Honestamente posso afirmar que foi a pior leitura da minha vida. Se não fosse pela "história", poderia considerar horrível por sí só pela construção da narrativa, pela falta de veracidade histórica, a escrita dos "autores" e o desenvolvimento de todos os personagens e acontecimentos. Mas de verdade: que livro horrível!
Meu único acalento sobre essa leitura foi de não ter gasto 1 centavo que fosse, pois seria o dinheiro mais mal gasto da minha vida. Perdi tempo? Sim. Mas com isso espero que mais ninguém perca.
A história gira em torno de uma fazenda escravocrata em meados de 1550 e foca em um romance interracial entre Nicanor, um escravo, e Vicentina, a sinhazinha filha do dono da fazenda. O romance acaba sendo algo secundário na trama, devido os muitos absurdos que envolvem a história. Primeiramente que a escrita horrível já atrapalha a experiência como um todo, mas alguns fatores são de extremo mau gosto histórico e cultural.
O livro é espírita e como não tenho outras experiências com esse tipo de leitura, não posso fazer comparativos, mas confesso que depois de ler esse livro, não tenho interesse em outros do gênero. O "autor", que é um narrador onisciente, mostra o tempo inteiro coisas completamente descabidas como: todos os personagens brancos são apenas "apáticos" ou gananciosos, ninguém é "mal" por escravizar um povo; os negros que tramam vingança ou tentam ter algum benefício são ruins e cheios de "maldade no coração", e principalmente, negros escravizados e recém-saídos da África adorando um Deus cristão, sendo que o processo de catequização aconteceria quase um século depois.
Ler alguém romantizando a escravidão da forma que esse livro faz gera um sentimento de asco e indignação constante e até mesmo a historinha forçada do romance entre os protagonistas não convence em nada. Custo a acreditar que alguém comprou a ideia desse romance (que mal da para chamar assim e só existe por conta de planos espirituais, sem mais nem menos) ou que achou toda a história de conformismo dos escravos de bom tom.
Gravidez decorrida de estupro é romantizada como bênção divina, morte decorrida de tortura no pelourinho é romantizada com a graça divina no pós vida, violência e revoltas são condenadas e impedidas (pelos próprios escravos) pois não é correto" e a completa ausência de costumes e religiões de matrizes africanas são alguns dos absurdos relacionados à religião no livro.
A leitura poderia até ter algo de positivo, mas honestamente, nada salva. Todos os personagens são absurdamente cretinos e mal desenvolvidos, nada faz sentido, a parte espírita é ofensiva e o final consegue ser a melhor parte, pois você pode parar de ler essa história e procurar algo que preste.
Eu sinceramente não recomendo essa leitura para ninguém! Não passa de um desserviço histórico, cultural e literário. Posso classificar sem remorso algum como a pior leitura da minha vida.