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    O Sincronicídio - Sexo, morte e revelações transcendentais

    Shiva

    Caligo
    2013
    520 páginas
    17h 20m
    ISBN-13: 9788567006000
    Português Brasileiro
    4.4
    72 avaliações
    Leram76Lendo7Querem142Relendo0Abandonos2Resenhas21
    Favoritos17Desejados142Avaliaram72

    Esta é uma história que vai desafiando o leitor aos poucos, matreiramente, conquistando primeiro sua confiança antes de conduzi-lo a voos cada vez mais altos da imaginação. O SINCRONICÍDIO é um romance policial à sua maneira, que consiste em misturar todas as outras: as refinadas charadas do whodunit são apresentadas em meio a truculentas cenas noir, e o clássico mistério do quarto fechado é servido de modo a atender ao gosto moderno pela escatologia. Ocorre que esta é uma obra de muitas camadas, múltiplas possibilidades de interpretação. Não é exagero afirmar que nunca antes uma história policial foi contada dessa maneira. Quanto ao estilo, a narrativa segue o padrão essencial do folhetim, finalizando cada segmento do texto em suspense, de forma a instigar o leitor a prosseguir com a leitura. Quanto à estrutura, este é um livro que escapa aos padrões, ao se propor como interseção literária entre dois ricos universos semânticos: o xadrez e o I Ching. O SINCRONICÍDIO é dividido em 64 capítulos apresentados fora da sequência numérica, cada qual representado pelo correspondente hexagrama do I Ching, o Livro das Mutações, milenar oráculo chinês. O hexagrama é apresentado ao início do capítulo em uma engenhosa adaptação para o xadrez, que substitui as linhas yang e yin pelas casas brancas e negras do tabuleiro, sinalizando as linhas móveis através de peças que ocupam as respectivas casas. O resultado são verdadeiros “poemas enxadrísticos”, uma curiosidade a mais para o leitor comum e um deleite para os entusiastas do Jogo dos Reis. O livro estruturado dessa forma, ao mesmo tempo em que propicia ao leitor uma apresentação original e atraente para a sua história, revela também afinidade com um alto anseio literário: expressar, através do romance, a totalidade da vida em sua complexidade. Pelo mesmo motivo, à semelhança de obras como Ulisses de James Joyce e Mrs Dalloway de Virginia Woolf, a história toda acontece em um único dia, o dia do Sincronicídio.

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    Fabio Shiva picture
    Fabio Shiva01/12/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    só para quem gosta de sexo, morte e revelações transcendentais…

