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    Poesias -

    Manoel de Barros

    Record
    1956
    60 páginas
    2h 0m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.9
    47 avaliações
    Leram68Lendo2Querem10Relendo0Abandonos0Resenhas2
    Favoritos0Desejados10Avaliaram47

    Poemas apresentados por um Manoel de Barros confessional, contando, no estilo modernista, episódios isolados aparentemente pinçados de sua infância, adolescência e juventude.

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    @psi.adriana.scarpin picture
    @psi.adriana.scarpin21/04/2016Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A boca

    "Por mim passavas - a água mais pura - e eu sofri sede. Agora penso nessa abertura com que por cem anos me envenenaste, com que por cem anos a minha infância tornaste impura, tornaste indigna de andar ao lado de outras infâncias... Agora penso deixar na fenda de tua boca, dissimulada, todo o veneno de que me inundas. Porém és morta resignada, ó boca amarga de namorada nunca atingida, sempre anelada, boca perdida para as saudades, jamais beijada. Dorme entre flores. (Será dos anjos?) Vai para os anjos vai para os pássaros do firmamento, ó boca amarga, que me enganavas com aquele riso posto no canto! Por mim passavas - a água mais pura - e eu sofri quanto. Estás no seio da morte, quente como na terra; me conturbavas como na rua tu exibias teus belos dentes... Vai, grota rasa! Flor obscura na minha infância desabrochada, continuada na adolescência perto de casa, na vizinhança, solta na rua como uma fruta covil aberto de mil acenos, cobra na rua que me mordia, que me injetava sutis venenos... Vai, pesadelo, noites de insônia, pura miragem de minha sede; vai para o diabo que te carregue, não me persiga: sai, boca morta!"

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    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas0%
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    Manoel Wenceslau Leite de Barros

    Atualmente, é considerado o maior ou um dos maiores poetas vivos do Brasil, sendo o mais aclamado atualmente nos círculos literários do seu país. Seu trabalho tem sido publicado em Portugal, onde é um dos poetas contemporâneos brasileiros mais conhecidos, na Espanha e na França. Pertencente, cronologicamente à Geração de 45, mas formalmente ao Modernismo brasileiro, se situando mais próximo das vanguardas européias do início do século e da Poesia Pau-Brasil e da Antropofagia de Oswald de Andrade. Recebeu vários prêmios literários, entre eles, dois Prêmios Jabutis. É o mais aclamado poeta brasileiro da contemporaneidade nos meios literários. Enquanto ainda escrevia, Carlos Drummond de Andrade recusou o epíteto de maior poeta vivo do Brasil em favor de Manoel de Barros.

    45 Livros
    421 Seguidores
    Mato Grosso, Brasil

    Manoel Wenceslau Leite de Barros