Pontos chave/ resumo/ opinião
Ao explodir a recente crise econômica na Europa, em 2008, a maioria da população fora surpreendida, mesmo que vários estudiosos tenham antevido e alertado sobre um eminente colapso. Assim começa escrevendo o autor, Lindkvist, nos introduzindo, através de um exemplo contundente, à importância e quais atividades desempenha um identificador de tendências na sociedade, tema central da obra. A afirmação escrita na capa do livro “Tudo o que sabemos está errado! ” não é mero chamariz visando melhorar as vendas, como em muitos livros isto acontece, pelo contrário, o autor tem essa afirmação como ponto fundamental no texto, começando a explica-la logo na introdução e em muitos outros trechos do livro: “[...] sou algumas vezes apresentado como um especialista em tendências. Acredito que seja um paradoxo, pois detectar tendências e reconhecer padrões se baseia em manter a mente aberta e demonstrar uma continua resistência a tirar conclusões precipitadas. ” Para manter-se aberto a novos conceitos o caçador de tendências deve partir do pressuposto que ele não detém o conhecimento como algo absoluto, inquestionável. Nota-se crucial, a necessidade em não se apegar excessivamente à paradigmas já estabelecidos. Isto é uma tarefa difícil, para a maioria, visto que, o comportamento de nossa sociedade nos requisita certezas e conclusões definitivas à todo instante. A pessoa que tem poucas certezas é vista, muitas vezes, como indecisa ou mal informada, quando na verdade, quem “acha que sabe tudo” tem dificuldade em entender ou adaptar-se à novas situações. Além dos paradigmas como obstáculos, o autor explica as razões pelas quais muitos têm dificuldades em perceber as tendências. Como por exemplo: • Pela incapacidade de observar a humanidade através da escala requerida, tanto pela ótica temporal quanto espacial – “ Um número muito grande é difícil de ser processado a menos que seja colocado no contexto de algo tangível. Movimentos microscópicos somente são detectados por meio de poderosos equipamentos.” • Assim como, por estarmos dentro do contexto que está sendo observado, há dificuldade no entendimento de forma “imparcial”: sofremos influências morais, religiosas ou de experiências próprias que não representam o que acontece comumente. Diversos conceitos atuais, tais como capitalismo, fronteiras, empresas grandes/ pequenas, são questionados e reinterpretados para mostrar que muitas vezes não correspondem mais ao contexto atual. Ao todo serão 7 categorias de obstáculos, definidos pelo autor como “lentes quebradas através das quais observamos o mundo”, que serão o tema de cada capítulo do livro, referem-se ao porque da invisibilidade das tendências e se resumem ao seguinte: • Invisibilidade por gradualismo – por ocorrerem muito lentamente. Nosso tempo de existência é curto demais para analisarmos certos casos da forma tradicional; • Invisibilidade por mudanças minúsculas – nossa visão tende à entender as coisas como rígidas e considerando o conjunto como uma coisa só; • Invisibilidade pela rapidez – na atualidade temos acesso à notícias quase sempre em tempo real, mas o excesso de informação contribuiu para a dificuldade de discernimento do que é relevante ou o que ocasionará no futuro próximo; • Invisibilidade por pensarmos linearmente – a evolução muitas vezes não segue o raciocínio comum, distanciando-se do que esperávamos; • Invisibilidade por nos apegarmos ao presente – achando que o futuro será mais ou menos parecido ao que existe hoje. Um sinal de que pensamos linearmente na perspectiva temporal; • Invisibilidade por miopia – o entendimento por uma só perspectiva, as tendências eternas, observar você mesmo a realidade; • Invisibilidade por pessimismo – muitas vezes apenas enxergamos ou notamos o que está errado e não percebemos as conquistas benéficas alcançadas, por tornarem-se “comuns”, do dia-a-dia. Ao final o escritor, de forma à resumir todos os seus “conselhos”, nos incita à ousadia, esclarecendo que somente pensando diferente do usual. Arriscar, evitando fazer o que todos esperam, é a maneira que poderemos encontrar caminhos e tomar decisões, com os olhos no futuro, este tempo misterioso que sempre nos fascinou e motiva ainda hoje.
