Na obra "Ássia" de Ivan Turgueniev, vivemos com o protagonista a esperança de superar um amor que não vingou inicialmente. Depois, torcemos para que ele reconheça seu amor e interesse pela menina Ássia. É cruel para o leitor acompanhar esses sentimentos crescendo, sendo uma felicidade para N., e no final, ele não consegue expressar tais sentimentos. Por outro lado, temos Ássia, que consegue revelar abertamente seus sentimentos, talvez de maneira imatura, mas nos passando a lição de como é importante sermos fiéis a nós mesmos, à nossa essência e, principalmente, aos nossos sentimentos. N., por sua vez, consegue se conectar aos seus sentimentos após se deparar com o sentimento da perda, que, por sinal, irá lhe acompanhar por longos anos.
Essa obra me lembrou muito "Noites Brancas" de Fiódor Dostoiévski, especialmente no que diz respeito aos desfechos não convencionais das relações amorosas. Ao retratar finais não convencionais e desfechos que refletem a ambiguidade da vida real, esses autores oferecem aos leitores uma representação mais autêntica das relações humanas. Embora o "felizes para sempre" seja uma ideia atraente e frequentemente presente em contos de fadas e romances convencionais, a realidade da vida muitas vezes é mais complexa, repleta de desafios e incertezas.
"O que despertou em mim foi uma sede de felicidade. Ainda não ousava chamá-la pelo nome - mas era felicidade, uma felicidade que sacia - era isso o que eu queria, era por isso que eu ansiava..." (p.43)