Mario Samigli é um literato triestino de sessenta anos. Publicou na juventude um romance, esquecível e esquecido. Desde então dedica-se à escrita de fábulas anódinas, e a uma vida casta, vazia e rotineira, habitando na companhia de seu irmão mais velho, Giulio, única audiência das suas construções literárias. Tudo isso nada lhe pesa, convicto que está da sua futura celebridade, da grandeza da sua obra: espera, calmamente, o seu reconhecimento, e disso retira uma quase-muda sensação de superioridade face aos demais e uma satisfação generalizada face à vida. Um dia, em pleno final da I Guerra Mundial (quando da tomada de Trieste aos alemães-austríacos), um seu conhecido, Gaia um caixeiro-viajante popularucho, e que também tivera os seus devaneios poéticos na juventude, lança-lhe um embuste: uma celebrada editora internacional anunciara-lhe o propósito de editar o romance de Semigli. Pouco depois o pobre escritor descobre que tudo não passa de um embuste, a ridicularizá-lo.
