descreviam como um homem de poucas palavras e ausente, sempre com o pincenê, as pernas cruzadas e os olhos entreabertos. Em geral, nutriam um estranho respeito por Fiódor Sologub, tanto pelo jeito difícil e seguro de si como pelo talento e pela erudição. Mikhail Bakhtin, que conheceu Sologub alguns anos antes da morte do escritor, também o retratou pelo temperamento pesado e pessimista, mas como uma personalidade independente. Era um tipo particular, distante da imagem dos simbolistas − não carregava a aura pungente de muitos poetas, como Biély e Briussóv. Com relação à sua obra, Bakhtin foi também um de seus apreciadores: "[...] eu sempre considerei Sologub um poeta extremamente talentoso, sua poesia tem muito valor. Além disso, entre seus romances há O Diabo Mesquinho, que eu considero um dos melhores romances do século XX. Este é um romance maravilhoso, muito profundo, muito interessante... quase profético... [...] E a figura de Peredonov é uma das mais importantes da nossa literatura". (M.M. Bakhtin, bessiédy s V. D. Duvákinym, M.M. Bakhtin: conversas com V. D. Duvákin. Moscou: Soglásnie, 2002) A morte trágica de sua esposa e colaboradora, a ensaísta, tradutora e escritora Anastassia Nikoláevna Tchebotariévskaia (1876-1921), que se jogou da ponte Tutchkóv ao rio Nevá, marcou os últimos anos do escritor. Sologub escreveu até o fim da vida. Fiódor Sologub teve uma vasta carreira literária. Escreveu romances – como Sonhos maus, a trilogia A lenda criada e sua mais afamada obra em prosa, O Diabo Mesquinho (Kalinka 2008), também levada ao palco –, inúmeras poesias, ensaios, contos e peças de teatro, tendo trabalhado com importantes encenadores, como V. Meyerhold (1874-1940). Suas Obras reunidas publicadas em Petersburgo pela Editora Sirin (1913-1914) constituem 20 volumes, que foram ainda complementados com seus escritos posteriores. [kalinka]

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    Fiódor Sologub