Premonições, vingança e traição: os dias dramáticos que antecederam a morte do maior general do Império Romano.
Aventuras na História Nº 73 (Agosto de 2009) - O assassinato de Júlio César
Abril
Agosto de 2009
"O assassinato de Júlio César" Tem ótimas ilustrações e faz síntese interessante do fato ocorrido em 44 a.C, que impactou os rumos da história na antiguidade. Em linhas gerais, a ascensão militar de César deu-lhe privilégios no senado, até então símbolo da republica romana. As decisões passaram a ser independentes e autoritárias, contrariando interesses dos senadores, que perderam força política diante do general. Algumas das ações que causaram descontentamento foram distribuição de terras para militares, concessão da cidadania romana para aliados estrangeiros, aumento do número de senadores e, principalmente, centralização do poder. Cenário que instigou plano para sua morte, em artimanha que visava reconhecimento público de eliminação de um tirano com restabelecimento da força e privilégios dos senadores. O plano não teve o desdobramento esperado e o contexto culminou no fim da república e surgimento de Roma como império. César levou 23 punhaladas e a morte é cercada de fatos reais e fictícios. Shakespeare contribuiu para percepção mitológica através de suas tragédias. E assim fizeram outros... Duas importantes observações foram ressaltadas: César cometeu erro em não eliminar adversários (como era comum) e sua morte não corresponde à luta pelos interesses do povo, mas essencialmente às ambições escusas dos senadores, em busca de privilégios perdidos. A história é até hoje metáfora ao jogo pelo poder entre aqueles que teoricamente representam os interesses do povo que, na realidade rotineira, matam e morrem por seus objetivos escusos. "Verão macabro" A reportagem que mais gostei! Sobre o final de semana de cinco amigos (na Suíça, em 1816) que, por conta do mau tempo, ocuparam o momento lendo e escrevendo contos de terror. As histórias deram origem a dois personagens lendários da literatura de horror: Frankenstein e Drácula. Mary Shelley steve presente, criando o esboço para o antológico "Frankenstein", desenvolvido e publicado dois anos depois, com estrondoso sucesso. Envolto em polêmicas também, pois a autora foi alvo de pensamento machista entre certos literatos, que não acreditavam no potencial de uma escritora para tal obra. "Drácula", o personagem como conhecemos foi oficialmente criado por Bram Stoker em 1897. Mas a idealização do vampiro sedutor, misterioso, nobre, dissimulado e psicopata, diferente da visão trash demoníaca que imperava, veio de um conto daquele fim de semana. A história teve desdobramentos surpreendentes, que dariam romance, HQ ou filme sobre o tal encontro (se é que já não tem)... Lord Byron, renomado escritor no contexto e um dos amigos do encontro, apresentou conto sobre nobre que se alimentava do sangue de suas vítimas. John Polidori, outro dos cinco, era assistente de Byron e escreveu conto também. O fato mais significativo entre os dois é que pouco tempo depois Polidori desentendeu-se com Byron e deliberadamente apropriou-se da ideia instigada no conto do antigo parão. Assim, em 1819, publicou "The vampyre", que teve muito sucesso, sobre um tal Lord Ruthven (ainda não li, mas dizem ser cagado e cuspido a idealização para Drácula). A história não finda aí, pois a obra foi inicialmente publicada com autoria atribuída a Byron. Possivelmente jogada de marketing, já que Byron era uma espécie de pop star e muitos viam nele a inspiração para Ruthven. O encontro gerou outros inusitados desdobramentos e obras, porém, os mais significativos foram os da origem de Frankenstein e Drácula. Será que não existe mesmo nenhuma obra em referência ao encontro... Deve ter e gostaria de conhecer. A dica de leitura que vou deixar em registro tem relação com a reportagem descrita anteriormente: "O vampiro antes de Drácula", organizada por Martha Argel e Humberto Moura Neto, publicada pela Aleph em 2008. É uma coletânea de textos sobre vampiros, começando pelo conto de John Polidori (outro que quero ler). "Divindade por acaso" Conta a história de origem dos rastafáris, como religião, e o deus (ou messias) que cultuam - o imperador da Etiópia do início do século 20 de nome Hailé Selassiè I. História cheia de coisas inusitadas... A origem remonta ao colonialismo escravocrata na Jamaica, em que escravos conheceram a Bíblia e valorizaram em especial as histórias do Antigo Testamento sobre a escravidão dos hebreus no Egito. Houve interpretação e direcionamento para o contexto africano e no início do século 20 um sujeito chamado Marcus Garvey começou a ensinar e organizar religião messiânica à espera de libertador, que surgiria como rei na África. Culminou de Salassiê tornar-se soberano da Etiópia em 1930, sendo interpretado como divindade que os rastafáris esperavam. A história tem realmente coisas inusitadas, pois o próprio Garvey desacreditou e condenou a postura do tal messias, quando este fugiu da Etiópia no contexto que antecedeu a Segunda Guerra, diante do ditador Mussolini. O texto informa também de corrupção e tirania no governo etíope e que Sallassiê desconsiderou a projeção que lhe davam, mas nada abalou os rastas em suas percepções, que passaram a ser de cunho mais tradicional, ganhando força em astros como Bob Marley. Curiosidade final: Tafari era nome de Sallassiê e 'Ras' significa príncipe. Portanto, etimologicamente Rastafari é alusão a Príncipe Tafari, Leitura na quarentena...
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