XXX Holic #38 - Borboleta

    CLAMP

    JBC
    2011
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-8: 18091067
    Português Brasileiro

    Watanuki está vendo diversas vezes o mesmo sonho, num mundo em que existe apenas uma borboleta. A quem será que pertence o sonho e qual será o seu significado?

    Resenhas (1)Ver mais
    Angélica Reis picture
    Angélica Reis19/03/2012Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    XXX Holic (Série Completa)

    O grupo CLAMP é sinônimo de sucesso no Japão e no mundo. Com suas histórias que misturam romance, drama, humor e fantasia, elas conquistaram muitos fãs ao redor do globo. “XXX Holic”, trama sobrenatural recentemente concluída pelo grupo, abusa destas características, resultando em uma história divertida e cativante, mas que sofre em alguns momentos pelo uso excessivo de algumas fórmulas narrativas. A trama segue a vida de Watanuki Kimihiro, estudante colegial que possui um curioso dom: desde pequeno ele é capaz de ver criaturas sobrenaturais, desde fantasmas até as detestáveis ayakashi – seres malignos que, para seu azar, o rapaz inevitavelmente atrai. Um dia, ao fugir de uma ayakashi que o estava perseguindo, Watanuki acaba se deparando com uma misteriosa loja. Ao entrar, o jovem é logo recebido pela proprietária, a bela Yuuko Ichihara, e descobre que sua presença ali não é acidental: aquela é uma loja mágica, que só pode ser encontrada por aqueles que realmente precisam de seus serviços. A loja é capaz de atender a qualquer pedido de quem ali adentrar, desde que a pessoa esteja disposta a pagar o preço equivalente àquilo que deseja. Este preço, porém, não é cobrado em dinheiro; o pagamento exigido é sempre algo que a pessoa possua, e que tenha igual valor ao que deve ser realizado. Deste modo, o preço pode ser um objeto querido, uma mecha de cabelo, uma memória... ou até mesmo a própria alma. Watanuki expõe seu desejo de livrar-se de seu estranho dom – e da consequente perseguição das ayakashi – à Yuuko. A misteriosa mulher concorda em realizar o seu desejo, desde que, como pagamento, o garoto passe a trabalhar meio-período na loja – condição que, apesar de não o agradar, o jovem logo aceita. A história de “XXX Holic” se constrói através de aventuras episódicas, sempre relacionadas aos pedidos que chegam até a loja de Yuuko. A narrativa baseia-se fortemente no folclore e na mitologia japonesas, e é notável o sólido trabalho de pesquisa feito pelo CLAMP para sustentar suas histórias; cada capítulo acaba se tornando uma oportunidade para que o leitor conheça um pouco mais sobre a cultura nipônica. Esse aspecto também é válido no que diz respeito à culinária japonesa, muito explorada ao longo do mangá – uma das principais funções de Kimihiro na loja de desejos é preparar as refeições da proprietária e de suas visitas. Aproveitando-se de sua temática sobrenatural, “XXX Holic” consegue criar uma empolgante mistura de mistério, aventura e algumas pitadas de horror, prendendo com sucesso a atenção do leitor. As autoras também não perdem a oportunidade de explicar os eventos de cada história através de conceitos esotéricos e psicológicos, resultando em histórias consistentes e interessantes. Intercalados às cenas de mistério, também encontramos muitos momentos engraçados. O humor utilizado pelo CLAMP costuma ser leve e agradável, porém o fato de usar constantemente algumas fórmulas para esse tipo de cena pode torná-lo um pouco repetitivo. Em um certo momento, as reações exageradas de Watanuki devido à presença de seu amigo/rival Doumeki, ou as piadas sobre bebida de Mokona, por exemplo, perdem boa parte da graça que tinham no início. Outro ponto da trama que não me agradou é o modo como ela se alonga excessivamente a partir de um certo evento crucial da história. A partir deste ponto, as autoras poderiam ter finalizado a obra após, no máximo, mais três