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    O encilhamento -

    Visconde de Taunay

    Itatiaia
    1971
    247 páginas
    8h 14m
    ISBN-10: 8531904501
    Português Brasileiro
    4
    5 avaliações
    Leram15Lendo9Querem58Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados58Avaliaram5

    O Encilhamento - Visconde de Taunay O Encilhamento é um romance de primeira ordem, com intrigam mistura de elemento paisagístico e de análise psicológica numa língua deliciosa, a que não faltam palavras de gíria de época e de gírias que permaneceram. Nascido na transição do realismo para o simbolismo, Taunay contraponteia magnificamente um romance de amor com as cenas de desvario das ruas, ou com reuniões galantes e elegantes, onde se desenrolavam os episódios do encilhamento. Há caricaturas esplêndidas. Aquelas personagens existiram mesmo, e os estudiosos têm dificuldades em identificar figuras dos fins do Império e do início da República. Crises econômico-finaceiras foram exploradas com graça. Na segunda edição, aparece O Encilhamento afirmando o nome do verdadeiro autor. Publicado em folhetins da "Gazeta de Notícias", do Rio de Janeiro, em 1893, teve então o melhor acolhimento do público fluminense. Pouco depois a Livraria Magalhães editou-o em volume, conservando, contudo, o criptônimo do folhetinista: Heitor Malheiros. Novela vivaz, interessante, variada, repleta de documentos humanos, a historiar uma série de episódios pitorescos e curiosos, aspectos característicos da vergonha da época, como aquela que, no Rio de Janeiro, determinara a inflação papelista, exagerada, em 1890. De perto observou o romancista estas cenas deprimentes de pilhagem e desvairamento, a que veio por cobro à reação florianista, após o 23 de novembro. Foi uma das inúmeras vítimas do tremendo craque de 1891 - 1892 que arrasou as grandes e velhas instituições financeiras fluminenses, essas cujos títulos desde muito eram para o público, valores de inteira confiança quase tão reputados pela solidez quanto os papéis de estado, como o antigo Banco do Brasil, por exemplo. Daí o conhecimento de causa do autor em descrever os cambalachos, negociatas e tranquibérnias dos grandes e insaciáveis piratas bolsistas e sua seqüela de devoradores da economia pública e particular.

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    Marta  Skoober picture
    Marta Skoober09/11/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Embora o tema, o título e subtítulo tendam afastar o leitor comum (os não familiarizados com os meandros da economia e as especulações da bolsa), eu diria que um livro fundamental. Principalmente para esse leitor, e se se aventurar ainda ganhará boas informações sobre o país, e o povo que nela vive. Sem esquecer que terá um novo olhar para o mercado de capitais. Taunay nos brinda com diversos trechos extremamente divertidos, outros com uma ironia ácida, e outros ainda com pura acidez. Não podemos esquecer que trata-se de um romance à clef. Onde o próprio autor é um dos personagens. Conta-se que Taunay foi uma das vítimas do encilhamento. Lido por indicação de Gustavo Franco. Grifos: "Tudo isso não passa de bagaceira, interrompeu um gaiato" "Os tempos não estavam mais para graças." "O senhor tinha em mão uma garoupa... soltou-a supondo que fosse uma sardinha." "Era o boato que ia fazer tudo, a possante arma do momento."

    2 curtidas

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    Alfredo Maria Adriano d'Escragnolle Taunay profile picture

