Os Quatro Pontos Cardeais foi a história que faltava para me convencer de uma coisa: o verdadeiro talento de Joaquim Manuel de Macedo são as comédias.
Normalmente, numa história romântica (no sentido do movimento literário) como as que faziam sucesso na época, lemos sobre mocinhas virtuosas, sobre rapazes honrados, vilões cruéis
e temos sempre a certeza de um final feliz.
Nas comédias, temos o completo oposto. A comédia é um gênero usado não só para fazer rir, mas principalmente para criticar personalidades, personagens, comportamentos ou valores, e isso produz personagens falhos, com defeitos que são colocados em situações cômicas para que o leitor perceba o absurdo de sua conduta
e isso torna a história não só mais divertida, como também mais crível para a leitora e o leitor do século XIX.
E Joaquim Manuel de Macedo, focado em criticar a ambição, a avareza, os comportamentos femininos considerados impuros na época
acaba criando suas melhores obras.
Nessa em específico eu encontrei o melhor casal do autor, talvez equilibrado com o seu casal mais famoso, A Moreninha e Augusto. Foi um amor nascido de duas personalidades que combinavam, pessoas que se conheciam e se amavam, nas suas qualidades e também em seus defeitos, e que tiveram um final que pode até ter sido considerado como punitivo pelo autor, mas que para mim foi mais feliz do que os felizes para sempre que segue um amor à primeira vista baseado somente na beleza da mocinha protagonista.