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    O Siciliano (Círculo Do Livro) -

    Mario Puzo

    Círculo do Livro
    1987
    382 páginas
    12h 44m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.2
    718 avaliações
    Leram1317Lendo48Querem698Relendo1Abandonos24Resenhas26
    Favoritos10Desejados698Avaliaram718

    O livro relata-nos a saga da vida, dos amores e dos sonhos do infame bandido siciliano Salvatore Giuliano, que, nos finais da década de 1940, enfrentou a Igreja, o Estado e a Máfia, os três poderes reinantes da ilha, na tentativa de conseguir tornar a Sicília num estado Independente da Itália. Giuliano rouba e saqueia os ricos proprietários rurais para dar aos pobres e servis camponeses incitando-os a comprarem terras com o dinheiro. Porém à medida que a sua popularidade cresce também o seu ego aumenta a ponto de se auto-proclamar o quarto poder local e de não hesitar em matar friamente todos os que o enfrentem ou traiam. Obcecado com a fama não vê que os seus sucessos se devem à tolerância do seu apoiante, o todo poderoso chefe da Máfia Don Masino que a dada altura decide que Giuliano tem de ser travado a qualquer custo e decide convencer Gaspar, primo e conselheiro direto de Giuliano, a matá-lo. Participa da história Michael Corleone quando estava foragido depois de ter matado Sollozo e o capitão de polícia, contados no livro O Poderoso Chefão.

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    Waldir Figueiredo Reccanello picture
    Waldir Figueiredo Reccanello17/06/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Com o passar do tempo, os heróis parecem tolos e ridículos!

    Dizem que, certa vez, um aluno perguntou a sua professora: "se eu tirar de quem tem mais e doar a quem tem menos estarei praticando um ato de bondade?". E a professora respondeu: "não, você estará praticando um roubo!". E assim, confrontado com a razão, morreu o mito do Robin Hood! === Esse livro me trouxe emoções dúbias: como objetivista e liberal (para quem os valores de liberdade, propriedade, individualidade, racionalidade e não agressão são sagrados), não existe a mínima possibilidade de aceitar ou compactuar com as ideias e com os atos do personagem principal, que, afinal, não passava de um ladrão e um assassino, pouco importando a desigualdade social e a marginalização sofrida pelo siciliano, nem tampouco sua forçada subordinação à romantizada criminalidade local; o fato de "distribuir junto aos pobres" o produto de seus crimes não minimiza o erro dos roubos praticados muito menos o absurdo das mortes que causou. Por outro lado, fato é que ele apenas replicava as práticas mafiosas já tão comuns à alma do povo siciliano; não que isso justifique seus crimes, mas ao menos os explica de certa forma: uma gente sofrida que há séculos vem sendo vilipendiado por toda sorte de déspotas; que não apenas é ignorante como tem orgulho de se manter nessa ignorância; para quem o perdão não passa de uma fraqueza e uma demonstração de covardia; que tem a "honra" como valor praticamente absoluto; uma população com tais crenças não poderia criar muita coisa diferente de Turi Guiliano, Don Croce, Don Corleone e demais integrantes da escória criminosa que compõe a Máfia. Enfim... === Quanto ao livro, em si, é uma obra muito boa! A romantização da história real de Salvatore Giuliano (cujas vida e atitudes podem ser explicadas pelo fato de ele ser um grande fã das histórias de Emilio Salgari) é maravilhosa, e aprazível é a forma como o autor nos insere na Sicília e nos faz passear pelas suas localidades e conhecer seu povo, mergulhando na psiquê daquela gente simples, sofrida, mas nem por isso inocente. Para quem é fã de histórias de Máfia e quer ir além de "O poderoso chefão", é um prato cheio.

    17 curtidas

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