"O aperitivo dos esportistas", "A imaginação no poder", "X lava mais branco", "Ponha um tigre ...", "Tigre de papel": todas essas expressões são slogans. O que é que faz de uma fórmula um slogan? O que é que a distingue de outras fórmulas tais como a palavra de ordem, a divisa, o clichê, o provérbio, o aforismo? Através da investigação linguistica e com base em numerosos exemplos tomados de empréstimos tanto à atualidade quanto a história, o autor deste livro, que é professor da Universidade de Estrasburgo e que lecionou filosofia da Educação na Universidade de Montreal, caracteriza a essência do slogan como uma fala que faz mais do que diz. ...
O Slogan -
Olivier Reboul
Desvendando o Poder dos Slogans: uma análise filosófica
O Slogan, de Olivier Reboul, livro de 1975, oferece uma análise profunda e perspicaz sobre a natureza dos slogans e seu impacto na sociedade. Reboul, renomado filósofo e linguista, mergulha nas raízes etimológicas dessa palavra, destacando sua origem gaélica e sua evolução ao longo do tempo. Essa exploração linguística serve como um prelúdio à sua abordagem filosófica, que busca compreender não apenas as palavras, mas o impacto psicológico e social que os lemas exercem sobre a mente humana. Uma das principais forças da obra reside na capacidade de Reboul de contextualizar sua análise historicamente. Ele examina exemplos ao longo do tempo, desde os movimentos sociais do século XIX até as campanhas publicitárias contemporâneas, revelando a adaptabilidade e persistência dos motes como ferramentas persuasivas. O autor demonstra como os slogans foram utilizados para consolidar poder político, mobilizar massas e instigar mudanças sociais, proporcionando uma visão abrangente do papel dessas mensagens na construção da narrativa cultural. A análise de Reboul centra-se na compreensão de que as palavras de ordem, muitas vezes simplificadas e aparentemente inofensivas, têm o poder de moldar percepções e influenciar comportamentos. Ele desentranha a psicologia por trás da recepção de slogans, destacando como essas mensagens se ancoram nas emoções humanas, estimulando respostas intuitivas e, por vezes, irracionais. Além disso, Reboul lança um olhar crítico sobre o papel dos consumidores e cidadãos na absorção dessas mensagens. Ele instiga os leitores a desenvolverem uma postura crítica em relação a esse tipo de frase marcante e/ou evocativa, encorajando uma análise reflexiva que vai além da superfície das palavras. Sua chamada à ação para a conscientização e discernimento ressoa como um alerta oportuno em um mundo inundado por mensagens persuasivas. No entanto, a densidade do conteúdo filosófico pode representar um desafio para alguns leitores, exigindo uma mente disposta a mergulhar nas complexidades da linguagem e da psicologia. A obra é um exercício intelectual exigente, mas também recompensador para aqueles que buscam uma compreensão aprofundada da influência das máximas na sociedade. Essa obra de Reboul excede as fronteiras tradicionais entre filosofia e linguística. Reboul não apenas desvela os mecanismos por trás das slogan, mas também oferece uma perspectiva crítica que convida os leitores a questionarem ativamente as mensagens que permeiam suas vidas. A obra continua sendo uma contribuição valiosa para o entendimento da linguagem como uma ferramenta de poder e influência na sociedade. Em um mundo onde as palavras muitas vezes são consumidas sem questionamento, O Slogan serve como um lembrete provocante de que, por trás de cada frases de efeito, há uma narrativa cuidadosamente construída, pronta para moldar nossa percepção do mundo ao nosso redor. Um livro cabeçudo cuja importância da leitura persiste. Nota: 7,5.
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