O Oportunista é uma obra incrível, escrita fluida, cheia de personagens marcantes e feições que saltam para a realidade. Não entendo como pode ter apenas 3.9 de avaliação, pois é uma história digna de releitura, sendo esta, minha segunda vez com esse título.
Embora a leitura seja incrível, o protagonista e narrador, Hilary, é completamente desprezível e odioso. Sujeitinho da mais baixa estirpe, cruel, orgulhoso, extremamente superficial, cuja meta de vida era uma vingança sem sentido.
Hilary comete os mais variados crimes para subir na vida, vindo da classe operária, alimentava um falso ressentimento pela classe burguesa, quando, na verdade, invejava aquela posição para muito além do dinheiro, mas de berço.
A jornada do protagonista é repleta de oportunidades que, para o bem ou para o mal, ele agarra como um bom oportunista, logrando êxito em sua empreitada. Contudo, o que ele não esperava, em certa medida, era o poder que a nostalgia podia lhe causar.
Ao que parece, quando Hilary retorna ao cenário de sua infância, em Lasterby, começa a perceber que o ódio alimentado por tanto tempo e que o levou a provocar tantas atrocidades, era um rancor infantil, um sentimento de contrariedade criado por um Hilary criança, tão orgulhoso e vaidoso, quanto a alta classe que jurou odiar. Um rancor juvenil comumente alimentado entre os jovens, quando um ganha algo melhor do que o outro. Um sentimento fugaz e sem sentido revelante, facilmente extirpado com um pouco de maturidade e reflexão, coisa que a idade não trouxe a Hilary, até dado momento de sua vida.
O final pode ser desagradável da perspectiva comum acerca daquilo que se entende por correto e justo, mas o livro não se propõe a criar, ao meu ver, apenas uma ficção, mas sim uma ficção com roupagem de realidade, onde nem sempre o injusto sai penalizado, e o bom, vitorioso. Por vezes, e na maior parte das vezes, a vida é injusta, pode-se concluir por isso. Nem todos recebem o fim que merecem, mas todos recebem um fim. E, se tiver um pouco de sorte, pode acabar recebendo mais do que merece.
Não há perdão para Hilary, pelo menos da minha parte, e pode-se dizer que ele recebeu mais do que merecia. Entretanto, no fim dos dias, quando estamos mais perto do abismo da morte, vale mais perdoar a si mesmo do que esperar ou merecer o perdão dos outros. A paz só reside naquilo que construímos dentro de nós e, nesse ponto, Hilary alcançou a sua dose de paz.