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    Cristianismo e Marxismo -

    Frei Betto

    Vozes
    1986
    47 páginas
    1h 34m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.1
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    Luiz Eduardo Carvalho09/11/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A tentativa de instrumentalização do cristianismo

    Livro: Cristianismo & Marxismo Autor: Frei Beto Frei Beto foi um frade dominicano, formado em jornalismo e foi assessor de Lula nos anos de 2003 e 2004, militante político adepto da Teologia da Libertação, escreveu diversos livros e alguns dos mais famosos são os que relata sua prisão na época do Regime Militar, além de ter um livro famoso chamado "Fidel e a Religião", o qual está na minha lista de leitura pro futuro. Frei Beto neste livro faz uma tentativa de aproximação teórica entre o Cristianismo e o Marximo, ou Socialismo. Se valendo de duas premissas principais: 1) Tanto o Cristianismo como o Socialismo possuem uma mensagem endereçada ao pobre, e ambos buscam uma esperança para o futuro, logo ambos possuem uma finalidade semelhante. 2) Da mesma forma que existem diversos tipos de Socialismo, e diversos tipos de Marxismos, logo é possível se pensar em um Socialismo que tenha o cristianismo como centro. Basicamente esta são duas teses que permeiam o livro, ainda não tão explicitamente. "Tanto o Cristianismo como o Socialismo dos operários pregam a iminente salvação da escravidão e da miséria; o Cristianismo coloca essa salvação numa vida futura, posterior à morte, no céu. O Socialismo coloca-a neste mundo, numa transformação da sociedade. Ambos são perseguidos e acossados, seus adeptos são desprezados e convertidos em objeto de leis exclusivas, os primeiros como inimigos da raça humana, os últimos como inimigos do Estado, inimigos da religião, da família, da ordem social." (Frei Beto, p.17) Na visão de Frei Beto é normal que possa existir o entendimento de que nos regimes capitalistas a Igreja possa desfrutar de um liberdade que não se encontra nos regimes socialistas, porém isso possui um preço, o preço de ser manipulada pelo aparelho ideológico do Estado, de forma a contribuir para a luta de classes, logo Frei Beto acredita que a Igreja possa desempenhar um papel central na revolução do proletário de forma a trazer maior consciência de classe. Ainda que no passado a Igreja Católica estivesse numa condição de opressão civil e perseguições religiosas a todos os tipos de grupos, hoje devido ao seu papel na sociedade, ela pode ter um certo protagonismo, visto que desempenhou um papel relevante com os mais pobres, por exemplo, na figura de São Francisco de Assis. O grande problema seria reformular o entendimento atual que prega um certo ateísmo ligado ao Socialismo. Segundo o autor nem sempre Marx foi contra a religião, vindo de uma linha judaica, porém com o tempo assumiu uma postura que compreender ser, a Religião, uma expressão da sociedade. Se a sociedade reflete uma dominação de uma classe sobre a outra, um esquema de opressão, assim também será a religião que ela produz, um veículo de opressão de uma classe sobre a outra. Nessa perspectiva, uma vez que a sociedade de classes se extinguir, a Religião como conhecimentos não será mais necessária, e numa sociedade sem luta de classes produzirá uma religião a tal nível. " 'A Crítica da religião é a premissa de toda a crítica. (...) O Homem faz a religião; a religião não faz o homem. Em outras palavras, a religião é a consciência de si mesmo e o sentimento de si mesmo do homem que ainda não se encontrou ou já de novo perdeu-se. Porém, o homem não é um ser abstrato, situado fora do mundo. O homem é o mundo dos homens, o Estado, a sociedade. Esse Estado, essa sociedade, produzem a religião, uma consciência invertida do mundo, porque são um mundo invertido. (...) A miséria religiosa é, de um lado, a expressão da miséria real e, de outro, o protesto contra a miséria real. A Religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, assim como é o espírito de uma situação carente de espírito. É o ópio do povo'." (Karl Marx apud Frei Beto, p.26) Uma vez que existem diversos tipos de Socialismo e de Marxismos, conforme a leitura de diversos pensadores e filósofos, também é possível que exista um tipo de Cristianismo, ou Marxismo, ou Socialismo que seja capaz de despertar as classes oprimidas e levar à consciência revolucionária. "O Marxismo é, sobretudo, uma teoria da práxis revolucionária. Isso não impede que certos marxistas queiram transformá-lo num espécie de religião com seus dogmas, fundada na leitura fundamentalista que faz das obras de