    Em agosto deste ano participei de um podcast da Editora Caligo, celebrando os 8 anos de lançamento do livro “O Sincronicídio: sexo, morte & revelações transcendentais” (https://youtu.be/S-abB--K-u8). Foi uma conversa muito divertida, que rendeu boas risadas, mas lá pelas tantas a querida Bia Machado, editora da Caligo, resolveu me chamar na chincha, cobrando a entrega (inúmeras vezes adiada) da versão digital do livro. Sou muito grato por essa carinhosa chamada, que me fez tomar tenência e finalmente dar conta do recado. Como todo escritor bem sabe, tem certas coisas que só saem sob pressão… Uma vez que eu teria que encarar as mais de 500 páginas repletas de figuras do livro físico para convertê-las em um e-book, resolvi fazer logo o serviço completo, aproveitando para revisar mais uma vez o texto. Desde que finalizei a primeira redação do livro em 2011, essa deve ter sido a enésima segunda revisão que fiz em “O Sincronicídio” (sendo que a anterior foi feita por volta de 2015, ou seja, há cerca de 6 anos). Não me surpreendi em encontrar, aqui ou ali, algo que senti vontade de modificar. Estranho seria ler um texto escrito por mim sem querer mexer em nada. O que me causou surpresa mesmo foi o tanto de novas reflexões e descobertas que essa leitura me proporcionou. São esses pensamentos que quero compartilhar aqui, por acreditar que podem ser úteis não só a outros escritores, como a todos que se interessam pelos bastidores da literatura. Um grande romance policial… só que não! Desde que “O Sincronicídio” foi lançado, em 2013, graças a Deus já perdi a conta das vezes em que falei do livro em entrevistas, palestras, lives e em qualquer outra oportunidade, cabível ou não. Em todas essas ocasiões eu sempre repetia, com pequenas variações, uma determinada fala que era mais ou menos assim: “o livro presta uma grande homenagem ao romance policial, fazendo referência aos principais estilos do gênero, desde o ‘whodunit’ da história clássica de mistério até a escatologia dos romances mais modernos, passando pela pancadaria e sensualidade do ‘noir’.” Pois acredite quem quiser, mas só agora me dei conta do quanto essa é uma definição pobre e fundamentalmente traidora de meu próprio livro. “O Sincronicídio” é realmente a deliberada mistura das muitas nuances do romance policial, gênero que amo de paixão desde meus 11 anos, quando fui traumatizado irreversivelmente pela leitura de “O Caso dos Dez Negrinhos”, de Agatha Christie (fiquei uma semana sem dormir direito, tremendo de medo debaixo do lençol). Um dos referenciais icônicos que fiquei especialmente orgulhoso de ter conseguido inserir em minha história foi o chamado “mistério do quarto fechado”, muito em voga durante a era dourada do romance policial, chegando a existir um escritor especializado nesse tipo de narrativa: John Dickson-Carr. Contudo “O Sincronicídio” é bem mais que uma história policial, apresentando muitos outros elementos, sendo que alguns deles seguramente seriam considerados transgressões às famosas “regras do romance de mistério”. Lembro que cheguei a cunhar um mote para me nortear na concepção da trama: “As bodas alquímicas entre Isaac e Agatha, com as bençãos de Padre Hermann.” Ou seja, esse livro nasceu com a proposta de ser uma mescla de ficção científica (simbolizada pelo noivo Isaac Asimov) e romance policial (representada pela noiva Agatha Christie), com toques de espiritualidade (aqui entram as bençãos de Hermann Hesse). Seria exaustivo listar aqui, mas coloquei no livro incontáveis referências mais ou menos explícitas a essa trindade Asimov-Christie-Hesse. Fora isso, de cara temos a estrututura dos capítulos, que surgiu a partir da aplicação de um problema clássico de xadrez, o “Passeio do Cavalo” (como fazer a peça do Cavalo percorrer todas as 64 casas do tabuleiro de xadrez sem repetir nenhuma?) aos 64 hexagramas do “I Ching”, o milenar oráculo chinês. O “Livro das Mutações”, aliás, é outra de minhas (muitas) obsessões, que antes do livro inspirou também a concepção do jogo multimídia inserido como faixa bônus na ópera rock “VIDA: The Play of Change”, da banda Imago Mortis (https://youtu.be/1sUIUyCTLnk). Só por essa doideira de misturar xadrez com I Ching não daria para chamar esse livro simplesmente de romance policial. Mas ainda tem muito mais: viagens no tempo, seres reptilianos, uma corporação secreta empenhada em dominar o mundo… além de uma tal de moedinha invisível que é colada na base da coluna vertebral, transformando as pessoas em autênticos robôs (escravos, na acepção original da palavra “robôs”). Isso para não falar das mais bizarras cenas de sexo que fui capaz de imaginar, e que até hoje me fazem corar de vergonha quando fico sabendo que determinada senhorinha ou outra pessoa “respeitável” está lendo o livro! (Aliás, para quem se escandalizou com tanta putaria da grossa, fica aqui a chave do enigma: todas as cenas de assassinato foram escritas com a sensualidade associada a cenas eróticas, enquanto as cenas de sexo receberam o narrativa brutal normalmente reservada à descrição dos crimes de morte.) Mas o que será que estava passando pela minha cabeça quando decidi rotular “O Sincronicídio” como um romance policial? Como publicar seu primeiro livro no Brasil Calma, que eu explico! Levei quatro anos escrevendo e dois anos tentando publicar “O Sincronicídio”. Esse tempo todo que gastei na escrita é devido a um simples motivo: por ser o meu primeiro livro, eu queria fazer algo sensacional. Não por uma questão de vaidade (sinceramente), mas de vocação: queria descobrir, como Chico Buarque antes de mim, “se nasci pra enfrentar o mar ou faroleiro”. Eu desejava saber, de todo coração, se havia ou não em mim o material de que são feitos os escritores. Foi por isso que caprichei tanto nesse primeiro livro. E foi justamente esse capricho todo que me fez passar os dois anos seguintes batendo de porta em porta em busca de uma editora. Pois a cada negativa que eu recebia, fui aos poucos entendendo o que estava dificultando a publicação: – Seu livro tem páginas demais. – A trama é muito complexa. – Esse negócio de xadrez, de I Ching, isso assusta os leitores. – Onde já se viu, anunciar desde o primeiro capítulo que o herói morre no fim? – Não tem um livro mais fininho, não? É por essas e outras que sinto gratidão imorredoura pela coragem de Bia Machado, que fez de “O Sincronicídio” o primeiro livro publicado pela Caligo Editora. E por todo apoio e incentivo de minha querida amiga Elda Araujo, que não me deixou desacreditar de mim. Mas todas essas rejeições acabaram me deixando meio cabreiro, achando que o leitor era um bicho mais assustadiço que um camundongo, mais medroso que um coelhinho e mais preguiçoso que… bem, que um bicho-preguiça! Fiquei firmemente convencido de que ao menor sinal de desafio ou esforço intelectual, meus leitores em perspectiva fugiriam espavoridos, abandonando-me à triste sina de autor que ninguém lê. E foi por isso que fui deliberadamente ocultando a exuberância de meu livro, simplificando e resumindo, de forma a fazer a obra caber no relativamente inofensivo epíteto de “romance policial”. Só me dei conta disso agora, e finalmente entendi uma fala do querido amigo escritor Sergio Carmach, que futuramente iniciaria a linda aventura da Verlidelas Editora, onde tive a ventura de publicar meu segundo romance, “Favela Gótica” (https://www.verlidelas.com/product-page/favela-g%C3%B3tica), entre outros. Conheci Sergio justamente em 2013, quando estava lançando “O Sincronicídio”. Ao ver o book trailer (https://youtu.be/Vr9Ez7fZMVA) do lançamento, ele comentou: “Ficou muito bom, mas não faz jus ao livro”. Por fim, a redenção! E hoje, então, percebi que eu mesmo também não fiz jus a “O Sincronicídio”. Tentando tornar meu primeiro filho agradável ao gosto mediano das pessoas, fui injusto com ele, negando a sua principal virtude: a originalidade. Hoje, 8 anos depois, já guardo em meu coração a resposta à pergunta existencial de Chico: sim, nasci pra enfrentar o mar. Graças a Deus, sei que sou um escritor em cada célula de meu ser. Continuo almejando ser lido e entendido, que é uma das alegrias mais sublimes que pude experimentar nesta vida. Mas agora sei que agradar ao leitor acima de tudo nunca poderia ser a meta principal de um escritor com meu tipo específico de vocação. Escrevo para descobrir, em mim mesmo, tudo o que há de ruim e que não presta. Assim espero me tornar, pela escrita, uma pessoa melhor. Com um pouco de habilidade e muita sorte, o leitor também se beneficia desse processo de iluminar sombras. Mas isso depende, em larga medida, da disposição de quem lê (ou não). E é por isso que hoje me permito essa redenção com meu primogênito. Se o livro é bom ou ruim, não me cabe dizer (embora eu continue achando ótimo!). Mas posso encher a boca para dizer, com todas as letras: “O Sincronicídio” é um livro único, diferente de todos os outros. Gratidão por isso. O SINCRONICÍCIO (e-book): https://www.amazon.com.br/dp/B09L69CN1J O SINCRONICÍCIO (livro físico): https://caligo.lojaintegrada.com.br/o-sincronicidio-fabio-shiva https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2021/12/so-para-quem-gosta-de-sexo-morte-e.html

