'A febre Starbucks' mostra o crescimento da Starbucks e o frenesi de consumo de cafeína so redor do mundo, que impulsionou o sucesso da rede. O livro mostra como uma grande empresa que vende um produto simples e tradicional está conseguindo influenciar o cotidiano e os padróes culturais do mundo todo.
A Febre Starbucks - Uma dose dupla de cafeína, comércio e cultura
Taylor Clark
Muito mais do que a história da Starbucks
Surpreende-se quem começa a folhear achando que lerá um "livro case" sobre a Starbucks, sua história e como se tornou um império. Por ser profissional da área de marketing e admirar o seu trabalho, além de ser viciado em café, confesso que me interessei inicialmente no livro esperando encontrar suas estratégias de marketing, como lida com o ponto de vendas e como contorna o comportamento do consumidor para que crescesse tão rapidamente e moldasse a cultura do café por onde passa. Agradável surpresa é perceber que o livro é muito mais do que isso. O autor nos dá um verdadeiro curso sobre a história do café, com sua descoberta há 600 anos na Etiópia por um pastor de cabras, que percebeu que seu rebanho ficava mais agitado após comer os frutos vermelhos do arbusto; sobre como sua origem mudou a economia dos países por onde passou; como a bebida mudou culturas e como ela continua influenciando vidas até hoje. É neste contexto que Taylor Clark nos conta a história da Starbucks - iniciada em um período em que as grandes corporações torrefadoras prezavam pela quantidade para diminuir os custos e aumentar suas margens de lucro, prejudicando, assim a qualidade do café que chegava a ser "intragável". Como nos conta, aparentemente a Starbucks iniciou em na hora e momento certo, com a promessa de entregar café de qualidade a um público que já não conhecia mais o que era tomar um bom café. Nos conta, também, como que o café de qualidade era contrabandeado na década de 1970 por um homem que inaugurou a Starbucks em Seattle e que, anos mais tarde, seria comprada por Howard Schultz, que a tornou uma das maiores redes de varejo alimentício e que abre seis lojas por dia ao redor do mundo. Na minha opinião, o autor conseguiu fazer do livro extremamente interessante, aprofundando no tema café e de longe concentrando-se somente na Starbucks. Em outros termos, o café é o protagonista do livro, enquanto a Starbucks é coadjuvante. Contudo, minhas expectativas iniciais não foram frustradas: realmente encontrei um material rico em marketing, sobre ponto de vendas, sobre o comportamento de consumidores e temas que eu não esperava encontrar -sempre com uma linguagem gostosa de ler, mesmo aos que não são da área mercadológica. Ao final da leitura, tem-se a impressão de que se sabe muito mais sobre uma bebiba tão corriqueira e por vezes desvalorizada pela sua presença rotineira. Tão complexo ou mais do que o vinho, o café possui uma vasta bagagem cultural e propriedades suficientes para alimentar bons debates.
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