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    Os últimos soldados da Guerra Fria - A história dos agentes infiltrados por Cuba em organizações de extrema direita nos Estados Unidos

    Fernando Morais

    Companhia das Letras
    2011
    408 páginas
    13h 36m
    ISBN-13: 9788535919349
    Português Brasileiro
    4.3
    582 avaliações
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    Favoritos64Desejados829Avaliaram582

    Organizações criminosas internacionais, aventuras mirabolantes, disfarces perfeitos, emissários secretos, conquistas amorosas: o novo livro de Fernando Morais traz todos os elementos de suspense de um romance de espionagem. Mas não contém um só pingo de ficção. Contando a saga da Rede Vespa, um seleto grupo de agentes secretos que se infiltrou em organizações anticastristas em Miami, o autor nos transporta ao incrível mundo desses James Bonds tropicais, que ao contrário do agente secreto inglês têm ainda de enfrentar uma profunda penúria de recursos - técnicos e financeiros - enquanto desempenham seu trabalho perigoso e solitário. No início da década de 1990, Cuba criou a Rede Vespa, um grupo de doze homens e duas mulheres que se infiltrou nos Estados Unidos e cujo objetivo era espionar alguns dos 47 grupos anticastristas sediados na Flórida. O motivo dessa operação temerária era colher informações com o intuito de evitar ataques terroristas ao território cubano. De fato, algumas dessas organizações ditas “humanitárias” se dedicavam a atividades como jogar pragas nas lavouras cubanas, interferir nas transmissões da torre de controle do aeroporto de Havana e, quando Cuba se voltou para o turismo, depois do colapso da União Soviética, sequestrar aviões que transportavam turistas, executar atentados a bomba em seus melhores hotéis e até disparar rajadas de metralhadoras contra navios de passageiros em suas águas territoriais e contra turistas estrangeiros em suas praias. Em cinco anos, foram 127 ataques terroristas, sem contar as invasões constantes do espaço aéreo cubano para lançar panfletos que, entre outras coisas, proclamavam: “A colheita de cana-de-açúcar está para começar. A safra deste ano deve ser destruída. [...] Povo cubano: exortamos cada um de vocês a destruir as moendas das usinas de açúcar”. Em trinta ocasiões, Havana formalizou protestos contra Washington pela invasão de seu espaço aéreo por aviões vindos dos Estados Unidos - sem nenhum efeito. Enquanto isso, em entrevistas, líderes anticastristas na Flórida diziam explicitamente: “A opinião pública internacional precisa saber que é mais seguro fazer turismo na Bósnia-Herzegovina do que em Cuba”. Os últimos soldados da Guerra Fria narra a incrível aventura dos espiões cubanos em território americano e revela os tentáculos de uma rede terrorista com sede na Flórida e ramificações na América Central, e que conta com o apoio tácito nos Estados Unidos de membros do Poder Legislativo e com certa complacência do Executivo e do Judiciário. Ao escrever uma história cheia de peripécias dignas dos melhores romances de espionagem, Fernando Morais mostra mais uma vez como se faz jornalismo de primeira qualidade, com rigor investigativo, imparcialidade narrativa e sofisticados recursos literários.

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    Joao Antonio picture
    Joao Antonio18/07/2022Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Em um pequeno fragmento da História...

    Dois países, um curto momento histórico e um universo de histórias acontecendo. É impressionante que quando colocamos uma lupa para entender determinados fatos, eles crescem, se desdobram e ficam ainda maiscomplexos. Na verdade, tudo que envolve o ser humano é complexo, basta sabermos de onde estamos olhando. A relação Cuba x EUA é algo que eu sempre tive contato, seja pelos noticiários da TV (principalmente década de 90), seja por leituras. É um momento que se estende desde muito tempo. A história dos dois países é muito intrincada, mas a lente que Fernando Morais coloca aqui, enriquece bastante o recorte de história que ele escolheu contar. Aqui temos as medidas tomadas por Cuba para tentar diminuir as ações dos grupos Anticastristas, a criação de uma rede de espiões em solo norte americano (Rede Vespa) e as suas tentativas em se infiltrar nessas organizações e avisar ao governo Cubano quando haveria atividades delas. Ressalto que essas atividades iam muito além apenas da propaganda em si, sendo mostrados verdadeiros ataques terroristas a pontos turísticos cubanos (coisa que eu literalmente desconhecia e evito detalhar aqui para não estragar a experiência de alguém que se aventure a ler). Uma história e escrita que fazem inveja a muitos thrillers de espionagem, uma história contada pela perspectiva tanto dos agentes cubanos, dos mercenários contratados para executar os ataques, de membros do governo dos EUA (principalmente na Era Clinton) e das organizações Anticastristas. Isso tudo embalado pela escrita ágil e de ritmo cinematográfico do excepcional jornalista Fernando Morais, além de seu trabalho de pesquisa fenomenal, que inclue fotos, documentos, e esquemas super detalhados de como ocorriam tais operações. Uma leitura que recomendo muito, principalmente para quem quer usar sua lente de aumento e entender um pouco melhor essa relação entre os dois países.

    37 curtidas

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    4.3 / 582
    • 5 estrelas46%
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    Fernando Gomes de Morais profile picture

    Fernando Gomes de Morais

    Fernando Morais nasceu em Mariana-MG em 1946. É jornalista desde 1961. Trabalhou nas redações do Jornal da Tarde, Veja, Folha de S. Paulo e TV Cultura. Recebeu três vezes o Prêmio Esso e quatro vezes o Prêmio Abril de Jornalismo. Foi deputado estadual durante oito anos (pelo MDB-SP e depois pelo PMDB-SP) e secretário da Cultura (1988-1991) e da Educação (1991-1993) do Estado de São Paulo. É autor dos roteiros das minisséries documentais Brasil 500 Anos e Cinco dias que abalaram o Brasil, exibidas pelo canal GNT/Globosat. Escreveu, entre outros livros, Transamazônica (Brasiliense, 1970, com Ricardo Gontijo e Alfredo Rizutti), A Ilha (Alfa-Omega, 1975, reeditado pela Companhia das Letras em 2001), Olga (Alfa-Omega, 1985, reeditado pela Companhia das Letras em 1993), Chatô, o rei do Brasil (Companhia das Letras, 1994), Corações sujos (Companhia das Letras, 2000), Cem quilos de ouro (Companhia das Letras, 2002), Na toca dos Leões (Planeta, 2004) e Montenegro (Planeta, 2006). Tem livros traduzidos em dezenove países. Em 2001 Corações sujos recebeu o Prêmio Jabuti de Livro do Ano de Não-Ficção. Em 2004 Olga foi transformado em filme pelo diretor Jayme Monjardim, tendo sido visto por mais de cinco milhões de espectadores e indicado pra representar o país no Oscar de 2005. É membro do Conselho Político do jornal Brasil de Fato e do Conselho Superior da Telesur, TV pública latino-americana sediada em Caracas, Venezuela. É membro da Academia Marianense de Letras, onde ocupa a Cadeira nº 13, que teve como primeiro titular o presidente Tancredo Neves.

    21 Livros
    202 Seguidores
    Minas Gerais, Brasil

    Fernando Gomes de Morais