A historiografia brasileira, geralmente, se fundamenta em paradigmas que privilegiam as economias dominantes, com abordagens da colonização portuguesa e dos períodos subsequentes, em especial no que diz respeito às relações com o mercado externo. Em ?Uma Comunidade Sertaneja ? Da Sesmaria ao Minifúndio?, Erivaldo Neves quebra esse arcabouço tradicional, passando a considerar a circulação e a acumulação geradas internamente pelas pequenas policulturas agrícolas e pecuaristas (a produção camponesa) destinadas ao auto-abastecimento e ao mercado interno. O trabalho expõe o comércio de alguns produtos como o algodão, fundamentais para a fixação de populações nas regiões distantes das áreas litorâneas, de economias mais dinâmicas. O trabalho é destinado aos estudiosos da conquista, povoamento, ocupação econômica e formação social do interior do Brasil, especificamente do Sudoeste da Bahia, região da Serra Geral. A localidade orbitou, durante dois séculos, sob a influência ? atenuada na transição do século XX ? de Caitité. As considerações expostas no livro também são de interesse de estudantes da História Regional e Local, História Agrária, Formação Econômica do Brasil e, em particular, História da Bahia, cuja bibliografia tradicionalmente se limitou a Salvador e ao Recôncavo.
