Glauber Rocha provavelmente estava bem intencionado quando elaborou essa revisão crítica do cinema brasileiro. De fato, há uma contribuição inestimável para a matéria, uma vez que sua alcunha oferece a experiência de campo que por vezes arrefece a criticidade, sobretudo quando diante do surgimento do movimento do cinema novo.
Existem capítulos em que a posição ferrenha do diretor se mostra audaciosa e contundente, como no último dedicado à fomentação legal de criadores independentes. No entanto, em vários pontos, Glauber demonstra uma visão mesquinha e desgarrada da ordem dos fatos, como se sua concepção pessoal sobre a arte cinematográfica (que inclusive o faz desdenhar do papel de alguns coleguinhas) se sobrepujasse à razão.