capítulos, mas decidiram alongá-la ainda por alguns volumes, o que gerou um desgaste na história. O final, apesar de melancólico, foi capaz de concluir o mangá de maneira satisfatória, ao mesmo tempo em que criou uma brecha para uma possível continuação. As personagens são, no geral, muito cativantes. Dentre os protagonistas, todos são muito puros e bondosos, mas não deixam de ter seus traços próprios de personalidade, que os tornam únicos. O mundo de “XXX Holic”, porém, aproxima-se da realidade ao retratar também pessoas fúteis e maldosas, além de situações de sofrimento e/ou cruéis. Ver como estes personagens utópicos reagem a este lado mais obscuro da sociedade acaba por torná-los mais interessantes e humanos, ajudando-os a criar laços de empatia com o leitor. Mas como nada é perfeito, há neste mangá um tipo de personagem que é recorrente nas obras do CLAMP, mas do qual eu pessoalmente não gosto: o personagem “bobo-alegre”. Esse tipo de personagem pode até ter uma ou outra cena séria, mas sua função principal é servir de alívio cômico. O problema é que, ao invés de participarem de situações em que o humor surge de maneira espontânea, eles agem de maneira forçada a fim de provocar o riso – o que, no fim das contas, acaba sendo mais irritante do que engraçado. Mokona, Maru e Moro seguem esse padrão, e mesmo que tenham funções importantes em algumas partes mais sérias da história, o jeito como normalmente agem faz com que eu me irrite pelo simples fato de eles estarem ali. Um traço controverso do mangá é sua relação com outra obra do grupo CLAMP, “Tsubasa: Reservoir Chronicle”. Os dois mangás foram publicados simultaneamente, e as autoras aproveitaram a situação para fazer um crossover entre as obras, de modo que em alguns capítulos personagens de Tsubasa aparecem em Holic, e vice-versa. No início essas “participações especiais” eram feitas de maneira a manter a independência de cada história, mas, a partir de um determinado momento, os eventos transcorridos em Tsubasa acabaram se tornando cruciais para que o leitor entendesse por completo a trama principal de “XXX Holic”, o que acabou por deixar os leitores que decidiram acompanhar apenas uma das obras em desvantagem. Eu até acho esse tipo de crossover saudável e interessante, contanto que ele mantenha a independência das obras envolvidas. Mas a partir do momento em que as autoras decidem influenciar o núcleo da história com esse tipo de estratégia, elas passa a tiranizar o leitor, obrigando-o a ler uma obra para entender a outra – e, se levarmos em conta que Tsubasa e Holic tem públicos-alvo diferentes, esse tipo de jogada editorial torna-se ainda mais injusta. Li “XXX Holic” sem ter lido “Tsubasa: Reservoir Chronicle” e, apesar de ter compreendido a trama em linhas gerais, há lacunas no final da história que só serão preenchidas caso eu decida ler Tsubasa – obra que, infelizmente, não me interessa. A arte do CLAMP é considerada uma das mais bonitas do mundo do mangá, e em “XXX Holic” ela está igualmente esplendorosa. O design de personagens alongado que o grupo vem usando em suas séries mais recentes “casou” perfeitamente com o clima gótico da obra, ajudando a amplificar ainda mais a aura de mistério que a história transmite. As roupas e os cenários da trama também estão impecáveis, e a quantidade de detalhes é de encher os olhos. Concluindo, acredito que, apesar de seus defeitos, “XXX Holic” é uma história cativante e interessante, e que merece muito ser lida pelos fãs de mistérios sobrenaturais. Com personagens divertidos, histórias marcantes e uma verdadeira imersão na mitologia japonesa, Holic consegue superar suas falhas e torna-se uma obra capaz de habitar a mente de seus leitores durante muito, muito tempo.

    1 curtida

    Estatísticas

    Avaliações

    4.6 / 86
    • 5 estrelas73%
    • 4 estrelas19%
    • 3 estrelas6%
    • 2 estrelas1%
    • 1 estrelas1%