Ouvi falar muito bem desse livro. Pessoas que adoraram a obra e julgaram os que não gostaram com frases sem sentido como "quem não aprecia arte, não gostará", ou "quem não gosta de livros, não gostará", das quais discordo veementemente.
Não apreciei essa leitura. Ela se baseia na descrição minusciosa de Edmund de Wall que herda do tio avô os netsuquês que atravessam a história do mundo durante mais de um século: a história da família Ephrussi.
Ressalto que considero com carinho a delicadeza e primor com que esse livro foi escrito e a dedicação de seu autor. Julgo por vezes uma obra realizada para a família Ephrussi.
Porém trata-se de uma história repleta de muitas descrições. São descrições perfeitas de ruas, prédios, fotos, roupas, obras de arte, pessoas e cidades em pelo menos 80% de suas páginas. Uma outra parte se trata da história da família em meio à primeira e segunda guerras mundias. Essa pequena parte do livro é bastante interessante, mas foi preciso alcançar 70% dele para finalmente o livro me prender. Não existe interesse em continuar uma leitura descritiva, já que você não lembrará de absolutamente nada segundos depois, não modifica ou acrescenta, na minha opinião. Seu final continua com descrições de mais cidades e mais algures habitados pela família Ephrussi. A leitura é bastante enfadonha.
Num contexto geral, a história é interessante, o sofrimento que a família milionária judia enfrentou são profundamente angustiantes, embora com grandes privilégios. Interessante também saber que a família conheceu Prust e adquiriu obras famosas de pintores como Monet.
A postura com que Edmund descreve sua família é bastante pomposa, vangloriando diversas coisas e pessoas. Isso é perfeitamente compreensível quando se trata de família, por vezes, mas para uma total estranha como eu, foi bem maçante.
Gostaria de ter gostado.