O livro, basicamente, consiste na descrição da vida política e social de um coronel do exército, Alberto Fortunato, especialmente no que se refere as suas atividades conspiratórias e insurgentes, decorrentes da sua discordância perante o governo e outros segmentos da sociedade. Tal fato é a principal crítica a obra. Entretanto, pode ser, desde que vista sob outra perspectiva, um elogio. Como tal descrição praticamente não contém análises sobre o que é relatado, preponderam os posicionamentos dos envolvidos com a extrema direita, especialmente o anticomunismo obsessivo, para não falar de algumas alegações que aparentam ser distorções a serviço de determinadas linhas de raciocínio. Em alguns casos, frise-se, talvez seja mais correto designá-las como simplesmente absurdas, como no caso de algumas afirmações sobre a renúncia de Jânio Quadros. Por outro lado, a ausência de profundas análises pode ser considerada uma virtude da obra, na medida em que expõe a visão de alguns componentes que adotaram métodos pouco aprováveis para fortalecerem seus ideais políticos. Tal exposição, praticamente desprovida de conjecturas e críticas, propiciam a reflexão do leitor, ao qual convém estar um pouco informado acerca dos fatos históricos abordados. Diga-se que muitas vezes os depoimentos são enfadonhos e desconexos (algumas incoerências constatadas são apontadas pelos próprios autores), sem que, entretanto, deixem de ser reveladores. Aliás, é realmente curioso o “esquecimento” do nome de muitos envolvidos nas atividades políticas relatadas no livro, por parte dos militares cujos testemunhos lá constam. Apesar dessas omissões, é possível visualizar parte das rebeliões e atividades conspiratórias antes do golpe de 1964 e dos atos terroristas perpetrados pela direita depois dele. Outro aspecto que deve ser mencionado é que o livro contém relatos acerca da instrumentalização desses grupos conservadores, como a obtenção de armas devido ao fato de seus componentes estarem alocados em funções estatais que lhes permitiam ter acesso a elas ou mesmo o fornecimento de considerável quantia pelo governador de São Paulo, Adhemar de Barros, para subsidiar as atividades dos conspiradores. Diante de tais fatos, evidenciou-se que o valor da obra está no fato dela revelar as atividades - do que é denominado, com certa pompa, de “Grupo Secreto” pelos autores - de parte da extrema direita brasileira da década de cinquenta até o começo da de oitenta, algo que ainda hoje é assunto pouco estudado.
A Direita Explosiva no Brasil - A história do Grupo Secreto que aterrorizou o país com suas ações, atentados e conspirações
José Amaral Argolo, Kátia Maria Ribeiro Teixeira, Luiz Alberto Machado Fortunato
Mauad
1996
332 páginas
11h 4m
ISBN-10: 8585756187
Português Brasileiro
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