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    Fabio Shiva

    Fabio Shiva nasceu em Salvador, Bahia. Aos 8 anos começou a apresentar o programa Chão e Paz na TV Itapoan / TV Aratu. Três anos depois, com a ida da família para o Rio de Janeiro, aposentou-se da carreira de apresentador infantil. No ano seguinte teve sua iniciação literária com a publicação do poema “Terra” em uma antologia. De lá para cá participou de outras coletâneas de contos e poemas. Aos 16 anos tornou-se professor na Escola de Música Santa Cecília e com a mesma idade ingressou na Faculdade de Comunicação da UERJ, onde se formou, tendo cursado também Ciências Sociais na UFRJ e Psicologia na UERJ. Trabalhou como ghost-writer em livros de astrologia e como revisor em diversas publicações. Como alguns de seus escritores favoritos, exerceu diversas outras profissões: camelô, body piercer, analista de RH, corretor imobiliário, diagramador, produtor cultural, secretário social, radialista, compositor de jingles políticos. Essas atividades ocorreram em paralelo à carreira musical, iniciada com a banda Imago Mortis em obras como o aclamado VIDA – The Play of Change, disco que foi considerado um dos melhores lançamentos do rock pesado nacional. Hoje toca baixo nos Mensageiros do Vento (www.mensageirosdovento.com.br), em fase de produção de ANUNNAKI (http://youtu.be/tJhDrVK-BOQ), a primeira ópera-rock em animação brasileira. Fundou a Comunidade Resenhas Literárias (http://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com.br/), que já fez circular mais de 1.500 livros pelo país. É facilitador da Oficina de Violão (http://oficinademuitamusica.blogspot.com.br/)na Casa da Música, APABB e Instituto Daniel Comboni. Já ministrou também a oficina de Meditação para Crianças (http://youtu.be/lHSsHka-k_8), e as duas oficinas estão sendo transformados em livros. Em parceria com Fabricio Barretto escreveu o livro de literatura/filosofia MANIFESTO – Mensageiros do Vento (www.mensageirosdovento.com.br/MANIFESTO_2012__mensageiros_do_vento.pdf). Tem pronto um livro de contos: ISSO TUDO É MUITO RARO.

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    Fabio Shiva