Uma impressionante viagem pelo cotidiano do negro brasileiro antes e depois da Lei Áurea.
Aventuras na História Nº 70 (Maio de 2009) - Escravidão
Abril
Maio de 2009
"Povo marcado" Sobre a representatividade prática do fim da escravidão no Brasil. Preconceito, marginalização, abandono e hábitos no antes e pós abolição foram aspectos abordados. A Lei Áurea não previu qualquer indenização diante de quadro desumano de 350 anos de exploração e violência a mais de 4 milhões de afrodescendentes. Não conhecia certa informação sobre Rui Barbosa... Depois da abolição, na condição de Ministro da Fazenda, deliberadamente mandou tocar fogo em documentos sobre a escravidão (registros de compras, vendas e correlatos). Particularidade envolta em polêmicas... Alguns alegam que teria tentado destruir oficialmente o passado vergonhoso da escravidão, enquanto que outros percebem estratégia contra os fazendeiros escravocratas, impedindo manobras de ressarcimento diante da perda dos escravos, como de fato ocorreu em pedido para o governo pouco depois. Não sei em que pé ficou, mas sem os documentos a ação foi dificultada. Seja como for, a principal medida seria de benefícios legais ao povo teoricamente liberto. O que não aconteceu.... "A lista de Aristides" Reportagem sobre Aristides de Sousa Mendes. Diplomata português na França que, em 1940, no processo da invasão nazista, contrariando as determinações legais, autorizou o visto de entrada para Portugal a milhares de judeus e imigrantes, que seriam oprimidos ou mortos na guerra. Há discordâncias nos números, mas estudiosos alegam mais de mil pessoas ajudadas. Por que os livros de história são tão obscuros em episódios como esse? A edição trouxe dicas valorosas de leitura e fiquei instigado por aquelas no contexto da Segunda Guerra Mundial: - "Um ato de liberdade", de Nechama Tec - conta a história de uma comunidade judia estabelecida na Bielo-Rússia, autossuficiente, com 1200 pessoas que lutaram contra a invasão nazista; - "Minha Segunda Guerra", de João Barone, do Paralamas e filho de pracinha da FEB -reúne vários artigos interessantes sobre a guerra; - "O Zoológico de Varsóvia", de Diane Ackerman - sobre a invasão nazista na Polônia, onde o respectivo zoológico serviu de refúgio para cerca de 300 judeus. Nas notas históricas, destaque para: "Anjos armados", sobre crianças integradas a exércitos para atender lutas interesseiras dos governantes. Foram citados países como Sudão, Uganda e Mianmar. Pelo que conferi na Net, esse quadro teria sido abolido por intervenções da ONU nas respectivas nações. Tomara mesmo... Foram citados também exemplos históricos e gostaria de acrescentar a "Cruzada das Crianças" (no século 13, em que crianças rumaram para Jerusalém, acreditando que libertariam do domínio muçulmano, mas acabaram mortas ou vendidas como escravas) e a "Batalha de Campo Grande" (no final da Guerra do Paraguai, em que Solano Lopes usou crianças e adolescentes como soldados, culminado em chacina pelos brasileiros, sob liderança do Conde D'Eu a mando do Dom Pedro II, em data lembrada hoje no Paraguai como o Dia das Crianças). No "Dito e Feito" achei mais interessante a etimologia para "Brincar de gato e rato". A expressão teria se originado no início do século 20, na Inglaterra, através das lutas das mulheres por seus direitos, como o voto. Eram comuns as prisões, seguidas de greve de fome das militantes, com as autoridades temendo que morressem e virassem mártir, por isso as liberavam, reiniciando-se depois as mesmas coisas, tal qual a brincadeira de força do gato com os ratos. Em verdade, a expressão também denota machismo. Legal o resumo ilustrado para "A mulher de trinta anos", de Balzac. Em linhas gerais, o amor entre Vandenesse e Júlia D'Aiglemont, ambos da mesma faixa etária, na casa de 30 (mas com o homem visto numa condição de juventude e a mulher de madura) ilustra a percepção feminina em olhar diferenciado, descobrindo-a superior a outras em várias virtudes, ilustradas no resumo com frases diversas do livro (trinta, para ser exato). Gostei disso! Finalizo com registro de falha da edição. Esta instiga o leitor com interessante e desconhecida pintura, supostamente chinesa, em que 103 personagens, de projeção histórica em vários segmentos, foram pintados. A falha é por não informar o nome e autor da obra. Gostei da brincadeira de identificação e reconheci algumas figuras (menos de 10, está lá até o Pelé). Também pesquisei e descobri o nome da obra e autores, que representou certo desafio, pois a revista nada informou de concreto. O nome é "Discutindo a Divina Comédia com Dante", de autoria de Dai Dudu, Li Tieze e Zhang An. Na Net encontramos facilmente a pintura e o nome de todos os homenageados. ...E nada de novidades positivas sobre o isolamento imposto pela Covid-19, onde cocluí mais essa leitura. Ah, tem sim! Deus é maior e guia-nos para a superação e vitória!
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