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    O Paradoxo Amoroso - Ensaio Sobre as Metamorfoses da Experiência Amorosa

    Pascal Bruckner

    Difel
    2011
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-10: 8574321109
    Português Brasileiro
    4
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    Em 'O Paradoxo Amoroso', Pascal Bruckner apresenta a evolução do sentimento do amor, da relação entre casais, da liberdade sexual e do erotismo. Ele procura desenvolver o tema por meio de uma linguagem clara e com várias matizes. Escolher quem se ama, amar quem se quer. Para chegar a essas liberdades que podem parecer evidentes, foi necessária uma revolução do sentimento, iniciada no século XVIII. Mas esses direitos tão duramente adquiridos têm um preço - Como o amor, que prende, pode se adaptar à liberdade, que separa? Esse é considerado o dilema do casal contemporâneo, que venera tanto a paixão quanto a independência. Neste livro, Bruckner conta, por meio de metamorfoses do casamento e do erotismo, a resistência do sentimento a todas as doutrinações.

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    Ana Paula Mendes05/09/2012Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O tempo e o amor.

    "Eis-nos submetidos, hoje, (...) a uma exigência contraditória: amar apaixonadamente, se possível ser amado do mesmo jeito, mas permanecendo autônomo." (página 35) Como viver com o paradoxo do amor, que prega a entrega da paixão e a busca da liberdade? Através de seu ensaio, o filósofo francês fala sobre as metamorfoses do amor na vida da sociedade nos últimos anos. Em que mudamos? "Eros era um deus para os Antigos; para os Modernos, espera-se que faça de nós deuses." (pág 32) E quem são os personagens de uma vida amorosa, num mundo em que as relações se constroem/descontroem continuamente? O ex, os enteados, os filhos de vários relacionamentos, as relações homoafetivas, as barrigas de aluguel. "... estamos em plena criação de novas formas familiares, vivendo a angústia da transição." (pág 148) E mesmo nessa vida familiar tão complexa, ainda é possível amar e celebrar. "Eu celebro a superexcitação que o outro suscita em mim e protesto contra a desordem que ele me mergulha." (pág 75) Novo paradoxo? Sim. Mas então, é ruim apaixonar-se? "Apaixonar-se é dar relevo às coisas, encarnar-se de novo na densidade do mundo e descobri-lo mais rico, mais consistente do que suspeitávamos." (pág 82) "Amar é antes de mais nada subtrair um ser da comunidade humana, desertificar o mundo e não saber de nada que não seja ele." (pág 86) Como humanos, porém, somos passíveis de erros, de falhas: "Não somos nem heróis nem santos, somos simples humanos com capacidade de dedicação limitada." (pág 119) E mesmo com essa limitação, ainda podemos sonhar, amar e ser felizes. Viver pode não ser fácil, mas com motivos para amar se torna bem mais interessante. http://cantinhodaleitura-paulinha.blogspot.com.br/2012/08/o-paradoxo-amoroso.html

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    Pascal Bruckner profile picture

    Pascal Bruckner

    é um escritor consagrado, com mais de 15 livros importantes publicados e traduzidos em vários países. Analista de temas de impacto no cotidiano das sociedades pós-modernas, hipermodernas ou da modernidade tardia, ele só poderia figurar na seleta lista de palestrantes do ciclo Fronteiras do Pensamento, com apoio da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Bruckner fez parte do chamado grupo dos “novos filósofos", junto com Alain Finkielkraut, Bernard-Henri Lévy e André Glucksmann, uma turma de pensadores, “filhos de maio de 1968", que atacou o marxismo, o estruturalismo e os totalitarismos de esquerda e de direita num tempo em que as ditas utopias revolucionárias ainda incendiavam a imaginação de estudantes e de intelectuais dispostos a mudar o mundo. Um dos seus temas mais relevantes é o do culto à felicidade. Em A euforia perpétua, ensaio sobre o dever da felicidade (2002), ele investiu contra um dos pilares do senso comum pós-1968: o imperativo categórico, a obrigação de ser feliz, um imaginário que gera frustração e depressão. Essa perspectiva também é sustentada por outro filósofo francês, Gilles Lipovetsky, em A sociedade da decepção (2008), e pelo célebre romancista Michel Houellebecq em Extensão do domínio da luta (2002). Bruckner está em sintonia com o seu tempo e com a sua cultura. Se antes de 1968 as noções de dever e de sacrifício determinavam os comportamentos e produziam infelicidade, depois das revoltas estudantis que abalaram o mundo, impôs-se uma espécie de liberação total e de obrigação de satisfazer todos os desejos. A mídia passou a ter papel determinante na produção e consolidação dessa visão de mundo. Não ser feliz, conforme os padrões dominantes, tornou-se sinônimo de fracasso e de crise existencial. Bruckner usa a ficção e o ensaio para pensar sobre problemas contemporâneos. Não teme fazer uma ficção ensaística. Já ganhou importantes prêmios literários franceses como o Médicis (1995) e o Renaudot (1997). O que é a felicidade? Como encontrá-la? O que fazer com ela? Pascal Bruckner indica que as pessoas têm dificuldade para definir felicidade, o que as deixa confusas em relação ao que buscar, ficam apáticas depois de conquistar alguma das supostas marcas da felicidade e desenvolvem temores de todo tipo, tornando-se frágeis por medo de perder, de não estar à altura das expectativas sociais e por comparação com outras pessoas pretensamente mais felizes. A felicidade teria passado a ser um atestado de êxito na sociedade. Não ser feliz equivaleria a não ser bem-sucedido, a ser um fracassado. Outro tema recorrente de Pascal Bruckner é o amor. Em O Paradoxo Amoroso - Ensaio sobre as Metamorfoses da Experiência Amorosa (2011), ele sustenta que os amantes de hoje sofrem por excesso e não por falta. Quando tudo se torna possível e permitido, diariamente estimulado, a rotina e o tédio espreitam cada romance. Como renovar a experiência afetiva num universo de esgotamento das relações pela banalização dos rituais, dos limites e dos sonhos? Michel Houellebecq fala na sexualidade como um sistema de hierarquia social. Não é incorreto sugerir que para Pascal Bruckner a felicidade é um sistema implacável de distinção social com forte influência da mídia e da indústria cultural, temas que têm sido estudados pelos pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUCRS nas suas investigações de estudos culturais, imaginário e espetacularização da sociedade. O professor Francisco Rüdiger, por exemplo, é autor de O amor na mídia – problemas de legitimação do romantismo tardio (2013), obra na qual aborda a procura incessante das pessoas pelo bem-estar orientado, essa era do terapêutico, do desenvolvimento pessoal, dos manuais de autoajuda e do culto ao corpo perfeito e da obrigação de realizar-se inteiramente. De maneira sutil, Pascal Bruckner relança uma velha questão: tudo na vida se tornou, como denunciava Guy Debord, mercadoria? A felicidade é um produto a ser comprado e consumido?

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