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    A crônica dos Wapshot -

    John Cheever

    Companhia de Bolso
    2011
    312 páginas
    10h 24m
    ISBN-13: 9788535919417
    Português Brasileiro
    4.3
    56 avaliações
    Leram74Lendo5Querem86Relendo1Abandonos3Resenhas4
    Favoritos2Desejados86Avaliaram56

    Primeiro romance de John Cheever, A crônica dos Wapshot é o retrato de uma família tradicional e decadente da Nova Inglaterra, cenário dileto das narrativas ácidas e minimalistas do autor, um dos maiores contistas americanos do século XX. Primeiro romance de John Cheever, A crônica dos Wapshot é o retrato de uma família tradicional e decadente da Nova Inglaterra, cenário dileto das narrativas ácidas e minimalistas do autor, um dos maiores contistas americanos do século XX. Na pequena e depauperada cidade de St. Botholphs, o patriarca da família Wapshot é operador de balsa, o que não é um grande emprego para quem descende de lendários comandantes de navio, mas ele vai levando a vida com a esposa e os filhos. Os filhos crescem, deixam a casa dos pais para começar vida própria em Washington e Nova York, e a narrativa passa a girar em torno deles. Os dois parecem reconquistar o lugar "de direito" da família, mas o individualismo exacerbado e a vacuidade de suas existências são a tônica desta que é uma das grandes narrativas familiares do século XX.

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    Arsenio Meira11/01/2014Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    AS PESSOAS

    John Cheever escreveu sobre pessoas. É forte, tenso, ritmado, gritantemente luminoso o tom da sua prosa. Não há como fugir da poesia que escorre espontânea dos seus parágrafos."Até Parece o Paraíso", um outro livro do grande Cheever editado pela Companhia Das Letras, recebeu de John Upidike as seguintes observações, publicadas na conceituada The New Yorker: “Encantadora comédia suburbana, tão direta que chega a nos desarmar. Cheever exalta a sublime poesia da vida. Na criação de imagens e acontecimentos é um escritor sem igual na ficção americana contemporânea”. O nosso Magistral CAIO FERNANDO ABREU, em crônica publicada em um livro póstumo chamado "A VIDA GRITANDO NOS CANTOS", diante da qualidade sublime do seu texto, advertiu-nos com sua própria veia poética sobre a necessidade de se ler Cheever. Diante de tais credenciais, não é aconselhável deixar passar tudo isto em brancas nuvens. O romance A Crônica dos Wapshot, que a crítica estadunidense considerou um dos "cem melhores romances da língua inglesa" rendeu a John Cheever o importante prêmio National Book Award de 1958. Mais três importantes prêmios foram conquistados: em 1978 o prestigioso Prêmio Pulitzer e a Medalha Edward MacDowell; em 1981 a National Medal for Literature. John Cheever é um desses homens que sabe dobrar, torcer, aplainar palavras e, assim, tornou-se um escritor que, como bem reparado há bastante tempo por John Updike, escrevia “como com a pena da asa de um anjo”. Updike só esqueceu de dizer que, em geral, Cheever preferia usar a pena de um anjo meio soturno. Uma das premissas do livro, também apresentada logo de início, é o hábito dos Wapshot de manterem diários, maneira pela qual se resgataram todas as histórias dos personagens e de seus dramas internos e familiares. St. Botolphs, a localidade em que se desenrola a trama, era “uma velha cidade à beira-rio” e um antigo porto de Boston, no Estado de Massachussets, onde sobrara apenas “uma fábrica de talheres e algumas poucas pequenas indústrias”, uma localidade na qual ainda se vivia da pesca e de um turismo incipiente — com passeios de barco, lojas de quinquilharias e decadentes casas de veraneio. A história finalmente se desenvolve quando Moses e Coverly, dois rapazes provincianos e oriundos de uma família tradicional da cidade, deixam a casa de seus pais e seguem, respectivamente, para Washington e Nova York em busca de emprego. Neste romance, a classe média americana não aparece com tanta nitidez; a fatura literária demonstra retrata as transformações profundas e as constatações cruéis que serão experimentadas pelos jovens Moses e Coverly, os últimos Wapshot, filhos de Leander Wapshot, primos de Honora. Essa matriarca, muito embora sem marido ou filhos, uma mulher voluntariosa e inflexível, “altiva e absurda” em testamento determinara que todas as propriedades e bens dos Wapshot somente seriam entregues a Moses e Coverly contanto que eles tivessem filhos homens. Se isso não acontecesse, doaria tudo para as obras de caridade. A partir daí, riqueza e futuro familiar estando a depender da virilidade de dois jovens, toda a angústia que envolve uma doação condicional seria pouca nos semblantes dos personagens e todos os acontecimentos seriam sempre postos à luz desta sua disposição de última vontade, irrevogável e imperativa. Enquanto Leander traz um peso de dramaticidade, agarrando-se ao barco S .S. Topaze, no qual ganhava a vida fazendo passeios ao longo do rio na direção da baía de Boston e de suas ilhas, afastando-se de seu passado comprometedor e tentando conviver com sua esposa Sarah, de personalidade estritamente prática e objetiva, os rapazes Moses e Coverly enfrentam a perda da identidade natal nas metrópoles e curiosamente se deparam com dificuldades igualmente surpreendentes e inusitadas no cumprimento dos desígnios da prima Honora e na busca de sua própria realização pessoal e profissional, distantes do ninho familiar e das referências sociais. O desdobrar da experiência de Moses e Coverly, entremeada com os textos do diário de Leander, captura com precisão a ideia de continuidade e permanência da saga dos jovens americanos, para conquistar identidade, pertencimento, lugar, emprego, sobrevivência e, se possível, independência, dinheiro, um trabalho pouco humilhante e alguma estabilidade financeira. Neste romance, John Cheever exibe com maestria a profundidade de sua narrativa, a destreza na dissecação da psicologia; o ânimo do ser humano, sua miséria e sua glória — o que lhe rendeu o título de “novo Tchekhov” —, além do conhecimento profundo da história e geografia dos portos de Boston. Sua enorme criatividade ficcional, revela-se na formulação dos diversos personagens que Leander, Moses e Coverly encontrariam em suas ilíadas e odisseias pessoais, ao lado das mulheres por quem se apaixonaram, Sarah, Melissa e Betsey. O romance prende o leitor de tal modo que a certa altura começa-se a duvidar da própria possibilidade de Moses e Coverly realmente conseguirem fazer algo aparentemente simples — gerar filhos homens para ganhar a fortuna de Honora — mas que, no curso da trama, revela-se uma incumbência extremamente complicada, mas que só mesmo John Cheever foi capaz de desvendar.

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    John William Cheever profile picture

    John William Cheever

    Nasceu em Quincy, Massachusetts, em 1912, de uma família branca, anglo-saxã e puritana. Morador de subúrbios de classe média alta durante quase toda a vida, dali tirou inspiração e ambiente para suas obras ficcionais. Depois de colaborar por muitos anos com a revista New Yorker, lança seu primeiro romance, <i>The Wapshot Chronicle</i>, em 1958, pelo qual recebe o National Book Award. Publicou ainda diversas coletâneas de contos - entre as quais <i>The Stories of John Cheever</i> - e os romances <i>The Wapshot Scandal</i> (1964), <i>Bullet Park</i> (1969) e <i>Falconer</i> (1977). Considerado um dos maiores contistas americanos, Cheever recebeu, dois meses antes de falecer, em 1982, a Medalha Nacional para Literatura pela American Academy of Arts and Letters.

    22 Livros
    12 Seguidores
    Massachusetts, EUA

    John William Cheever