    Alfredo Maria Adriano d'Escragnolle Taunay

    Alfredo Maria Adriano d'Escragnolle Taunay, primeiro e único visconde de Taunay, (Rio de Janeiro, 22 de fevereiro de 1843 — Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1899) foi um nobre, escritor, músico, artista plástico, professor, engenheiro militar, político, historiador e sociólogo brasileiro. Família e educação Alfredo Taunay nasceu em uma família aristocrática de origem francesa no Rio de Janeiro. Seu pai, Félix Emílio Taunay, era pintor, professor e diretor da Academia Imperial de Belas Artes e seu avô paterno foi o conceituado Nicolas-Antoine Taunay. Sua mãe, Gabriela Hermínia Robert d'Escragnolle Taunay, fora uma dama da alta sociedade brasileira e era irmã do barão d'Escragnolle e filha do conde d'Escragnolle. Após obter seu bacharelado em literatura no Colégio Pedro II em 1858, aos quinze anos de idade, Taunay estudou Física e Matemática no Colégio Militar do Rio de Janeiro, tornando-se bacharel em Matemática e Ciências Naturais em 1863. Casou-se com Cristina Teixeira Leite, filha do barão de Vassouras, neta do primeiro barão de Itambé e sobrinha-neta do barão de Aiuruoca. Seu filho foi o historiador Afonso d'Escragnolle Taunay, membro-fundador da Academia Brasileira de Letras. Guerra do Paraguai e carreira política Taunay lutou na Guerra do Paraguai como engenheiro militar, de 1864 a 1870. Desta experiência surgiu seu livro A Retirada da Laguna, de 1869. Após seu retorno ao Rio de Janeiro, Taunay lecionou no Colégio Militar e iniciou simultaneamente sua carreira como político do Segundo Império. Atingiu o posto de major em 1875. Foi eleito para a Câmara dos Deputados pela província de Goiás em 1872, cargo para o qual seria reeleito três anos mais tarde. No dia 26 de abril de 1876, foi nomeado presidente da província de Santa Catarina. Assumiu o cargo de 7 de junho de 1876 a 2 de janeiro de 1877, quando o passou ao vice-presidente Hermínio Francisco do Espírito Santo, que presidiu a província por apenas um dia. Em 1 de janeiro de 1877, durante seu mandato como presidente, ele havia inaugurado, no Largo do Palácio, atual Praça Quinze de Novembro, o monumento aos heróis catarinenses da Guerra do Paraguai. Inconformado com a queda do Partido Conservador, Taunay retirou-se da vida política em 1878, deixando o país para estudar, durante dois anos, na Europa. Em 1881 é eleito deputado pela província de Santa Catarina e, em 1885, nomeado presidente da província do Paraná. Em Curitiba, foi um dos responsáveis pela criação do primeiro parque da cidade, o Passeio Público, inaugurado em 2 de maio de 1886 (véspera do dia da entrega do cargo).[1]. Exerceu tal cargo até 3 de maio de 1886. Neste ano, torna-se senador por Santa Catarina, tendo sido escolhido de uma lista tríplice pelo Imperador em 6 de setembro de 1886, sucedendo Jesuíno Lamego da Costa. Recebeu o título nobiliárquico de visconde de Taunay de D. Pedro II em 6 de setembro de 1889. Com a proclamação da República naquele mesmo ano, Taunay deixou a política para sempre. Carreira literária e artística Crítico das influências da literatura francesa, Taunay buscava promover a arte brasileira no exterior. No dia 21 de agosto de 1883 propõe à câmara dos deputados a autorização de uma soma para a realização de uma sinfonia por Leopoldo Miguez em Paris, nos Concerts-Collone. Anteriormente fora responsável pela promoção de Carlos Gomes no exterior. Taunay foi um autor prolífico, produzindo ficção, sociologia, música (compondo e tocando) e história. Na ficção, a obra Inocência é considerada pelos críticos como seu melhor livro. Faleceu diabético no dia 25 de janeiro de 1899. Foi oficial da Imperial Ordem da Rosa e cavaleiro das imperiais ordens de São Bento de Avis e de Cristo. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, criou a Cadeira n.° 13, que tem como patrono Francisco Otaviano. Obras * A Campanha da Cordilheira, 1869 * La Retraite de Laguna, 1871 (em francês, traduzido como "A retirada da Laguna") * Inocência, romance, 1872 * Lágrimas do Coração. Manuscrito de uma Mulher, romance, 1873 * Ouro sobre Azul, romance, 1875 * Estudos críticos, 2 vols., 1881 e 1883 * Amélia Smith, drama, 1886 * No Declínio, romance, 1889 * O Encilhamento, romance, 1894 * Reminiscências, memórias, 1908 (póstumo)

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    Rio de Janeiro, Brasil

    Alfredo Maria Adriano d'Escragnolle Taunay