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    Cultura Rebelde - Escritos sobre a educação popular ontem e agora

    Carlos Rodrigues Brandão, Raiane Assumpção

    Instituto Paulo Freire
    2009
    107 páginas
    3h 34m
    ISBN-13: 9788561910297
    Português Brasileiro
    3.8
    5 avaliações
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    Neste segundo número da 'Série Educação Popular', 'Cultura Rebelde' é uma analogia ao papel e significado histórico da Educação Popular. Rebeldia que transcende o tempo e o espaço e, portanto, vale para o ontem e vale para o agora. A partir de reflexões sobre as vivências político-pedagógicas - os desafios, a intencionalidade e as formas de atuação - os autores sustentam que a Educação Popular ainda não cumpriu inteiramente sua tarefa - a de propiciar a humanização e a libertação de todos os sujeitos que sofrem com as opressões e as exclusões políticas, econômicas e culturais. Arquivo disponibilizado para download para fins educativos .: http://www.paulofreire.org/pub/Crpf/CrpfAcervo000169/EdL_Cultura_Rebelde_escritos_sobre_a_educacao_popular_ontem_e_agora_Carlos_Rodrigues_Brandao_Raiane_Assumpcao.pdf

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    Demerson Godinho Maciel picture
    Demerson Godinho Maciel15/04/2026Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Entre o encanto do discurso e o vazio da prática

    Ao longo da leitura, fui encontrando uma construção conceitual bastante consistente. O livro articula cultura, ideologia, trabalho e consciência dentro de uma chave crítica já bastante conhecida: a cultura como produção humana atravessada por relações de poder; a ideologia como mascaramento da realidade social; a educação popular como instrumento de conscientização e transformação. E preciso reconhecer: tudo isso aparece com rigor, clareza e uma beleza verbal que realmente chama a atenção. Mas é justamente aí que começa a minha inquietação. Enquanto eu lia, fui sentindo algo que talvez alguns leitores também sintam diante de certos textos da educação e das ciências humanas: há uma escrita muito bonita, muito elaborada, muito consciente de sua força crítica, mas que quase nunca se compromete com o caminho concreto da ação. É como se o livro soubesse nomear com precisão o problema, descrever com sofisticação suas camadas, convocar a transformação com palavras fortes — e, ainda assim, parar antes do “como”. E esse “como”, para mim, faz falta. Porque Cultura Rebelde problematiza muito bem. Talvez até bem demais. Mas oferece pouco quando pensamos em caminhos operacionais, práticas replicáveis, experiências sistematizadas que possam ser apropriadas por quem vive o cotidiano da intervenção educativa, social e política. A sensação que me ficou foi a de um horizonte bonito no discurso, mas rarefeito na prática: algo que se anuncia, mas não se concretiza. Isso aparece com força, por exemplo, quando o livro insiste na conscientização como processo dialético de leitura e transformação da realidade. Eu reconheço a potência desse conceito - talvez uma das maiores forças da tradição freiriana. Mas aqui ele reaparece mais como princípio do que como experiência encarnada. E então comecei a me perguntar: onde estão as experiências detalhadas? Quais são as mediações concretas que tornam isso possível em contextos reais? Como isso se realiza diante dos impasses institucionais, dos limites materiais, das contradições dos próprios sujeitos? O livro, a meu ver, não responde de modo satisfatório. Ou responde de forma ampla demais, quase sempre genérica. E é justamente esse o ponto que mais me atravessa criticamente: existe aqui uma confiança muito forte na potência transformadora da educação popular, mas não vejo o mesmo investimento na análise das condições concretas de sua efetivação. Em alguns momentos, fiquei com a impressão de que bastava nomear o processo para que ele já estivesse, de algum modo, acontecendo. Ainda assim, o livro tem mérito - e não é pequeno. Ele me recolocou diante de algo essencial, que tantas vezes se perde: a lembrança de que a educação não é neutra, de que toda prática pedagógica carrega um projeto de sociedade e de que a cultura não é ornamento, mas campo de disputa. Talvez por isso minha leitura tenha sido atravessada por uma ambiguidade. Eu li Cultura Rebelde com respeito, interesse e, ao mesmo tempo, com um incômodo persistente. Um incômodo fértil, sem dúvida. Porque o livro eleva o pensamento, mas também me deixou com a sensação de que a educação popular, tal como aparece ali, se aproxima mais de um ideal regulador do que de um método efetivo. E talvez esteja aí, paradoxalmente, sua força e sua fragilidade: o texto nos eleva, mas nem sempre nos dá chão. Terminei a leitura esperando esse encontro, tão raro e tão necessário, entre a beleza do discurso e a dureza da prática. Porque, no fundo, o que sigo buscando nesses livros não é apenas uma palavra que denuncie o mundo, mas uma palavra que também nos ajude, com rigor, a habitá-lo de outro modo.

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