Suzana Vargas é o que poderíamos chamar de uma personalidade poética. Já é claro e sabido que Suzana é uma poeta que se sobressai no quadro da produção literária destas duas últimas décadas. Mas o que eu estou sugerindo é que a poesia para esta autora não se confina no poema ou, melhor dizendo, à prática de escrever poemas. Formada numa geração que trazia como bandeira a fragilização programática das fronteiras entre poesia e vida, Suzana parece ter conseguido trabalhar e viver a poesia com curiosa facilidade. Ou, como explica em Subsolo: "Quando eu ficar melhor, pareço/pra um poema."(...) Foi ligada nesse seu talento distintivo de imersão total no universo literário que me aproximei de Caderno de Outono. Fiquei comovida. Seus poemas dizem a personagem Suzana Vargas. Uma poesia que se espraia e permeia seu olhar, seu seguro controle de linguagem, seu universo feminino. Não é à toa que a poeta confessa: "Entre a chuva e o resto de feijão/na vasilha/escrevo um verso". Não será ainda à toa que me reconheço tão profundamente em Fio fátuo: "Não me confino mais/às curvas da cozinha/pois há muito/saí da casca dos tomates/e me cortei sozinha".
Caderno de Outono e outros poemas -
Suzana Vargas
Relume Dumará
1998
158 páginas
5h 16m
ISBN-10: 8585869240
Português Brasileiro
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