Marx, Engels e Lênin uma nova Bíblia. Afinal, o Marxismo, como qualquer outra obra teórica, jamais poderá ter uma única leitura. O processo epistemológico ensina que um texto é sempre lido a partir do contexto do leitor. Esses "óculos" da realidade determinam a interpretação da teoria. Assim, a obra de Marx pode ser lida pela ótica do materialismo positivista de Kautsky, do neo-kantismo de M. Adler, do hegelianismo voluntarista de Gramsci ou objetivista de Lukács, do existencialismo de Sartre, do estruturalismo de Althusser, bem como à luz da luta camponesa de Mao Tsé-Tung, da guerrilha cubana, da realidade peruana de José Carlos Mariátegui ou da insurreição popular sandinista. O que importa é utilizar a teoria marxista como ferramenta de libertação dos povos oprimidos e não como uma árvore totêmica ou um talismã." (Frei Beto, p.35-36) " 'Alguns autores afirmam que a religião é um mecanismo de alienação dos homens, que serve para justificar a exploração de uma classe sobre a outra. Esta afirmação, sem dúvida, tem um valor histórico, na medida em que, em diferentes épocas históricas, a Religião serviu de suporte teórico à dominação política. Basta recordar o papel desempenhado pelos missionários no processo de dominação e de colonização dos indígenas de nosso país. Entretanto, os sandinistas afirmamos que nossa experiência demonstra que quando os cristãos, apoiando-se em sua fé, são capazes de responder às necessidades do povo e da história, suas mesmas crenças os levam à militância revolucionária. Nossa experiência demonstra que se pode ser crente e, ao mesmo tempo, revolucionário consequente e que não há contradição insolúvel entre ambas as coisas'." (Frei Beto, p.39) Frei Beto, sem dúvida faz uma articulação que logra frutos nos tempos atuais, muitos, no senso comum e na ignorância, aceitam tal premissa de que há, de fato, mais do que uma aproximação entre Cristianismo e Marxismo/Socialismo, mas sim que o Cristianismo é um tipo de "Socialismo primitivo. Não atoa certa vez, o político Flávio Dino (ex-deputado, ex-ministro da justiça do governo Lula 2023, atual ministro do STF) em entrevista relatou exatamente isso ao fazer associação com a passagem Atos 2:43-47. A Teologia da Libertação se vale de tal premissa e possui inúmeros adeptos, porém basta se aprofundar de forma séria no Socialismo/Comunismo, bem como nos autores Marxistas, que tal premissa já não se sustenta, ainda mais se tiver uma boa base Católica. Frei Beto faz tal associação teórica, mas basta estar atento para compreender que são propostas completamente distintas, sobre tudo opostas. Até a própria base histórica de Frei Beto é desonesta, fazendo afirmações vazias como quando "denuncia" a opressão da Igreja Católica, obscurecendo os fatos e contando uma narrativa sem fundamentação nenhuma, como se de fato fosse algo basilar que não precisasse ser apresentado fonte. Erros crassos como afirmar que a Igreja "mudou" após Constantino, uma velha premissa protestante... ou afirmar que Jesus Cristo era um Revolucionário que foi silenciado pelo Império Romano, sendo que basta ler os evangelhos para se ter um entendimento claro de o como isso ocorreu, ou afirmações sem base de que as cruzadas serviram para fazer saques a outras nações, negligenciado o fato de que houve uma campanha de massacre a todos que peregrinavam para Jerusalém e a expansão do Islamismo a custo de muitas mortes e "conversões" forçadas. Frei Beto ainda tenta fazer uma aproximação do Catolicismo com o Nazismo, como se não bastasse... O autor prega para revolucionários, para revoltados, para ignorantes... e de fato obteve êxito. Compreender quais são seus equívocos e desonestidades, compreender que ao fundo o projeto revolucionário, marxista e socialista é um projeto de poder e de Subversão da realidade, já torna compreensível tamanha "difamação" e "desconstrução" da base que fundou o que hoje conhecemos por Civilização Ocidental. Recomendo a leitura para quem compreende tais fatos e a necessidade se aprofundar no pensamento "socialista cristão" e seus erros e enganos.

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    Carlos Alberto Libânio Christo

    Frei Betto O.P., (Belo Horizonte, 25 de agosto de 1944) é um escritor e religioso dominicano brasileiro. Adepto da Teologia da Libertação, é militante de movimentos pastorais e sociais, tendo ocupado a função de assessor especial de Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República, entre 2003 e 2010. Frei Betto, foi coordenador de Mobilização Social do programa Fome Zero.

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    Minas Gerais, Brasil

    Carlos Alberto Libânio Christo