Livro GÊNESIS - BERESHÎTH. O LIVRO DOS PINCÍPIOS. Escrito pelo Pastor Isaltino Gomes Coelho Filho, publicado pela JUERP, 2004.
Trata-se de um livro religioso, pelo qual seu autor Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho procura explicar e destrinchar o livro bíblico de Gênesis, buscando em suas palavras originais do hebraico para trazer o máximo de compreensão daquilo que o autor de Gênesis (Moisés) quis dizer literalmente.
Devido à essa busca das palavras no original do hebraico, é possivel fazer interpretações novas sobre àquilo que estamos acostumados a ouvir ou entender, por isso é importante esvaziar-se de quaisquer paradigmas, opiniões pessoais ou exotismos para procurar compreender melhor o que o texto quer dizer.
Pelo fato de ser um livro religioso, no final de cada capítulo, o autor deixa suas opiniões, pensamentos e interpretações religiosas como lições para os critãos.
O livro foi dividido em 25 capítulos sob o foco narrativo e explicativo, e contém 239 páginas.
O autor começa dando significado do nome do livro que deriva da palavra "Bereshîth" ("no proncípio"), e deixa claro que o livro de gênesis não se propõe a ser um relato científico, mas é a revelação de Deus para os homens.
apesar de buscar as palavras no original do hebraico para melhor entendimento, existem palavra que podem induzir a diversos entendimentos, como no exemplo de "A terra era sem forma e vazia"; pois exite a possibilidade de se traduzir "a terra veio a ser sem forma e vazia", onde pode-se induzir uma recriação.
Outro ponto interessante é sobre a criação do homem, onde o Pr. Isaltino procura mostrar a grandeza que Gênesis reserva para detalhar a criação do homem no momento em que Deus diz: "Façamos o homem à nossa imagem, conforma a nossa semelhança"; sendo que é uma fraseologia usada apenas durante a criação do homem uma vez que para o surgimento da vida marinha e animal as frases são: "Produzam as águas" e " Produza a terra". Outra interpretação importante, referente a mesma fraseologia "Façamos o homem à nossa imagem, conforma à nossa semelhança" é sobre a questão de com quem Deus está falando neste texto? O autor deixa claro que uma das interpretações mais comuns, especialmente para os cristãos é que Deus estaria falando com Jesus e o Espírito Santo, provando aí a existência da Trindade, porém não pode-se esquecer que o livro de Gênesis foi escrito para os hebreus, no tempo de Moisés, colocando em dúvida esta interpretação da Trindade pois não faria nenhum sentido a existência de Jesus para os hebreus da época. O autor coloca então, a interpretação que faria mais sentido para os hebreus que seria a que Deus estava falando com sua corte celestial. "Seria uma convocação para que todos assistissem ao evento, tão especial que era este".
Do início ao fim o livro do Pr. Isaltino trata de desvendar palavras importantes no hebraico para trazer mais sentido às interpretações de Gênesis, o que é muito interessante pois podemos compreender literalmente o sentido de algumas palavras. Isso torna o livro mais interessante e gostoso de ser lido.
Sobre o texto de Gênesis 6.1-5, mais especificamente quando o texto diz "quando os filhos de Deus tiveram relações com as filhas dos homens", o autor reserva no final do livro um apêncice com três explicações possíveis sobre quem seriam os filhos de Deus e as filhas dos homens.
A primeira interpretação seria que os filhos de Deus eram anjos caídos, e que as filhas dos homens seriam mulheres mortais. O pecado seriam as relações sexuais que suportos seres celestiais teriam tido com mulheres mortais, e dessa relação teriam nascido gigantes - interpretação bastante mitológica. O autor apresenta pontos fortes e fracos dessa interpretação que podem fundamentá-la e questioná-la, o que acho muito interessante por haver imparcialidade e considerar todas as interpretações possíveis. A segunda interpretação seria que os filhos de Deus tratavam-se da linhagem piedosa de Sete, e que as filhas dos homens tratavam-se da linhagem de Caim. o pecado seria as relações sexuais entre a linhagem Sete com a linhagem de Caim de gente idólatra e de coração endurecido. O autor também apresenta para esta interpretação pontos fortes e fracos que podem fundamentar e questionar tal interpretação. A terceira interpretação trata de filhos de Deus como governadores dinásticos, e filhas dos homens como gente comum. O pecado seria parecido com o cometido por Salomão que manteve relações sexuais com diversas mulheres de uma classe sem espiritualidade e de um nível mais bruto. O autor também apresenta pontos fortes e fracos dessa interpretação que podem sustentá-la ou questioná-la. O autor termina dizendo: "Qual das três interpretações é a mais correta? è um pouco difícil de dizer. O texto possui pontos de contatos com relatos mitológicos, como o dos titãs e super-heróis gregos. Para alguns é uma explicação que Moisés tentou dar ao saber desses contos mitológicos. Não me parece. Não faria sentido inseri-lo aqui, e Moisés nada tinha que tratar do assunto. Ele está em conexão com o dilúvio. Seja o que for, o texto mostra que foi algo grave que desagradou bastante a Deus. Muitas vezes este autor se inclina pela primeira interpretação. Em alumas outras, pela segunda. A terceira nunca o atraiu muito. Mas não é matéria de fé. É questão de opção. A lição a guardar-mos é que a moralidade de Deus triunfa sobre o pecado, e a insolência contra ele sempre é punida. Estas lições são as que devemos guardar."
Recomendo a obra para cristão que querem aprofundar-se no conhecimendo das Escrituras.