Amanhã é uma série que me chamou a atenção por motivos diversos, mas que conquistou o espaço pra seguir sendo lido pelos rumos da história. A coisa que eu mais gosto aqui é que esse jovens não são salvadores do mundo. Eles estão sim fazendo seu trabalho ao tentar defender e explodindo algumas coisas, mas também tem noção que nesse momento o poder de vencer uma possível guerra não está em suas mãos.
A outra coisa que eu gosto é algo que surgiu em O Silêncio da Noite: o aparecimento de novas comunidades e ameaças. A história iria ficar bem chata se somente víssemos eles indo de um lugar ao outro explodindo coisas. Nesse livro novas peças e mistérios são envolvidos e até trouxe uma pegada “The Walking Dead” na atual temporada. Quem aparece é aliado ou inimigo? É preciso descobrir mais.
A história aqui começa um pouco frágil. Parece ter se passado semanas desde o fim do primeiro livro e eles se manteram estáticos, sem progresso, apenas absorvendo o impacto dos eventos. A relação deles mudou e há uma dúvida pairando no ar causada pela franqueza de Ellie em seu relato.
Isso foi algo de que eu reclamei na resenha do primeiro livro, pois não via como a garota que eu conheci no livro iria sentir-se corajosa a ponto de compartilhar aquilo que estávamos lendo e que segundo ela era um relato de registro. Mas ela mostrou e sofreu as consequências disso entre seus amigos.
Além disso o primeiro andamento é simples, buscar pelo amigos, ver novos targets, lugares para atacar. Mas ai, em uma dessas buscas, eles encontram outras pessoas e a trama fica bem interessante. Eles são adolescentes apesar de tudo e a figura adulta tem sim bastante importância. Então eles podem perder um pouco da euforia ao se confrontar com a possibilidade de deixar o caos reinar sobre os cuidados de alguém mais velho, e por isso, capaz. Mas essa perspectiva não é verdade absoluta e é bacana acompanhar a jornada dos protagonistas de se encontrar nesse novo formato de vida.
“É como se eu andasse por um longo corredor até o lugar onde o sono está e, ao chegar lá, desse com o nariz na porta.”
E, assim como acrescentamos personagens novos, também teremos perdas aqui e isso ajuda a consolidar a situação como algo perigoso e tangível. Vamos ter mais informações sobre esses invasores e qual o seu objetivo com o ato e somos mais situados geograficamente sobre quem são os aliados e quem está ajudando com a retomada do país.
Porém, há duas coisas que me incomodaram um pouco. A primeira são os diálogos, que são sofríveis de ruins. Enquanto estamos na cabeça de Ellie, tudo está bem. Entretanto quando temos que “ouvir” os personagens falando, a falta de sintonia ou inteligência é muito notável. A segunda coisa são os conflitos de Ellie sobre matar ou não matar. Parece não haver pela parte dela um reconhecimento real da gravidade da situação ao seu redor, ou do poder do seu inimigo. Então quando um personagem mata alguém do outro lado aqui, isso gera um certo mimimi bem desnecessário.
Mas, de forma geral, considerei O Silêncio da Noite um bom livro. A narrativa é bem simples e fluída, o que faz com que a leitura seja super rápida. E por ser uma distopia com um tom um pouco diferente e até leve, acho que vale super a pena conhecer a história.