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    O mundo de Homero -

    Pierre Vidal-Naquet

    Companhia das Letras
    2002
    142 páginas
    4h 44m
    ISBN-10: 8535902058
    Português Brasileiro
    4
    173 avaliações
    Leram279Lendo25Querem246Relendo4Abandonos3Resenhas9
    Favoritos11Desejados246Avaliaram173

    Este livro do historiador francês traz a síntese dos conhecimentos atuais a respeito do mundo em que o Homero, criador da Íliada e Odisséia, teria vivido. A leitura é muito fácil e agradável, o autor usa muitas perguntas retóricas ao longo do livro, que é ricamente ilustrado em cores, com objetos de arte grega, que representam cenas dos poemas épicos. Assim conseguimos descobrir um pouco sobre a Grécia que inspirou e influênciu Homero.

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    jota 1110/10/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    BOM (principalmente para interessados em Grécia Antiga, questões homéricas)

    Ao findar o livro do francês Pierre Vidal-Naquet o que vem à mente do leitor é que parece haver mais dúvidas e perguntas a se fazer acerca de Homero e seus dois poemas do que certezas para quem pretende conhecer o passado grego clássico através de suas obras, Ilíada e Odisseia. O mesmo acontece finda a leitura de outro volume importante sobre o mesmo assunto, O Mundo de Ulisses, do historiador anglo-americano Moses I. Finley, que me pareceu leitura mais atraente e profunda do que este O Mundo de Homero. De todo modo, mesmo acreditando que um homem chamado Homero tenha existido de fato, tanto Finley quanto Vidal-Naquet pensam que os dois poemas épicos foram obra de mais de um homem, não apenas de um único autor, mas até mesmo de múltiplos autores. Além do que, é bom lembrar que Homero (ou Homeros, na hipótese de ele ser mais de um autor, conforme a maioria dos especialistas aceita) não era um historiador, mas um aedo, um poeta cantor (ou aedos, poetas cantores). E que tenha vivido cerca de quatro séculos após os acontecimentos que narra em suas obras. Grosso modo a Ilíada (referência a Ilion, ou Troia) gira em torno do décimo e último ano da guerra de Troia e tem como personagem central Aquiles, aquele do calcanhar vulnerável, o mais valoroso dos guerreiros gregos. Por seu lado, a Odisseia trata do retorno de Ulisses a Ítaca, depois dessa mesma guerra, fato que lhe consumiu dez anos. Todas essas questões são esmiuçadas por Vidal-Naquet, hipóteses são levantadas, afirmações são confrontadas com objetos que foram descobertos em escavações etc. Ou seja, até certo ponto os poemas podem sim, constituir fontes historiográficas para o estudo da Grécia clássica. Foi mais ou menos isso que deduzi, da mesma forma que me ocorreu quando findei a leitura do livro de Finley tempos atrás. O Mundo de Homero segue nesse tom e Vidal-Naquet vai colocando para o leitor, sempre com base nos dois poemas e também recorrendo a outros autores clássicos gregos (Finley, no caso, se refere a Ésquilo, Heródoto, Sócrates), questões que envolvem história e geografia da antiga Grécia, a distinção entre gregos e troianos, como se dava a guerra, a morte e a paz entre eles, o culto aos deuses e como as divindades agiam sobre os homens (a favor, contra ou muito pelo contrário), a vida nas cidades gregas, seus habitantes, a estratificação social (reis, artesãos, mendigos), a poesia etc. Conforme vai explicando as coisas, o autor associa seu texto a imagens de objetos, esculturas, restos arqueológicos etc.: são várias páginas com belas ilustrações para o leitor desfrutar. Ele finaliza a obra com um capítulo intitulado As questões homéricas. Nesse capítulo, o nono, Vidal-Naquet diz que tem de ser mais preciso, ou seja, vai concluir o livro, então volta à questão da autoria dos poemas, das modificações que os textos podem ter sofrido porque eram transmitidos oralmente, se antes de Homero havia outros poetas épicos, também examina outras obras que seriam a “continuação de Homero”, como ele afirma. Enfim, passa por 1922, ano da publicação do gigantesco romance de James Joyce, Ulisses, e termina em 1992 citando Omeros, poema do escritor antilhano Derek Walcott, ganhador do Nobel naquele ano, “que transforma os personagens de Homero em pescadores das ilhas Caraíbas falando um inglês com influência crioula e francesa”. É isso, então: a odisseia continua... E a Ilíada também. Lido entre 04 e 08/10/2020.

    8 curtidas

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    Pierre Emmanuel Vidal-Naquet

    Pierre Emmanuel Vidal-Naquet (Paris, 23 de julho de 1930 ; 29 de julho de 2006) foi um historiador e intelectual francês, de origem judaica. Durante a Segunda Guerra Mundial, ainda adolescente, participou da resistência contra a ocupação nazista na França. Seus pais foram presos pela Gestapo e assassinados no campo de concentração de Auschwitz. Era especialista em Grécia Antiga, mas também tinha interesse pela História Contemporânea, particularmente pela Guerra da Argélia (1954-1962) (durante a qual se posicionou contra à prática de tortura do exército francês), assim como pela História Judaica. Pronunciou-se contra a guerra do Vietnam, e as sucessivas guerras no Iraque foram também objeto de sua crítica e condenação. Criticou também a situação dos palestinos em Gaza e na Cisjordânia, e a atitude do governo de Ariel Sharon, a quem qualificava de criminoso e racista. Participou com Michel Foucault e Jean-Marie Domenach da fundação do Groupe d'information sur les prisons (GIP), que se preocupava com a situação das prisões na França, e foi crítico do revisionismo histórico e do holocausto.

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    Pierre Emmanuel Vidal-Naquet